Após seis anos de restauração, a Igreja São Francisco será inaugurada

Localizada no coração comercial de Florianópolis, o templo da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência foi inaugurado em 1815

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Igreja S.F e Frei Gunther

Após um período de seis anos de restauração, nesta quinta-feira, 14 de fevereiro, a Igreja São Francisco, em Florianópolis, será oficialmente reinaugurada. Os primeiros trabalhos foram realizados de forma emergencial, para consertar infiltrações no telhado e problemas na infraestrutura que estavam comprometendo toda a estrutura. Diariamente, mais de 500 pessoas visitam a instalação, que a partir de agora, além de fazerem suas preces, podem também visitar os novos espaços viabilizados para os fiéis.

“A restauração tem o objetivo de reabilitar o bem histórico para o uso do Povo de Deus, utilizando métodos e concepções respeitosos, de acordo com as recomendações do restauro, restituindo os elementos originais, antigos ou identificados como valoroso para a cultura local”, destaca o Frei Gunther Max Walzer.

Tombada como patrimônio histórico estadual desde 1998, o importante equipamento teve sua restauração custeada – na ordem de 10 milhões – pelo governo do Estado, além de doação dos fieis.

Datada de 1815, a igreja que foi construída por escravos, possui cinco altares, com grande significância religiosa e artística. “Em nosso altar-mor, um ícone da nossa história, Cristo e São Francisco abraçados – existem apenas duas imagens destas no país, uma em Florianópolis e outra em Salvador”, explica o Frei Gunther Max Walzer.

A última manutenção, antes desse longo processo de revitalização, foi datada no início dos anos 1900, o que levou ao estado de ruínas que a igreja se encontrava. Todo o processo de restauração foi realizado pela Concrejato Engenharia. Além dos trabalhos de pesquisa no local, soluções ocorreram a partir de discussões sistêmicas com os profissionais do Ateliê de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis (ATECOR/FCC), a conservadora e restauradora Susana Cardoso, do setor de Patrimônio do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (SEPHAN/IPUF) e da Associação Catarinense de Conservadores e Restauradores de Bens Culturais (ACCR). Os técnicos especialistas de cada área foram essenciais para o desenvolvimento das soluções que garantiram o resgate dos retábulos e das imagens sacras com a configuração que pode ser vista agora

Com o processo de restauração, foi possível resgatar a extensa pintura presente nas quatro colunas do retábulo, que remonta ao início do século XX. “Das várias qualidades de ouro existentes no Altar-mor foi possível resgatar uma parte que estava encoberta pelas camadas de tinta, cuidadosamente retirada pelos técnicos durante sua restauração”, completa o Frei.

Igreja S.F e Frei Gunther

Santo Antônio de Categeró é o santo mais procurado pelos devotos e é guardado pelo altar de mesmo nome. Flores e arabescos dourados destacam-se no fundo branco off-white do altar.

Novos espaços

Com a restauração, além da otimização dos espaços, foi possível também ampliar a área física para visitação. Além do espaço lateral destinado para as velas – pensado com foco na segurança, tanto dos fieis quanto do equipamento, no segundo piso será inaugurado um espaço museológico, com documentos do século XVII e XVIII que já foram microfilmados e estão guardados a sete chaves em um armário poderão se consultados, bem como imagens sacras e paramentos. Além disso, no térreo, a direita do altar, logo na entrada – e anexa a entrada pela rua Felipe Schmidt, um espaço pensado para contar todo o processo da restauração, “Trazemos detalhes da história da igreja e do processo restauro, com vídeo e painéis fotográficos e poderão ser visitados por turistas, recuperamos a origem e documentamos para que as próximas gerações possam conhecer um pouco do que foi realizado”, explica o Frei Gunther.

Além disso, ainda para 2019 está previsto a retomada das missas em latim. “Esse é um projeto que muito me orgulha e que, em breve, estará à disposição do grande público”, completa o Frei.

Mas a igreja não fechou suas portas durante o processo de revitalização. “Mesmo durante o processo de revitalização, optamos por mantermos as portas abertas, mostrarmos para a população que a casa do senhor permanecia sempre à disposição, e mais, para que todos pudessem acompanhar todas as etapas desse grandioso projeto, que só foi possível graças ao apoio e doações de nossos fiéis”, finaliza o Frei Gunther Max Walzer.

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