Fone: (48) 3733-6977 | redacaofloripa@jornalinforme.com.br

 

12/10/2017 14:17

Políticas Públicas para a população em Situação de Rua são debatidas em reunião na Câmara de Vereadores de São José

por
60 acessos
Divulgação Rede de trabalho será criada para ampliar o debate e as ações para melhor acolher, orientar e ajudar essas pessoas. Rede de trabalho será criada para ampliar o debate e as ações para melhor acolher, orientar e ajudar essas pessoas.

A Câmara de Vereadores de São José promoveu um amplo debate nessa terça-feira (10) durante reunião pública sobre pessoas em situação de rua, proposição do vereador Caê Martins, que reuniu além dos vereadores André Guesser, Antônio Lemos e Gilmara Vieira Bastos, representantes das secretariais municipais da Prefeitura, psicólogos, advogados, entidades sociais, representantes do Movimento da População em Situação de Rua e a comunidade.

Três pilares nortearam as discussões: acolhimento para conhecer essas pessoas que hoje vivem nas ruas, acompanhamento e trabalho em rede que vá além de assistência social e saúde. Será criada uma rede envolvendo os poderes públicos, entidades e sociedade civil. Fortalecê-la e colocá-la em atuação é uma das metas após a reunião, segundo o vereador Caê, assim como rever o decreto que institui o Comitê Intersetorial de acompanhamento e monitoramento das ações concernentes à política nacional para a população em situação de rua no âmbito de São José.

“Foi um processo de escuta e troca de experiências muito rico e extremamente importante para que possamos avançar em políticas públicas efetivas. A proposta era justamente ouvir as ruas e o seu clamor, conhecer múltiplas realidades e nos tornarmos coautores das mudanças e ações necessárias. É preciso enfrentar essa questão não como problema, mas como algo que precisa ser debatido com atenção e sensibilidade. Não tenho dúvidas que as conquistas virão na luta por uma sociedade mais humana, justa e igualitária”, destacou o vereador.

Diagnóstico social e ações de enfrentamento

Um diagnóstico social da região da Grande Florianópolis foi apresentado pela coordenadora do Instituto Comunitário da Grande Florianópolis (ICOM), Aline Venturi. Quando questionados se tinham interesse em participar de algum projeto habitacional ou aluguel social, 93% das pessoas em situação de rua disseram que sim e 442 disseram que sairiam das ruas se tivessem emprego.

“O ICOM mantêm-se disposto a ajudar para rever as metodologias hoje aplicadas focando na questão do acolhimento, estabelecimento de vínculos e da redução de danos causados a essas pessoas”, disse Aline.

A secretária-adjunta de Assistência Social de São José, Simone Machado, falou das ações no município e do funcionamento do Centro POP, no bairro Roçado, voltado ao atendimento à população em situação de rua. “Precisamos definir prioridades e, entre elas, estão a infância e as pessoas em situação de rua. Tivemos avanços comparado ao que tínhamos em 2013 e 2014 e vamos seguir trabalhando para melhorar esse serviço que é construído dia a dia.”

O psicólogo Gabriel Amado, que trabalha há mais de 10 anos com populações vulneráveis, enfatizou a importância desse formato de debate, voltado à participação popular e construção coletiva. “É um novo jeito de fazer política, ouvindo as ruas. Não é muito fácil escutar o grito de dor, mas precisamos disso, enxergar o outro primeiro como humano. Se nem assim o enxergamo, como vamos lutar pelos seus direitos?”, questionou.

Participação popular

A tribuna foi aberta a todos que quiseram se manifestar na busca por essa construção coletiva. Gustavo Nunes, do Movimento População em Situação de Rua de São José, falou um pouco da sua história. “As pessoas em situação de rua ainda são tratadas de maneira retrógrada, na base do preconceito e da violência. A sociedade julga muito, mas viver na rua é complicado. Fui parar nas ruas depois de perder a minha esposa, ninguém sabe o dia de amanhã”, lamentou.

Há quatro anos em situação de rua, Anderson Rosa subiu à tribuna para contar que está em acompanhamento no Centro POP e reivindicar algumas melhorias, como a retomada das oficinas. “Não sou mendigo, fica uma noite na rua só para ver o que é. Eu quero mudar de vida.”

A reunião pública contou com o apoio de mais seis vereadores: Antônio Lemos Filho, Gilmara Vieira Bastos, Jair Santilho Costa, Moacir da Silva, Nardi Francisco de Sousa Arruda e o presidente da Casa, Orvino Coelho de Ávila. Também participaram do debate, a secretária municipal de Segurança, Defesa e Trânsito, Andrea Pacheco; a secretária de Saúde, Sinara Simioni; o secretário-adjunto de Saúde, Udo Hawerroth; a Diretora de Atenção Especializada, Geovana Stedile; Jeferson Melo, da Prefeitura de Florianópolis; o membro da Comissão de Projetos da OAB São José, Walter Cipriano Silva, entre outras autoridades presentes.

Luana Andretta

E-mail Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

O Jornal Informe é uma rede de jornais de circulação em Caçador (sede) e Florianópolis 

Editor: Adriano Ribeiro
Telefone: (48) 3733-6977
Plantão: (48) 9922-8133
Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.