Prefeitura de Florianópolis promove discussão antirracista em abrigos para pessoas em situação de rua

Foi realizada uma série de ações em abrigos para pessoas em situação de rua

0
407

A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Assistência Social, atua para promover direitos da população da Capital. Um dos meios para discussão sobre direitos de pessoas negras é a discussão antirracista. Pensando nesta inciativa, a equipe técnica da Secretaria realizou ao longo da sexta-feira, 19 de novembro, uma série de ações em abrigos para pessoas em situação de rua.

Na Casa Rosa, a manhã foi marcada pela exibição do Curta Alva Paixão, de Maria Emília. A produção conta a história de Cruz e Sousa e sua contribuição para poesia e marco importante para cultura do povo negro da Capital e do Brasil. Assistindo à exibição estava Antônio Cesar Meneses de 54 anos. Ele nunca tinha aprendido algo sobre Cruz e Sousa e ficou encantado por sua importância histórica.

“Nunca ouvi nada sobre Cruz e Sousa. Acho importante falarmos sobre isso, até para que essa geração entenda o que aconteceu para não repetir algumas atitudes. Quando eu era criança na escola não queriam chegar perto de mim pois eu sou negro. Sabe, quando você é negro parece que você não é batizado com um nome (…) Não te chamam pelo nome e sim de palavras como ‘neguinho/negão/nego véio’. Essa história é importante pois os negros podem chegar sim em qualquer lugar”, comenta.

O homem está acolhido há 9 meses na Capital e realiza tratamento no CAPS. A equipe da Assistência Social o auxiliou para tirar documentos, acolhimento e outras ações para que em sua estadia pudesse se tratar e buscar cura psicológica.

Ao lado da conversa, que também contava com a presença de outros acolhidos, um homem que prefere não ser identificado, comenta que se sente segregado quando ao fazer uma entrevista de emprego precisa falar sua cor. “Por que quando eu faço uma entrevista de emprego tenho de falar a cor que eu sou? Sinto como se as pessoas achassem que negros não são educados. Negros, brancos, pardos, amarelos, todos podem ser mal educados ou não”, comenta.

Na Passarela da Cidadania, além da exibição da filmagem os acolhidos tiveram roda de conversa sobre a temática, fizeram tranças, leram poesias e puderam expor seus sentimentos sobre o que é ser uma pessoa negra. A Casa de Acolhimento Continente, também fez a exibição do Curta.

A Prefeitura de Florianópolis, reforça a importância da luta antirracista e da discussão sobre o assunto em todas as esferas da sociedade.