Acordo judicial põe fim à greve dos servidores em Florianópolis

Para o município, o acordo provou que a greve foi totalmente desproporcional e desnecessária

0
480
Assembleia geral na tarde desta quarta (16) sacramentou o fim da greve

Um acordo firmado no Tribunal de Justiça de Santa Catarina na tarde desta quarta-feira, 16 de fevereiro, entre a Prefeitura de Florianópolis e os servidores municipais pôs fim à greve em Florianópolis. Para o município, o acordo provou que a greve foi totalmente desproporcional e desnecessária. “Todas as medidas acordadas ou já estavam previstas ou estavam sendo discutidas em mesa de negociação com o sindicato desde novembro de 2021. Pararam a negociação e resolveram fazer um movimento político com pouca adesão”, disse o prefeito Gean Loureiro.

O acordo foi respaldado em assembleia geral chamada pelo Sintrasem e servidores grevistas na tarde desta quarta-feira (16) que culminou com sua aceitação. Os trabalhadores voltam a suas atividades imediatamente.

Confira os principais pontos do acordo:

A Prefeitura vai pagar o piso do magistério, conforme portaria Federal do dia 4 de fevereiro: o cumprimento do piso já tinha sido divulgado pelo prefeito Gean Loureiro antes mesmo de iniciar a greve. Não fez sentido o sindicato paralisar alguns dias depois, já que o piso só poderia ser cumprido no salário de fevereiro.

A Prefeitura vai pagar mais uma parcela do Plano de Cargos, Carreira e Salários dos servidores: a parcela já estava prevista conforme programação financeira do município já que tinha sido acordada na data-base passada. Com isso, constou no acordo que o reajuste previsto para os próximos meses poderá sofrer alterações de datas devido ao comprometimento da folha salarial.

Mantém acordo da Comcap: o município nunca discordou dessa questão. Nada mudou: as empresas terceirizadas seguirão atuando em algumas regiões da cidade.

Multa ao sindicato: A Prefeitura não aceitou retirar as multas ao sindicato por promover outra greve ilegal. O mérito será julgado pela justiça. Não houve acordo.

Desconto de servidores em greve: A Prefeitura não aceitou compensação ou abono por servidores que fizeram paralisação ilegal, conforme pedido do sindicato. A justiça vai julgar o pedido do sindicato de compensação por horas. A Prefeitura quer manter descontos.

VEJA ABAIXO NOTA DO SINTRASEM SOBRE A GREVE

TRABALHADORES DA PMF E DA COMCAP MOSTRAM MAIS UMA VEZ QUE A LUTA VALE A PENA!

Após uma forte greve de sete dias, que moveu a cidade em defesa do serviço público, os trabalhadores da PMF e da Comcap aprovaram agora há pouco em assembleia o encerramento da paralisação e o retorno imediato ao trabalho.

Resistimos bravamente aos ataques e às ameaças do governo Gean e saímos de nossa greve de cabeça erguida, sem punições ou perseguições à categoria.

Na Comcap, o acordo coletivo de setembro foi renovado até novembro e terá que ser respeitado. A cláusula sobre terceirização segue em discussão no Judiciário.

Freamos o projeto privatista do governo Gean e a coleta terceirizada terá que se manter nas regiões em que atuam hoje. O governo terá que tirar as terceirizadas dos roteiros da Barra da Lagoa e Ratones.

No Quadro Civil, arrancamos o que muitos já achavam impossível: o pagamento da primeira parcela do Plano de Carreira já no próximo salário.

É uma luta que travamos há anos e que agora volta a avançar.

No Magistério, temos a garantia de reajuste pelo Piso Nacional de 33,2% no salário-base, já na próxima folha, para aqueles que não recebem ainda.

As promoções voltam a ser pagas, já com previsão orçamentária.

Nenhum trabalhador terá desconto ou código 04. Nenhum trabalhador será punido ou demitido, e aqueles que tenham sido demitidos serão reincorporados.

Nosso sindicato não será multado, e os planos de Gean de destruir nossa entidade foram novamente por água abaixo.

Serão ainda montadas comissões para avaliar as condições de trabalho em todos os setores da PMF e da Comcap.

Ou seja: avançamos em todas as cláusulas e mostramos para toda a cidade que a luta vale a pena.

Juntos, somos muito mais fortes. Separados, somos presa fácil para a ganância privatista.

Enquanto muitas categorias lutam para garantir um acordo coletivo, provamos à classe trabalhadora de todo o país que existe, sim, campo para lutar em defesa de seus direitos.

O Sintrasem está há 30 anos na luta e nós conhecemos bem a força da categoria. Não estamos de passagem pela prefeitura, como Gean Loureiro e seu exército de indicados políticos.

Nós construímos o serviço público de Florianópolis dia após dia, dando nosso suor pela cidade.

Se saímos vitoriosos dessa greve é porque nosso movimento se manteve unificado e atuante. Não existe outro caminho para os trabalhadores que não seja a unidade.

Gean deixa a prefeitura em março com uma derrota enorme no currículo. Se ele planejava usar a truculência como trampolim político, descobriu que a luta da classe trabalhadora é maior!