Campanha internacional promove ato em favor dos trabalhadores do McDonald’s de Florianópolis

Movimento Sem Direitos Não é Legal realizou manifestações na cidade para conscientizar os funcionários contra abusos cometidos pela empresa, como assédio sexual e moral, racismo e LGBTQIA+fobia

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Ato em Florianópolis realizado pela campanha Sem Direitos Não É Legal

Na semana passada, mais de 30 trabalhadores do McDonald’s de Florianópolis se inscreveram para acompanhar o movimento Sem Direitos Não É Legal — campanha de uma iniciativa global pelos direitos dos trabalhadores do McDonald’s — durante os atos realizados na cidade, com o intuito de conscientizar os funcionários contra abusos cometidos pela empresa, como assédio sexual e moral, racismo e LGBTQIA+fobia.

A iniciativa contou com o apoio do Sitratuh (Sindicato dos trabalhadores em Hotéis, Restaurantes, Bares, Lanchonetes e de Turismo e Hospitalidade da Grande Florianópolis) e foi realizada nos dias 15, 16 e 17 de março nas unidades dos shoppings Vila Romana, Floripa e Beira Mar, além das lojas da rua Trajano, da Praia dos Ingleses e da avenida Beira Mar. Durante os atos, foram distribuídos kits com álcool em gel, máscaras e exemplares das cartilhas do movimento Sem Direitos Não É Legal, com informações para o trabalhador se conscientizar de seus direitos.

A campanha chegou em Florianópolis para apoiar uma série de pedidos dos funcionários por uma Convenção Coletiva que proteja o trabalhador e garanta um ambiente de trabalho digno e seguro. “Somos procurados por trabalhadores de todo o Brasil, mas as reclamações contra unidades da rede nas capitais chamam a atenção, especialmente no caso de Florianópolis. Diante disso, fizemos um ato para que os trabalhadores se sintam acolhidos e que não só saibam da importância de terem os seus direitos respeitados, mas que estejam conscientes de como denunciar os maus tratos promovidos pela empresa”, afirma o coordenador da campanha Sem Direitos Não É Legal, Rafael Guerra.

O diretor executivo da Fetratuh (Federação dos Trabalhadores em Turismo, Hospitalidade e de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares no Estado de Santa Catarina), Anésio Schneider, esteve no local apoiando a iniciativa. “Muitos trabalhadores se filiaram ao sindicato Sitratuh de Florianópolis. Estamos aqui buscando o diálogo e a informação do trabalhador, que além receberem proteção sindical, usufruem de benefícios na área da saúde e jurídica.”

Também estiveram presentes diretores da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e o núcleo jurídico composto por seus advogados e assessores. “Lamentavelmente, alguns gerentes tentaram obstruir o sindicato de exercer o seu direito de comunicação com o trabalhador. Outros se ofereceram para ficar com os kits, prometendo entregá-los depois aos funcionários, o que não foi cumprido. São essas atitudes que confirmam a falta de respeito e de consideração com os trabalhadores. Mas, que fique claro, são essas lojas que iremos voltar ainda mais vezes”, relata Rafael Torres, diretor de conteúdo da campanha.

Histórico

Os casos de assédio sexual, assédio moral e racismo contra trabalhadores no McDonald’s do Brasil têm despertado a atenção da Justiça nos últimos anos. No final de junho, o Ministério Público do Trabalho (MPT) determinou a abertura de inquérito civil para apurar denúncias contra a empresa no Brasil.

A decisão foi tomada pela Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, que em despacho apontou a requisição de documentos e informações, depoimentos, certidões, perícias e demais diligências para análise e posterior apresentação de uma ação civil pública para apurar as responsabilidades da empresa. A denúncia contra a empresa foi apresentada pela União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Sobre a campanha Sem Direitos Não É Legal

A campanha “Sem Direitos Não É Legal” faz parte de uma iniciativa global pelos direitos dos trabalhadores do McDonald’s, que se concentra nas violações às leis brasileiras, práticas anticoncorrenciais de “social dumping” e desrespeito contínuo aos direitos trabalhistas básicos. A campanha luta por mais segurança no trabalho, no caso específico, as redes de fast-food; fim do acúmulo de funções, pagamento de insalubridade e combate ao assédio sexual e moral, ao racismo e à LGBTQIA+fobia. A iniciativa conta com o apoio das centrais sindicais UGT, CUT e apoio e conexão global com a União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (UITA) e com o sindicato norte-americano SEIU (Service Employees International Union).