Campeão brasileiro de Voleibol treina crianças no Bairro Educador da Prefeitura da Capital

Rafael Novaes trabalha com 30 crianças e adolescentes na região do Monte Verde

0
453
Professor Rafael Novaes, da oficina de voleibol do Monte Verde, ensina a aluna Sophia Cardoso de Jesus (Foto: Antonio Prado)

Quem passa na quadra de areia do Centro Comunitário do Bairro Monte Verde, em Florianópolis, e observa os treinamentos ministrados pelo professor Rafael Novaes, na oficina de voleibol do Programa Bairro Educador, nem imagina que aquele educador de 1,91metro de altura é um campeão da Superliga de Voleibol e com passagens pela seleção brasileira de base.

E no dia a dia da oficina, Rafa, como é chamado por todos, transmite toda a sua experiência vivida em quadra como atleta profissional aos seus 30 estudantes, entre 8 e 16 anos, fortalecendo assim a filosofia do programa Bairro Educador de ter em seus quadros oficineiros com qualidade. O Programa é da Prefeitura de Florianópolis, com coordenação da Secretaria Municipal de Educação.

ENSINAMENTO DESCOMPLICADO DO VOLEIBOL

Rafa ingressou no Programa Bairro Educador, como professor, no início do segundo semestre de 2021. Procurou mesclar a teoria e prática do voleibol de forma descomplicada para crianças e adolescentes do bairro Monte Verde.

A tática deu certo e o professor colhe os primeiros frutos. “Quando eu comecei a dar aula meus alunos não sabiam nenhum fundamento de voleibol, agora eles já conseguem dar passes, executar uma manchete, ou seja, os mais velhos já conseguem desenvolver um jogo”, atesta Rafael.

Professor Rafael Novaes ensina técnicas de voleibol para a aluna Ketlyn Machado Leite, de 7 anos, aluna mais nova da turma de 30 alunos

As palavras do professor ecoam na boca da pequena Sophia Cardoso de Jesus, 13 anos, que freqüenta a oficina de voleibol desde julho de 2021.
“Quando comecei aqui não tinha a noção de nada de voleibol, só vontade em aprender. Hoje já consigo jogar”, comemora.

Ao seu lado, a mãe, Simone Cardoso, que sempre acompanha a filha nas aulas concorda: “Aqui, além de aprender voleibol, minha filha ganha condicionamento físico, que lhe proporciona saúde, e de modo descontraído”, garante, enfatizando que a filha fica contando as horas para que o dia da aula chegue.

Quem também não perde uma aula é a caloura da turma e uma das mais novas, Ketlyn Machado Leite, de 7 anos, que está matriculada na oficina há três meses. “Estou aprendendo com o professor a passar a bola de manchete e estou me divertindo nas aulas. Ele é muito legal”, explica a aluna.

ALUNA SONHA EM SER ATLETA PROFISSIONAL

Para Marcela Santana Valente, de 13 anos, as aulas de voleibol do Programa Bairro Educador são uma oportunidade de concretizar um sonho: ser jogadora profissional. “Sempre desejei em ser uma atleta e jogar em um clube . Antes de começar aqui eu jogava, mas não era tão boa. Não conseguia nem dar uma manchete. Agora percebo que eu jogo melhor, pois estou aprendendo graças ao Programa Bairro Educador e quem sabe um dia eu possa realizar meu sonho”, finaliza a aluna.

Além do voleibol a sede do Monte Verde, do Bairro Educador, oferece gratuitamente à comunidade as oficinas de Apoio pedagógico, Basquete 3×3, Beach tennis, Capoeira, Corte e costura, Ginástica e corrida, Jiu-jitsu, Karatê e Futebol 7.

TALENTO PRECOCE

Nascido em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, Rafael Novaes conheceu a modalidade de voleibol aos 13 anos de idade e pouco tempo depois já era um grande talento das categorias de base do Palmeiras, da capital paulista, depois de deixar para trás a cidade natal.

Professor Rafael Novaes, 35 anos, com parte de seus alunos de voleibol do Programa Bairro Educador, bairro Monte Verde

Tudo foi muito rápido na carreira de Rafael e entre os anos de 1999 e 2000, com pouco mais de 13 anos, fora convocado duas vezes para a seleção brasileira infantojuvenil e já era o melhor ponteiro da categoria em São Paulo. Daí o porquê de equipes tradicionais como Sorocaba, São Caetano e São José dos Campos tê-lo contratado posteriormente.

O talento do jovem despertou o interesse da catarinense Unisul, que o contratou em 2000 para disputar a superliga. No ano seguinte estreava pela Cimed, compondo o supertime catarinense que foi campeão brasileiro. Entretanto, no auge da carreira, depois também de passagem pela Intelbrás, uma lesão, aos 21 anos, pôs fim ao período de ascensão esportiva na vida de Rafael. Teve que parar por conta do rompimento do tendão patelar do joelho esquerdo durante um treinamento.