Rede municipal adota ferramenta literária contra violência sexual infantil

Livro premiado Pipo de Fifi, da autora Caroline Arcari, ensina crianças a partir dos 3 anos a diferenciar toques de amor dos abusivos.

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O livro infantil Pipo e Fifi, de uma forma lúdica, está sendo utilizado na educação infantil da rede municipal de ensino de São José como ferramenta de proteção contra a violência sexual. A obra, de Caroline Arcari, ensina aos pequenos noções básicas sobre o corpo
e a convivência.

Pipo e Fifi é um premiado livro infantil usado pedagogicamente como ferramenta de proteção, explicando às crianças, a partir dos 3 anos de idade, conceitos básicos sobre o corpo, sentimentos, convivência e trocas afetivas. De forma descomplicada, ensina a diferenciar toques de amor de toques abusivos, apontando caminhos para o diálogo e a
proteção.

Para capacitar os professores dos Centros de Educação Infantil (CEIs), a equipe do Programa Emfrente (Enfrentamento e Manejo das Violências Infantojuvenis da rede municipal de ensino) está trabalhando o tema na Formação Continuada de abril. “A proposta é instrumentalizar os educadores para práticas lúdicas que possam ser utilizadas para o trabalho preventivo. Fazer com que as crianças tenham noção do que é público e privado, quais os cuidados necessários ao seu corpo.

Com acesso a esse premiado livro infantil na rede municipal de ensino, propomos a oficina para que os educadores possam ter mais subsídios no seu dia a dia”, informou a coordenadora do Programa Emfrente, psicóloga Ana Brasil.

A palestra faz parte da temática “Criança não namora nem de brincadeira: combate à erotização precoce e à violência sexual contra as crianças”, instituída pela Lei Municipal nº 6.082/2021. Em março, o tema esteve na pauta da Formação Continuada dos profissionais da educação do Ensino Fundamental.

Profissionais envolvidos nessa rede de proteção à criança, como conselheiros tutelares, assistentes sociais, médicos da Polícia Científica (antigo Instituto Geral de Perícias – IGP), também contribuem para a formação dos educadores com explicações sobre as atribuições de cada órgão e sobre o desenvolvimento infantil. “Recebemos sempre muitos encaminhamentos de violência, entre relatos das crianças, situações que surgem, a partir de uma atividade proposta, por um tema trabalhado. Então, os professores precisam estar
capacitados para esses encaminhamentos”, citou Ana Brasil.

As professoras do CEI São Judas Tadeu, Cristiane Terezinha Fenillida, e Josiane Amaral Vieir, consideram essencial saber identificar possíveis situações de violência e estar preparadas para acionar a rede de apoio. “Os esclarecimentos que recebemos na formação nos ajudam a perceber o comportamento diferenciado das crianças e como lidar com
isso. Nos permite um olhar mais sensível para identificar as violências, mantendo o sigilo, para não as expor”, contou Cristiane. Para Josiane, os conhecimentos nessa formação esclareceram sobre o acesso ao preenchimento de documentos, por exemplo, e a ciência da parceria com os postos de saúde, que podem auxiliar também nos casos de negligência com as crianças.

Encontros mensais do Emfrente

O Emfrente também anunciou a retomada, de forma presencial, dos encontros mensais do Programa com um representante por unidade educacional. “Esses profissionais que participarão dos encontros são multiplicadores de informações e referência para os demais educadores da rede municipal. O reflexo do tempo fora da escola por conta da pandemia, a renovação da rede, com novos profissionais que não conheciam o nosso trabalho, nos fez repensar o modelo de formação”, ponderou a coordenadora do Emfrente.

Formação Continuada na Educação Infantil

Mensalmente, os profissionais da rede municipal de ensino participam de Formação Continuada, oferecida pela Secretaria de Educação de São José. Em abril, profissionais da Educação Infantil também estão frequentando palestras com as seguintes temáticas: “A importância de sentir-se incluído no contexto da Educação Infantil”; “Marcos Legais/Resíduos relacionados ao meio ambiente – Programa de Educação Ambiental”; “Arte – Educação: uma relação constituída a partir dos campos de experiências”, “Transtorno do
Espectro Autista” e “Educação Inclusiva: perspectivas teóricas e práticas educacionais”.

Os encontros da Formação Continuada são mensais, organizados em diferentes dias para contemplar toda a rede municipal de ensino. A maioria das atividades é realizada na Casa do Educador, unidade da rede municipal referência para a formação dos educadores. Ao final do ano, a carga horária de Formação Continuada totaliza 40 horas.