Festa do Divino volta a reunir fiéis após dois anos em São José, neste final de semana

Celebração, suspensa em virtude da Covid-19, será realizada nos dias 28, 29 e 30 de maio na igreja matriz de São José

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A Festa do Divino Espírito Santo, que chegou nas terras josefenses no ano de 1851, volta a colorir de vermelhos fiéis neste sábado (28), domingo (29) e segunda-feira (30), na igreja matriz de São José. A 170ª edição da festa foi adiada por dois anos por conta da pandemia de Covid-19.

A terceira pessoa da santíssima trindade, o divino espírito santo, é motivo de muita esperança para os moradores das comunidades que pertencem à paróquia de São José. Composta por Nossa Senhora de Fátima e Santa Filomena, fundada em 1879 e localizada no bairro Praia Comprida; a Nossa Senhora dos Navegantes (1962), na Ponta de Baixo; Santo Antônio (1966), localizada no bairro Santo Antônio, a festa acontece com o apoio do público.

Escolhidos como casal festeiro na última edição da festa, Miguel Meincheim e Iolanda Momm Meincheim, moradores do Centro Histórico, explicam que a preparação para a festa inicia com antecedência de um ano. As roupas que brilham no cortejo da Família imperial, com detalhes bordados à mão e tecido de veludo, são meticulosamente confeccionadas, de maneira a celebrar a passagem do casal imperial no ano seguinte com o requinte que adorna a festa.

“Quando fomos anunciados como festeiros, nossa cabeça já entra na festa. Imaginamos os convites, os detalhes da roupa do casal imperial e do grupo que acompanha, formando o cortejo, pois as vestes são alugadas. Além disso, queria dar oportunidade para que crianças que nunca participaram da festa, neste ano pudessem participar, explica Iolanda.

Beleza nos detalhes

Para mostrar aos fiéis a classe e o refinamento da família imperial, associado ao Divino, a costura é elemento essencial nos preparativos da festa. Na linha de frente do trabalho, está Suzana da Silva Gomes. Formada em Moda, ela trabalha com a festa do divino há 15 anos.

Suzana lembra que o aluguel das roupas para o cortejo de São José começou em 2014, ano em que foi convidada por uma devota do Divino para locar a vestimenta para o cortejo. Até hoje, o ateliê de Suzana encanta os fiéis com os detalhes bordados no tecido de veludo de cores predominantemente vermelhas.

Natural de Governador Celso Ramos, Suzana vive e tem o ateliê no município de origem, que cultua também as fortes raízes com a Festa do Divino. Lá, explica, a escolha do casal imperial do cortejo se dá por meio de sorteio. Certa vez, lembra que se inscreveu e teve o nome sorteado por golpe de sorte. Na época, Suzana tinha o biotipo diferente das crianças e adolescentes que participam tradicionalmente do cortejo. Assim pediu para a mãe, costureira, fazer a roupa para que usaria na festa.

“Como sou grande, foi uma dificuldade achar a roupa certa. Então cheguei para minha mãe e disse: mãe faz? E ela, que costurou a vida inteira, aceitou o desafio. Então o que começou numa brincadeira e depois, todos os anos, eu passei a fazer alugando para Governador Celso Ramos e também para as demais festas da região do litoral de Santa Catarina”, revela Suzana.

Suzana veste os membros do cortejo imperial: sete porta-bandeiras, nove meninas e nove meninos de 6 a 11 anos. O grupo vai à frente do casal imperial, sendo dois jovens um do sexo masculino e outra do sexo feminino. A composição é repetida para cada momento da festa, sendo o total de quatro cortes. Com os trajes do cortejo garantidos, outra parte tradicional da comemoração diz respeito ao cardápio: Divino Café e a Divina Sopa.

Divino café

Costuma ser realizado entre 10 e 15 dias antes da grande festa, o Divino Café abre as festividades para o povo. No café, são convidadas madrinhas, casal festeiro, os padres da Paróquia e a comunidade que auxilia financeiramente nos três dias de celebração do Espírito Santo.

O momento é também preparado com antecedência, uma vez que reúne grande número de pessoas, tendo importância financeira, pois o lucro é revertido para a festa. “As madrinhas são convidadas sempre quando se aproxima a festa, mas temos madrinhas que já estão a muitos anos na comunidade”, explica Lurdete Felipe da Silva, que participa da organização da festa.

Bandeira do Divino

Outro importante detalhe do ritual da festa é o envio das Bandeiras do Divino. As 30 bandeiras são enviadas às comunidades da Paróquia 40 dias antes da festa, em uma celebração que acontece sempre no domingo de Páscoa. Em cada comunidade, os responsáveis seguem os roteiros de visitas, planejados para que não haja repetição de lares visitados pela bandeira e que vá ao maior número de casas para levar o convite do festejo.

Os preparativos da festa envolvem cerca de 70 pessoas das comunidades localizadas nos bairros Praia Comprida, Ponta de Baixo, Fazenda Santo Antônio e a Matriz (Centro Histórico). As bandeiras retornam nesta sexta-feira (dia 27), com uma missa, a partir das 19h. Depois, os fiéis e a comunidade podem desfrutar, a partir das 20h30, da tradicional Divina Sopa.

Divina Sopa

A Divina sopa acontece há 10 anos. Incorporada recentemente à Festa do Divino, o alimento neste ano será preparado por um grupo de senhoras do bairro Colônia Santana.

Distribuída para quem está na missa que recebe de volta as Bandeiras do Divino, que está nos preparativos e quem visita o Centro Histórico no momento recebe também o alimento. Esse momento é de confraternização, pois une comunidade e fiéis que estão na organização de cada detalhe para o acontecimento da festa.

Durante esse momento, com a presença do casal festeiro, é feita mais uma quermesse, animada por uma família que mantém a tradição de auxiliar no som e animação desse encontro antes do grande dia.