São José aposta nas práticas integrativas no bem-estar da mulher e criança

Shantala é uma das técnicas que, por meio da massagem, promove relaxamento e fortalecimento de vínculos entre pais e filhos

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O município de São José vem buscando inovações para a rede municipal de saúde de maneira a garantir o bem-estar das famílias. Entre elas, trabalha na inclusão de Práticas Integrativas Complementares em Saúdes (PICS), principalmente para mulheres e crianças, uma vez que o município já é modelo para o Estado por disponibilizar pediatra e ginecologista em sua rede de atenção primária. No leque, está a Shantala, técnica que fortalece através de massagens o vínculo entre pais e filhos.

De maneira a disponibilizar a Shantala nos serviços ao grande público, a Secretaria de Saúde oferta curso da técnica para os profissionais que atuam na rede. As aulas foram divididas em duas turmas, uma durante o período matutino, com 15 profissionais e a outra durante a tarde, com a presença de dez profissionais.

De acordo com a naturóloga Giselly Naiara da Silva, que esteve à frente das aulas de Shantala, a intenção é tornar os agentes multiplicadores, para que a massagem seja difundida na região. “Estamos implementando e tentando introduzir cada vez mais práticas em nossos atendimentos nas Unidades Básicas. Independente de valores, a Shantala é custo zero. Então aquilo que a gente pode proporcionar aos nossos usuários, que eles possam realmente executar. Se cada um de vocês conseguir multiplicar para uma pessoa, será de grande valia ao município,” afirma Giselly.

Monik da Silveira, de 35 anos, esteve no curso da Shantala e pôde vislumbrar a técnica sob dois olhares: profissional, pois é enfermeira de estratégia da família e coordenadora da Unidade Básica de Saúde São Luiz e Santos Saraiva; mas também pela perspectiva materna, pois encontra-se na quarta semana de gestação.

Como enfermeira afirma que pode abordar a técnica aos pais tanto durante o pré-natal quanto no puerpério. Ela ressalta os diversos benefícios da técnica para o bebê desde um sono e alimentação regulados, redução de cólicas, coordenação motora e claro, o estreitamento dos laços da família, para com a criança. Como mãe, afirma que aplicará também os conhecimentos . “A Shantala oferece um momento primordial para estreitar os laços com a criança, oferecendo calma,” completa Monik.

AYUVEDA

A Shantala é uma massagem infantil, que veio da medicina tradicional indiana, do povo da sabedoria Ayuveda, passada de geração em geração, que trabalha a questão de conhecimento e sabedoria. É uma medicina milenar, que tem sete mil anos. Ela trabalha com a promoção da saúde, ela sempre busca a causa, não trabalha com a doença instalada, sempre busca prevenir, propõe uma vida saudável, em harmonia com as leis da natureza. Quando se fala de medicina Ayuveda, a saúde é vista entre a integração de corpo, mente e saúde, que é o pensar, sentir e agir.

É indicado aplicar a massagem enquanto a criança não tem controle sobre os próprios estímulos. Após o primeiro mês de vida, assim que cair o cordão umbilical, até porque a massagem será aplicada na parte abdominal. A massagem pode ser feita até os setes anos da criança.

A massagem evita as cólicas, promove a qualidade circulatória, respiratória, qualidade de sono da criança, potencializa o desenvolvimento, agiliza a coordenação motora, reduz a quantidade de cortisol e facilita a absorção alimentar. Após 15 minutos, a criança já está em um relaxamento profundo e fortalecendo os vínculos entre a criança e a família.

A ORIGEM

Friederick Le Boyer, ginecologista francês, em 1976, fez uma excursão pela Índia, na cidade de Calcutá e viu uma moça sentada, fazendo a massagem e vendo a conexão entre mãe e filho, ele pediu se poderia fazer o registro e depois difundiu a prática. O Friederick também foi o idealizador do parto humanizado e acreditava que o toque era um fator decisivo para as crianças “O toque é tão essencial quanto os nutrientes que o bebê recebe durante a amamentação,” frase de Friederick Le Boyer. No Brasil, quem trouxe a Shantala foi Claudio Basbaum, discípulo do Friederick.

HISTÓRICO

No ano de 2006, o Ministério da Saúde publicou portando instituindo a aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS). Nela, estão incluídas 29 práticas.

A partir disso, o São José começou a trabalhar na implantação dos PICS através do meio do Grupo de Trabalho Multidisciplinar para a Implantação das PICS (GTPICS).

O grupo é integrado por três enfermeiros, cirurgiã dentista, farmacêutica, naturóloga, agente administrativo e colaboradores residentes multiprofissionais em saúde da família, advindos do Estado. Atualmente estão sendo trabalhadas 11 PICS: Auriculoterapia, acupuntura, homeopatia, massoterapia chinesa, reflexologia, fitoterapia, yoga, aromaterapia, reiki, musicoterapia e Shantala.