Fotografia melhora a autoestima de participantes do Bairro Educador

Oficina é oferecida no Morro da Mariquinha por meio do programa da Prefeitura de Florianópoli

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Professor Felipe Sodré e aluna Júlia Moraes, de 10 anos na aula de retrato no curso de Fotografia

Técnicas de composição e luz, enquadramento, captação do momento adequado. Os termos em questão são do mundo da fotografia, conceitos que são dominados pelos grandes fotógrafos de sucesso da atualidade.

São essas as lições repassadas para os 30 participantes da oficina de fotografia do Bairro Educador, que ocorre todas às terças-feiras à noite no Morro da Mariquinha, no Centro da Capital. O programa é promovido pela Prefeitura de Florianópolis, por intermédio da Secretaria de Educação, e executado pelo Instituto Escola de Esporte Cidadã.

Duas turmas compõem as oficinas – voltadas para a faixa etária de 7 a 27 anos – ministradas pelo fotógrafo profissional Felipe Sodré, 30 anos. Nas aulas, além das técnicas fotográficas, o educador passa toda a sua experiência ao longo dos seis anos na área. E mais: trabalha a fotografia como processo de melhoria da autoestima dos moradores.

“Quando trabalhamos o retrato e cada um se vê em uma fotografia de qualidade feita pelo colega, com uma boa iluminação, fica admirado em se perceber bonito, empoderado. É uma descoberta nova para os alunos, pois nunca se viram daquela forma tão poderosa. Essa descoberta fortalece a autoestima deles, como pessoas, e do outro como fotógrafo. Como professor, ver essa reação é gratificante”, destaca Felipe Sodré.

A importância do elogio

E as descobertas vão além. O professor lembra do dia em que sugeriu na aula a técnica do elogio, em que cada participante teria que buscar um ponto positivo do colega de bairro e externar isso para o grupo.

“Percebi o quanto foi difícil para eles elogiar o colega. Aquilo foi novo para mim, pois eles nunca tinham experimentado essa prática do elogio. Ali eles transpuseram uma barreira, aprenderam a importância do elogio como processo de incentivo para as ações do dia a dia”, esclarece o educador.

Entre um ensinamento e outro, o grupo de futuros fotógrafos vai evoluindo a cada dia, da pequena Júlia Moraes, de 10 anos, ao mais experiente, como Jackson Ferreira, 27. Todos têm motivo para elogiar a oficina oferecida pelo Programa Bairro Educador. “Aqui o mais difícil foi compreender sobre o diafragma (da câmera fotográfica) e o mais fácil foi fotografar uma pessoa”, enfatiza Júlia. A aluna não tem dúvidas da qualidade da aula. “O professor é muito bom, pois estou aprendendo a fotografar”.

Antes, Jackson Ferreira pensava que fotografar era só apertar o botão da câmera. “Mas, com as aulas, aqui eu percebi que por trás de uma boa fotografia tem toda uma história e sensibilidade”.

Além de Júlia e Jackson, a oficina de fotografia está fazendo muito bem para Éverson Luiz, 12 anos. “Quero no futuro me especializar em fotografia de casamento para ganhar dinheiro e ajudar minha família, mas também penso em ser fotógrafo esportivo, pois o esporte é uma de minhas paixões”.

Oficina de aprendizagem

O professor Felipe Sodré conta que começou na área há cerca de seis anos quando buscava em seu interior uma resposta para a pergunta: “o que eu quero ser?”. Entre as várias indagações internas se enveredou para a fotografia. “Eu tinha muita vontade em me expressar. Desenhar eu não era bom. Poesia também não”. Por intermédio de um amigo que fotografava, se apaixonou por registrar imagens. “Ele me incentivou a comprar uma câmera e segui o conselho”.

Em seguida entrou em um curso. “O professor trabalhava com a fotografia documental e aquilo foi algo fantástico, pois ele viajava pelo mundo, conhecia pessoas e lugares por meio da fotografia e desde aquele dia resolvi que era aquilo que eu queria para a minha vida. E estou vivendo até hoje dessa profissão maravilhosa”, relata o educador.

Felipe destaca que o Programa Bairro Educador é a primeira experiência que está tendo como professor. “Aqui no Morro da Mariquinha está sendo incrível, pois além de ensinar eu aprendo muito com meus alunos. Vim com uma ideia, uma metodologia preparada para dar as aulas e ao deparar com a realidade das crianças, dos adolescentes do morro tive que reformular tudo, adequando os conteúdos para a vivência do dia a dia deles”.

O professor frisa que através da fotografia pode contar histórias. “A minha, do lugar, de pessoas. Por meio da fotografia, eu posso me expressar, criar uma narrativa, ter um olhar subjetivo e de várias interpretações sobre uma imagem e isso eu passo para eles nas aulas da oficina do Programa Bairro Educador”, finaliza.