Um dos maiores cartunistas vai fazer check-in na Bienal do Livro

Maurício Pestana traz na veia literária e nos cartuns a luta contra o racismo.

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A 1ª Bienal do Livro de São José, que será realizada de 7 a 11 de setembro no Centro Multiuso, tem como atração confirmada o escritor paulista, Maurício Pestana, considerado o cartunista negro de maior sucesso na história do Brasil. Pestana é autor de 60 livros, entre
eles a “Empresa Antirracista”. São obras que retratam direitos humanos e a luta contra o racismo.

O livro “Empresa Antirracista” mostra o movimento que as corporações estão fazendo em 30 anos para incluir a diversidade racial. Conta com uma análise inicial de Maurício sobre o processo inclusivo e depois segue com a entrevista de 20 empresários, entre eles, Luiza Trajano da Empresa Magazine Luiza.Obra mostra o movimento que as corporações estão fazendo para trabalhar a inclusão da diversidade racial.

O escritor reconhece que a luta do povo negro em busca de representatividade tem repercutido em mudanças. No livro, o destaque também fica por conta dos cartuns de Maurício, que colaborou por três anos do extinto jornal “O Pasquin”, comandado pelo jornalista Tarso de Castro, com a participação de profissionais emblemáticos da
comunicação como o Ziraldo e Sérgio Cabral.

Incentivado por um amigo, Maurício enviou pelos Correios seu trabalho para o “O Pasquin”. E para sua surpresa, conquistou uma página para divulgar sua proposta. De veia crítica no período do Regime Militar, o jornal se utilizava de crônicas, quadrinhos, fotonovelas e outros recursos para dar o recado de maneira informal.Um dos cartuns presentes no livro “Empresa Antirracista”, que exemplifica uma das formas de desigualdades raciais, encontradas em algumas empresas.

HISTÓRIA

Maurício ingressou no mercado de trabalho cedo. Aos 12 anos , começou a trabalhar em uma oficina mecânica para ajudar a família. Sempre gostou de desenhar. Adiante descobriu, nas redações de jornal, que o desenho poderia ser usado para impactar a sociedade.

“A minha geração foi criada com quadrinhos e desenhos; os cartunistas fizeram uma revolução em relação à percepção das mídias digitais. Quando fui trabalhar no Jornal A República tive contato com os desenhistas aos 14 anos e foi ali que percebi que gostaria de me aventurar no gênero cartum”, afirma o jornalista.

Além do livro “Empresa Antirracista”, Maurício trará para a Bienal os livros “Lendas dos Deuses da África”. São 12 livros dedicados ao público infantil, que tratam sobre a mitologia africana de forma lúdica. O escritor acredita que pouco se fala sobre os povos negros nas escolas; é mais comum encontrar mitologia grega, etc.

Sobre a participação da 1ª Bienal do Livro em São José, o autor vê como uma forma de difundir a cultura. Em tempos de fake news, a leitura e educação são capazes de salvar o mundo, acredita.