Exposição do Prêmio AF de Arte Contemporânea leva para o CIC a nova e jovem geração de artistas de SC

Premiação da Aliança Francesa de Florianópolis celebra a 9ª edição este ano. O três finalistas exibirão obras em mostra coletiva no Espaço Lindolf Bell, no CIC, a partir do dia 30/11.

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Principal equipamento cultural de Santa Catarina, o Centro Integrado de Cultura (CIC) volta a receber a exposição do Prêmio AF de Arte Contemporânea, mais importante premiação do estado promovida pela Aliança Francesa de Florianópolis. Os três finalistas da 9ª
edição, Bill Or (Itajaí), Mauricio Igor (Florianópolis) e Lucas Pereira Elias (Sombrio), apresentarão suas obras em mostra coletiva no Espaço Lindolf Bell. O grande vencedor deste ano será anunciado na abertura da exposição no dia 30/11, às 19h e, como prêmio, fará uma residência artística de três meses na Cité Internationale des Arts, em Paris.

O consenso entre o júri da edição 2022 é que foi uma das seleções mais interessantes dos últimos anos, com artistas de altíssimo nível. Em comum, os três selecionados são artistas jovens, todos com menos de 30 anos mas com uma trajetória já muitíssimo consistente. Para a artista Anna Moraes, que assina a expografia e curadoria, a mostra que ao público a partir de 30 mostra um recorte interessante da novíssima geração de artistas que atuam no estado

— Ainda que jovens, é visível e reconhecido o potencial artístico dos três. Eles já têm em seus currículos participações em exposições, editais e prêmios importantes e uma rica atuação em pesquisa artística no campo da arte e cultura — diz Anna Moraes.

Transições entre ficção e realidade

Os três artistas têm uma produção baseada em percepções muito diferentes de mundo e utilizam mídias e suportes singulares. Bill Or, de Itajaí, por exemplo, pesquisa relações entre literatura e artes visuais, ficção e realidade, hardware e software, a partir de
procedimentos de apropriação, coleção e edição com desdobramentos em performances, textos, áudios, vídeos, fotografias, desenhos e publicações.

Já Mauricio Igor, paraense radicado em Florianópolis, investiga questões de identidades em temas como gênero, sexualidade, miscigenação, decolonialidade e o cotidiano, desde a região amazônica, de onde é natural, aos trânsitos pelo Brasil e fora. Seus processos se desdobram em mídias como fotografias, vídeos, objetos, performances, textos e instalações.

Do Sul do Estado vem Lucas Pereira Elias, artista que elabora narrativas poéticas e políticas a partir da observação de objetos cotidianos, principalmente em aquarela sobre papel, bordado e acrílica sobre lona. Alia a pesquisa sobre temática ambiental que parte de uma relação afetiva e familiar principalmente com sua avó.

Exposição com diferentes mídias

As obras selecionadas para a exposição transitam entre mídias, com desenhos e instalações, imagem e áudio, trabalho final e processo.

— Uma característica bem interessante dos três é essa ideia mais aberta de processo e obra final, e de apresentar trabalhos que funcionam em relação com outros trabalhos — observa a curadora.

Além disso, a escolha dos trabalhos foi pautada na flexibilidade da apresentação, a partir da ideia de que as obras podem ser adaptadas de acordo com o espaço e recursos disponíveis.

— Isso é muito importante se pensarmos que o prêmio é uma residência artística em Paris, em que praticamente se leva um ateliê portátil para lá e se adapta ao meio para seguir produzindo. Estou bem ansiosa para a abertura, mas já tenho certeza que será uma exposição linda e instigante — diz Moraes.

O Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea 2022 tem patrocínio da ENGIE. Apoio do Consulado da França em São Paulo, do Institut Français e da Fundação Catarinense de Cultura. A produção é Marte Cultural. Realização da Aliança Francesa de Florianópolis.

Conheça os finalistas

Bill Or (1994) | Itajaí

Bill Or (Beatriz Ramalho Rodrigues) é  artista visual à frente de várias iniciativas voltadas para projetos editoriais. Nos últimos anos, seu interesse tem se voltado para as relações entre literatura e artes visuais, ficção e realidade, hardware e software. Seu trabalho
se dá a partir de procedimentos de apropriação, coleção e edição com desdobramentos em performances, textos, áudios, vídeos, fotografias, desenhos e publicações. O processo da artista passa ainda pela edição como linguagem e tecnologia no campo editorial, com a
presença marcante da repetição.  Já participou de diversas exposições e projetos individuais, como Começa Com o Toque do Dedo no Dorso da Máquina, na sala Edi Balod em Criciúma; Nomeáveis ou Como Chamar Coisas sem Nome, na Casa da Cultura Dide Brandão de itajaí; e sonho.software, executado com recursos do Lei Aldir Blanc, entre outras.

Mauricio Igor (1995) | Florianópolis

Nascido em Belém (PA) e radicado em Florianópolis, o artista atualmente transita entre essas duas cidades. É licenciado em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará, teve passagem pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (Portugal) e atualmente é mestrando na Udesc. Sua pesquisa e produção passa pela investigação de questões de identidades em temas como gênero, sexualidade, miscigenação, decolonialidade e o cotidiano na região amazônica. Vem se dedicando a uma pesquisa acerca das poéticas sobre o corpo afro-amazônico em deslocamento, como o corpo sente e é sentido, como
afeta e é afetado. Esses processos se desdobram em diferentes mídias, como fotografias, vídeos, objetos, performances, textos e instalações. Já participou de exposições e premiações como com o XVI Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes; Prêmio Rede Virtual de Arte e Cultura, da Fundação Cultural do
Estado do Pará; e o 15º Salão de Artes de Itajaí, da Fundação Cultural de Itajaí, SC;  entre outros.

Lucas Pereira Elias (2000) | Sombrio

Nascido em Sombrio, no Sul do Estado, Elias é graduando em Artes Visuais pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Como artista, seu trabalho passa pela elaboração de narrativas poéticas e políticas a partir da observação de objetos cotidianos.  Seus principais suportes e meios são a aquarela sobre papel, bordado e acrílica sobre lona. Ultimamente seu objeto de pesquisa passa pela temática ambiental por meio de uma visão afetiva e que parte de questões pessoais da história da avó, uma pescadora que nasceu às
margens do Rio Araranguá. Nesse sentido, vem propondo o debate sobre a questão ambiental a partir do viés da tradição e da memória. Embora ainda jovem, já passou por mostras importantes, como a 30º Mostra de Arte da Juventude no SESC Ribeirão preto (2021) e o 17º Salão Ubatuba de Artes Visuais (2021), além de ter recebido o prêmio
Perspectiva Futura no 19° Território da Arte de Araraquara (2022).

Agende-se

9º Prêmio AF de Arte Contemporânea
Abertura: 30/11/2022, às 19h
Visitação: 30/11/2022 a 15/1/2023, de terça a domingo, das 10h às 21h
Quanto: gratuito
Classificação Indicativa: livre