Ao menos duas manifestações públicas com caminhadas e mobilização desencadeadas por moradores do bairro Carianos, puxados pela Associação de Moradores do Carianos (Amocar), no Sul da Ilha, fizeram a prefeitura da Capital ir para a mesa de negociação e conversar com a comunidade sobre os impactos do Floripa para Todos, maior programa habitacional da história de Florianópolis.
O programa foi desencadeado no final do ano passado, após ter sido aprovado pela Câmara com pouco debate com a sociedade e promete entregar 800 moradias populares, com novos conjuntos planejados para os próximos anos em 11 bairros da cidade. Uma ação louvável, especialmente sob o ponto de vista da falta de moradia popular na Capital. Porém, a ação desnuda problemas reais de quem já vive nos bairros da cidade.
Carianos é um bairro que há tempos suplica por mais estrutura. Seja viária ou seja de saneamento básico, uma chaga de todos que moram no Sul da Ilha. A expectativa é que o bairro receba 200 moradias dento do Floripa para Todos. Não deu outra, a população se revoltou. Se para quem mora hoje no local já falta infraestrutura, imagina com mais esse contingente.
Topázio ouviu
No início da semana uma nova mobilização foi realizada pelos moradores do Carianos. A prefeitura leu bem a urgência de resposta e realizou no mesmo dia uma reunião com os moradores com a presença do prefeito Topázio Neto (PSD). Se na aprovação do projeto na Câmara teve pouco diálogo com a população, fez bem o prefeito em, ao menos agora, ir ao bairro ouvir os moradores. Topázio escutou de tudo, mas, o que mais ouviu é que falta saneamento e que não dá para confiar na Casan. O Sul da Ilha, pasmem, tem praticamente zero de esgoto tratado.

Amplitude do programa
Na reunião com os moradores o prefeito levou toda a equipe técnica da prefeitura para tirar dúvidas dos moradores. Também foi salientando que o projeto Floripa para Todos contempla todas as etapas do desenvolvimento do bairro, ou seja ele, interage com as reais necessidades dos atuais e futuros moradores. Outro ponto central é que o programa vai beneficiar moradores de Florianópolis com ao menos cinco anos de residência, evitando assim o ingresso desenfreado de novos moradores.
Problema anunciado
Na sessão da Câmara desta terça (11), a vereadora Manu Vieira (PL) lembrou que durante a aprovação do Floripa para Todos, no ano passado, ela pediu, sem resposta, a localização dos conjuntos habitacionais. Segundo ela, essa falta de transparência resultou no que está acontecendo em Carianos, por exemplo, “uma comunidade que está sendo pega de surpresa”.
Ela ponderou que o projeto trouxe revolta para quem já mora na região há anos. “Se o bairro não tem saneamento e o projeto fala em saneamento antes dos moradores mais antigos, é claro que isso é problema. Se o bairro já sofre com falta de luz e de água e não terá isso resolvido, mas terá mais gente consumido, é claro que isso será um problema. Se faltam vagas para o ensino médio, é claro que isso é um problema. E, mais, o projeto veio sem vaga de garagem e isso em um bairro onde a mobilidade é muito difícil”, elencou, salientando que o projeto e os problemas precisam ser debatidos com a comunidade “sem o nós contra eles”.

Audiência pública
Sobre o protesto do Carianos, o vereador João Padilha (PL) informou que a comunidade está pedindo através da Câmara da Capital a realização de uma audiência pública para tratar do assunto.
Ulisses na mira do MP
O delegado geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, que gosta de aparecer, está se enrolando com esse caso da morte do Cão Orelha. Ele virou alvo do Ministério Público de SC que questiona a falta de respostas concretas sobre a morte do cão comunitário da Praia Brava. O órgão inclusive apontou a necessidade de complementação nas investigações e solicitou o aprofundamento das apurações. O MP sintetiza o que pensa uma grande massa de defensores da causa animal. Apesar de não liderar as investigações, Ulisses liderou a coletiva de imprensa sobre as investigações e chamou para si, o bônus e agora, também o ônus do caso. Lembrando que Ulisses é pré-candidato a deputado estadual.

A versão do delegado geral
Sobre a investigação do MP, o delegado liberou nesta quarta-feira (11) uma nota oficial. Ele argumenta que não foi notificado sobre a instauração do procedimento preparatório, porém, entende que a instauração decorre de supostas falas na coletiva da imprensa do dia 27/01.
“Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público. Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação. E as informações que recebi e declarei em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público. Todas as entrevistas nunca citaram nomes ou apresentaram fotos ou vídeos que identificam os investigados, sendo que que o inquérito policial que apurou a possível coação no curso do processo era público”, diz o delegado geral.
Por fim, o delegado diz que está à disposição do Ministério Público para esclarecer o que for perguntado. Ele ainda traz pra mesa uma possível motivação de cunho político. “Saliento que há informações de dezenas de representações no MP em contexto apresentadas por movimentos políticos e motivações escusas ideológicas contra a PC e SC”, diz.
Caso Orelha
O caso do cão Orelha segue mobilizando lideranças políticas e da causa animal. A vereadora de Florianópolis Pri Fernandes (PSD), coordenadora estadual do movimento Cadeia Para Maus-Tratos, acompanha de perto as investigações e esteve em São Paulo no último fim de semana em articulações sobre o caso, reunindo-se com o deputado federal de SP, Delegado Bruno Lima (PP) e a primeira-dama Regina Nunes. Nos bastidores, a expectativa é de que os próximos dias tragam novos desdobramentos, inclusive informações ainda não divulgadas.

Libras na segurança
Os deputados estaduais aprovaram em plenário, na tarde desta terça-feira (10), uma iniciativa com foco na inclusão em atendimentos de ocorrências pelas forças de segurança em Santa Catarina.
O projeto de lei, PL 0102/2025, institui a Política Estadual de Incentivo à Capacitação em Libras para Agentes Públicos de Segurança, visando à promoção da acessibilidade comunicacional às pessoas surdas, mudas e com deficiência auditiva.
O autor do projeto, deputado Alex Brasil (PL), destaca que a iniciativa é inspirada no relato de um agente de segurança de Joinville.

MDB reativo
O MDB se transformou em um partido reativo. Não dita o ritmo da política, apenas age no reflexo dos movimentos. Precisou o governador Jorginho Mello (PL) dar um pé na bunda do partido para suas lideranças despertarem que podem construir um projeto para disputar o governo ou formar outras coligações. Agora, precisou o governador convidar o deputado estadual, Antídio Lunelli para se filiar no PL, para a cúpula estender o tapete vermelho para Lunelli ser o cabeça de chapa para disputar o governo em outubro.
Interesses individuais
Lunelli Governador não é um projeto ruim. O problema é o momento. Seu nome já deveria ter sido escolhido para encabeçar o projeto emedebista no início do ano passado. Mas não, o MDB optou pelos interesses individuais de suas lideranças e optou em ingressar no governo Jorginho. Naquela época o deputado estadual já manifestava intenção em disputar o governo. Tem estrutura, disposição, história de gestão pública de sucesso, mas foi rejeitado pelo partido. Agora, o MDB corre atrás do tempo perdido.

Reuniões
A possibilidade de o MDB ter Antídio ao governo foi discutida e avalizada na reunião da Bancada na Alesc nesta terça (10) e ganhou corpo em uma reunião ampliada com caciques do partido, à noite, na casa do deputado estadual, em Jurerê. Desse encontro o partido sinalizou para ter o deputado estadual como nome para a disputa ou, em caso de composição, seu nome ser o indicado. O partido também entende que só coliga caso o MDB faça parte da majoritária.







