Uma parceria consolidada entre a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e a Santa Cannabis, Associação Brasileira de Cannabis Medicinal, irá realizar um estudo inédito no Brasil. A pesquisa científica COONFIA, conduzida pelo Laboratório de Cannabis Medicinal e Ciência Psicodélica (LCP) da universidade, terá duração de 20 anos para avaliar o impacto do uso prolongado de canabinoides em pessoas com predisposição genética ao Alzheimer.
O objetivo é avaliar se a cannabis medicinal, ministrada diariamente em doses baixas, pode evitar a perda de memória causada pelo Alzheimer e auxiliar na prevenção da doença. Os 40 voluntários serão divididos em grupos ao uso de placebo e de 1 mg diária do óleo full spectrum da Santa Cannabis.
“A formação do Alzheimer começa 20 anos antes do surgimento dos sintomas. Sabemos que a cannabis medicinal pode reverter danos, mas queremos saber se o uso diário pode prevenir a doença”, explica o doutor em neurofarmacologia e coordenador do LCP da Unila, Francisney Nascimento.
Nascimento já publicou um estudo que demonstrou a eficácia da cannabis medicinal no tratamento do Alzheimer – os pacientes apresentaram melhora nas funções cognitivas, especialmente em relação à memória.
O professor também ressalta que, na nova pesquisa de 20 anos, “não é esperado efeito colateral relevante” decorrente da ingestão diária de cannabis medicinal. “A ideia é fazer exames de sangue e avaliar marcadores químicos, memória, cognição e fatores como depressão e ansiedade ao longo desses 20 anos. A dose de 1 mg diária é muito segura, não tivemos problemas com pacientes com doses mais altas”, explica Nascimento.
O óleo canábico utilizado no estudo, produzido pela Santa Cannabis em Santa Catarina, destaca-se por oferecer uma ampla gama de compostos naturais da cannabis. Em conjunto, os terpenos, flavonoides e canabinóides (THC e CBD) produzem um efeito medicinal (“entourage”) relevante e cientificamente seguro à saúde.
“Queremos demonstrar que a cannabis não deve ser vista como um recurso de ‘último caso’, mas avaliada pelo que realmente é: uma terapia potencialmente eficaz para múltiplos sintomas, com capacidade de promover benefícios mesmo em indivíduos atualmente saudáveis. Também queremos investigar seu papel como estratégia de longo prazo — não para ‘tratar doenças futuras’, mas para reduzir riscos, modular sistemas fisiológicos e contribuir para prevenção e qualidade de vida ao longo do tempo”, diz Gabriela Kreffta, farmacêutica da Santa Cannabis e responsável pela produção dos medicamentos canábicos.
Voluntários
A Unila busca voluntários que tenham interesse em participar da pesquisa científica pelos próximos 20 anos. Podem participar pessoas entre 45 e 65 anos, com preferência a pessoas com predisposição genética ao Alzheimer (histórico familiar da doença). Porém, quem não tem histórico familiar de Alzheimer também pode se inscrever.
A pesquisa vai avaliar 4 grupos: 2 grupos participarão de um estudo randomizado duplo-cego controlado por placebo em que parte dos voluntários recebe 1 mg de óleo canábico, enquanto a outra parte vai utilizar placebo. Já os outros 2 grupos não utilizarão nem o tratamento com canabinoides nem placebo, fazendo apenas acompanhamento clínico ao longo dos 20 anos.
Como se inscrever?
As inscrições estão abertas através de formulário online (https://redcap.link/COONFIA) ou pelo WhatsApp: (45) 92003-4535. Todos os participantes precisam ser alfabetizados e ter disponibilidade para comparecer presencialmente ao campus da Unila, em Foz do Iguaçu, onde serão aplicados questionários e realizados exames.
Por critérios de segurança, não poderão se inscrever pacientes com doenças hepáticas ou renais, histórico de psicose ou epilepsia, gestantes e lactantes. A participação no estudo é gratuita e não remunerada.
Mais informações podem ser obtidas pelo WhatsApp ou pelo perfil do LCP no Instagram (@lcp.unila).
Sobre a Santa Cannabis
Com sede em Florianópolis, a Santa Cannabis atende mais de 8 mil pacientes em todo o País, oferecendo suporte jurídico, médico e psicossocial. Desde 2023, possui autorização da Justiça Federal para cultivar e produzir óleo destinado aos associados.
Pesquisa já publicada sobre Alzheimer:






