InícioGERALAgência bancária interditada em Florianópolis acende alerta sobre práticas abusivas

Agência bancária interditada em Florianópolis acende alerta sobre práticas abusivas

Advogada especializada em Direito Bancário explica que cobranças indevidas, seguros não autorizados e falhas na prestação dos serviços podem violar os direitos do consumidor

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A interdição de uma agência do Bradesco, no Centro de Florianópolis, após o registro de centenas de reclamações, reacendeu o debate sobre as práticas abusivas no setor bancário. Conforme divulgado pelo Procon Municipal, a unidade teve as atividades suspensas por 48 horas e ficou impedida de celebrar novos contratos durante o período.

Apesar da repercussão do caso, situações envolvendo descontos não reconhecidos, saques indevidos, cobrança de taxas e inclusão de seguros sem autorização não estão restritas a uma única instituição. Para a advogada Dra. Jamily Borba de Alcântara, que atua há dez anos na área de Direito Bancário, o crescimento das reclamações demonstra a necessidade de maior fiscalização e de atenção por parte dos clientes.

“Os consumidores ainda enfrentam muitas falhas na prestação dos serviços bancários. Entre as reclamações mais frequentes estão os descontos indevidos, os saques não reconhecidos, a cobrança de tarifas e a contratação de seguros prestamistas sem uma autorização clara e consciente do cliente”, explica.

A advogada reforça que os serviços bancários estão sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor, entendimento consolidado pela Súmula 297 do Superior Tribunal de Justiça. As instituições financeiras, portanto, têm o dever de oferecer informações claras, garantir a segurança das operações e responder por falhas na prestação do serviço.

“Quando o cliente identifica uma cobrança ou contratação que não reconhece, deve comunicar imediatamente o banco, solicitar o cancelamento por escrito e guardar protocolos, extratos, contratos e comprovantes. Caso a instituição não resolva o problema, é possível procurar o Procon, registrar uma reclamação no Banco Central e buscar orientação jurídica”, afirma Jamily.

A atenção precisa ser ainda maior quando a situação envolve pessoas idosas, consideradas mais vulneráveis a fraudes, contratações sem compreensão adequada e descontos em aposentadorias ou benefícios. Dependendo da conduta praticada, o caso pode ultrapassar a esfera do Direito do Consumidor e envolver violações previstas no Estatuto da Pessoa Idosa.

“Fiscalizações como essa mostram que nenhuma instituição está acima da legislação. O consumidor precisa saber que pode questionar cobranças, exigir documentos e contestar qualquer operação que não tenha autorizado”, finaliza a advogada.

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