InícioGERALProjeto Libras no Parto promove inclusão para gestantes surdas

Projeto Libras no Parto promove inclusão para gestantes surdas

Iniciativa foi homenageada pelo Instituto Guga Kuerten durante o Prêmio IGK

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O parto de um bebê é um momento delicado para toda gestante. Momento de dor, cansaço, medos, que muitas vezes se arrasta por horas ou até mais de um dia. Imagine então se você não conseguir se comunicar com seu médico, porque ele não fala sua língua.

Esse é o dilema de diversas pessoas surdas, que, por darem à luz fora do horário comercial, acabam ficando sem os intérpretes fornecidos pelo Estado para acompanhá-las. Isso não apenas intensifica suas dúvidas e inseguranças, como também aumenta a chance de sofrerem violência obstétrica. É em resposta a esse cenário que, há dois anos, quatro intérpretes de libras — Aline Iolanda, Fabiana Albuquerque, Juliana Sousa Pereira e Vanessa Rizzotto — se juntaram para criar o Libras no Parto.

Já há sete anos o trabalho é feito de forma individual, com gestantes surdas chamando as intérpretes para os respectivos partos. Porém, em determinada situação, ao perceberam que precisariam de uma rede de apoio, Juliana, Fabiana e Aline se juntaram e chamaram Vanessa para participar do revezamento e da disponibilidade de atender uma gestante em questão. Assim, as colegas de profissão criaram o projeto centralizado no atendimento voluntário que perdura até hoje.

Dessa forma, todas entram em contato com as gestantes, organizam as informações da gravidez e agilizam a resposta aos chamados. “Se uma das surdas que estiver grávida chamar, a gente, no grupo, já determina: ‘ah, eu posso ir’, ‘eu não posso ir’. Assim, a surda não fica sem o atendimento”, explica Vanessa.

Ao longo dos sete anos, entre todas as profissionais envolvidas, já foram realizados 16 partos, além de alguns “alarmes falsos” em que contrações de teste faziam parecer que o bebê já estava a caminho. Vale lembrar que há menor demanda para as consultas, já que os horários agendados facilitam o processo de chamamento dos intérpretes do Estado.

Vanessa conta que ainda não participou de nenhum parto, mas não vê a hora. “O que as minhas colegas relatam é que não tem como mensurar a emoção. Porque, além de ser um momento muito importante para a pessoa que está se tornando mãe, é uma questão de ela ter seu direito linguístico atendido.”

Embora trabalhem como intérpretes em outros contextos e reforcem a importância da regulamentação da profissão — afinal, exige tempo, dedicação e estudo —, as quatro optam por manter o Libras no Parto como uma ação voluntária. Foi por essa razão, inclusive, que, em agosto, o projeto foi reconhecido pelo Prêmio IGK, iniciativa do Instituto Guga Kuerten que reconhece pessoas e projetos símbolos de transformação social.

Vanessa relata que, além da felicidade por receber o Prêmio Ação Voluntária, existe um reconhecimento maior, que é a visibilidade que a premiação proporciona. “Várias pessoas ficaram sabendo do projeto por causa do prêmio, porque ele acontecia muito isolado para a comunidade. E, através do prêmio, a comunidade também fica sabendo essa carência da comunidade surda”, destaca.

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