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Dia Mundial do Doador de Medula Óssea: da doação ao transplante, uma rede que pode salvar vidas

A mobilização ganha destaque no Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado em 19 de setembro

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Para quem espera por um transplante de medula óssea, encontrar um doador compatível pode significar uma nova oportunidade de viver. Para quem se cadastra como doador, é um gesto simples que pode salvar vidas. Entre esses dois momentos existe uma rede de cuidado que envolve cadastro, busca por compatibilidade, tratamento e transplante. É nesse caminho que atuam as unidades do Governo do Estado — o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC) e o Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON).

A mobilização ganha destaque no Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado em 19 de setembro, data que reforça a importância de ampliar o número de pessoas cadastradas nos registros de doadores.

O HEMOSC é responsável pelo cadastro de doadores de medula óssea no Estado e faz o exame que descreve o Sistema HLA (Antígeno Leucocitário Humano) do doador. Este sistema é a “identidade” do sistema imunológico, que será usada para comparar a compatibilidade entre o doador e o receptor da medula. Já o CEPON realiza os transplantes de células-tronco hematopoéticas (TCTH), ou seja, a medula.  Assim, ambas as unidades formam uma rede que conecta quem pode doar a quem precisa de uma nova chance.

Em Santa Catarina, o cadastro pode ser realizado nas unidades do HEMOSC em Florianópolis, Criciúma, Chapecó, Lages, Joaçaba, Blumenau, Joinville, Tubarão, Jaraguá do Sul e Canoinhas.

Os dados dos voluntários passam a integrar o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Quando um paciente precisa de um transplante e não encontra um doador compatível na família, a busca pode chegar ao registro nacional. A chance de compatibilidade entre irmãos é de aproximadamente 25%. Entre pessoas não aparentadas, a possibilidade pode chegar a uma em 100 mil, dependendo das características genéticas analisadas. Por isso, cada novo cadastro importa.

Do cadastro à segunda chance

No CEPON, a Unidade de Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas é a única de Santa Catarina a realizar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), tanto transplantes autólogos, utilizando células do próprio paciente, quanto alogênicos, utilizando células de um doador. Em 2025, foram realizados 111 transplantes. De janeiro a agosto de 2026, já foram 103 transplantes, sendo 74 autólogos e 29 alogênicos. Por trás dos números estão pacientes que tiveram suas histórias transformadas pelo tratamento.

Geraldo Heck, de 59 anos, sempre teve uma vida ativa. Trabalhava, praticava esportes e não imaginava que um cansaço cada vez mais intenso e uma tosse persistente seriam sinais de leucemia. Depois do diagnóstico e do tratamento, a doença retornou alguns meses mais tarde. Foi então encaminhado para o transplante de medula óssea, realizado no CEPON em 28 de março de 2026. O procedimento alogênico marcou uma nova etapa de sua vida.

Hoje, Geraldo já retomou as caminhadas e corridas e fala sobre o transplante com gratidão. “Quem doa uma medula está dando uma segunda chance de vida para alguém”, afirma. A frase resume o significado de um gesto que começa muito antes do transplante: no momento em que alguém decide se cadastrar como possível doador.

Uma nova história para viver em família

Para Ana Jaqueline, de 33 anos, o transplante também representou uma oportunidade que parecia ser sua única possibilidade de cura. Mãe de três filhos, ela enfrentou aproximadamente três anos e meio de tratamento contra um linfoma de Hodgkin. Foram cerca de 45 a 50 sessões de quimioterapia e diferentes protocolos até que o transplante alogênico fosse indicado. A busca pelo doador começou dentro da própria família e o pai tornou-se o doador.

O transplante foi realizado em outubro de 2025. Próxima de completar 11 meses do procedimento, Ana já retomou atividades do cotidiano.“E o transplante me deu a liberdade de viver. Viver uma nova história, uma nova vida”, conta. A experiência também transformou sua relação com a doação. Hoje, incentiva familiares e amigos a doarem sangue e medula óssea. “Como meu pai salvou a minha vida, outras pessoas podem salvar a vida de muita gente”, afirma.

Quer ser um doador?

O cadastro de doadores de medula óssea pode ser realizado nas unidades do HEMOSC. Ao se cadastrar, o voluntário passa a fazer parte do REDOME e poderá ser chamado caso seja identificada uma possível compatibilidade com um paciente que necessita do transplante. Doe esperança. Cadastre-se como doador de medula óssea. Saiba mais em hemosc.org.br.

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