O Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, é uma oportunidade para reconhecer aqueles que dedicam seu trabalho à educação e fazem da sala de aula um espaço de conhecimento e transformação.
É nesse cotidiano que Emanoel de Faria, de 34 anos, Emiliana Corrêa, de 40, e Janete Elenice, de 48, construíram suas experiências como professores da Educação de Jovens, Adultos e Idosos da Prefeitura de Florianópolis. Emanoel começou a atuar nesta modalidade de ensino este ano, enquanto Emiliana teve seu primeiro contato com a EJA há mais de dez anos.
Janete, que também já lecionou em instituição de ensino superior, encontrou na EJA uma escolha profissional ligada à possibilidade de acompanhar mais de perto as mudanças provocadas pela educação. Por esta modalidade de ensino, ligada à Secretaria Municipal de Educação, a população, a partir de 15 anos de idade, pode se alfabetizar e concluir o ensino fundamental.
Educação como possibilidade de novos caminhos
“O estudante aqui, ele não é um pote vazio que a gente precisa encher. Ele já está cheio, ele já vem com conhecimentos, a gente só vai, agora, expandi-los”, conta o professor Emanoel. Essa perspectiva também aparece na experiência de Janete.
Para ela, atuar na EJA lhe ensinou, sobretudo, a escutar e compreender que cada pessoa possui seu próprio tempo e maneira de aprender. A professora chama atenção ainda para a trajetória de estudantes que chegam à modalidade carregando a sensação de que fracassaram na escola. “Na verdade, foi a escola que fracassou com o sujeito, não foi o sujeito que fracassou na escola”, afirma.
Na visão da professora Janete, voltar à escola representa uma nova chance de construção dessa relação. “É uma nova chance que cada homem e cada mulher dão para a escola, não que a escola dá para eles, por isso, é preciso considerar as múltiplas formas de ensinar e aprender”, completa.
A sala de aula reúne pessoas em diferentes momentos da vida. São estudantes que, por diferentes circunstâncias, precisaram interromper os estudos e que encontram na educação uma possibilidade de retomar projetos, ampliar o saber e buscar novas oportunidades. Para os educadores, isso significa ensinar considerando não apenas os conteúdos previstos, mas as experiências que cada estudante traz consigo.
Emiliana Corrêa relata que, diferente do ensino regular, nesse contexto, os professores mantêm um acompanhamento mais próximo do aprendizado dos alunos, realizando reuniões semanais para compreender o perfil de cada um deles. “Isso, te faz olhar para a educação de uma forma mais humana, porque as experiências, os saberes que os estudantes trazem te impactam muito e te fazem crescer, não só profissionalmente, mas como pessoa”, frisa a professora.
O cotidiano desses profissionais é marcado pela troca. Os conhecimentos adquiridos ao longo da vida pelos estudantes fazem parte do processo de aprendizagem e ajudam a construir uma relação mais próxima entre educador e turma. A experiência profissional, as vivências familiares e as histórias pessoais podem se transformar em pontos de partida para discussões e novos aprendizados.
Quando o aprendizado ultrapassa a sala de aula
É também fora da escola que os professores percebem parte dos resultados do trabalho desenvolvido durante o ano. Para Emanoel, uma das experiências mais gratificantes é quando um estudante retorna depois da certificação para contar os caminhos que seguiu.
O professor lembra que uma ex-estudante da EJA, que ingressou no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), entrou em contato com ele para entusiasticamente falar da sua empreitada bem-sucedida. O novo caminho, segundo o professor, serviu de estímulo para que a própria filha da estudante prestasse vestibular.
Para Janete Elenice, é nesse momento que a educação cumpre uma de suas principais funções: transformar realidades. “Eu acredito que a educação serve para mudar a vida das pessoas. Se a educação não serve para mudar sua realidade, eu acho que ela não vai servir para mais nada”, afirma.
O processo, segundo a professora, envolve pensar para além da utilização dos conteúdos em avaliações. “Ler, escrever e compreender informações são habilidades que precisam estar relacionadas às necessidades e às escolhas feitas pelos estudantes no dia a dia.”
“Não desistam da educação”
Ao falar sobre o Dia do Professor, os três educadores destacam a importância de continuar acreditando na educação, mesmo diante das dificuldades encontradas na profissão.
Para Emanoel, é necessário que os professores encontrem apoio entre os próprios colegas. “Não desistam, não desistam da educação”, pede. Para ele, compartilhar experiências e unir forças é uma maneira de seguir diante dos desafios da profissão.
Conforme Emiliana, permanecer na educação significa defender o direito de pessoas de diferentes idades terem acesso ao ensino.Janete, por sua vez, reforça que o conhecimento pode ampliar as possibilidades de escolha e de participação social.
No fim, as experiências de Emanoel, Emiliana e Janete, apontam para uma mesma ideia: na EJA, ensinar e aprender são movimentos que acontecem juntos. Cada estudante chega com uma história, conhecimentos e expectativas próprias, enquanto o professor se transforma ao acompanhar esses percursos. É nessa troca que a sala de aula deixa de ser apenas um lugar de transmissão de conteúdos e passa a ser um espaço de construção de novos caminhos.









