A proposta celebra o Hip Hop como forma viva de criação, resistência e afeto e coloca o território e seus moradores no centro da cena. Ao longo de cinco horas, no dia 5 de outubro, a comunidade será convidada a viver uma experiência artística coletiva e acessível, sem divisões entre artista e plateia. No Morro da Penitenciária, em Florianópolis, o chão vira pista, roda, abraço e a rua inteira dança junto.
O Gruve-se não ergue palcos, mas sim encontros: o território é o cenário vivo onde a arte pulsa e onde a comunidade ocupa o centro da cena.
Idealizado pelas artistas e produtoras culturais Duda Movimenta e Emili Vaz (Emi Índigo), o projeto propõe uma batalha de dança open style com premiação em dinheiro, banda ao vivo, DJ, jurados convidados e acessibilidade em LIBRAS.
Uma batalha em quatro atos: corpo, som, roda e afeto
A Batalha Gruve-se terá quatro etapas ao longo de cinco horas de programação contínua: Abertura com DJ, roda de dança e inscrições no local; filtro classificatório para seleção dos dançarinos; batalhas 1×1 ao som de música instrumental ao vivo; encerramento com roda de dança aberta e celebração.
O evento segue o formato open style 1×1, reunindo dançarinos de diversos estilos como breaking, hip hop freestyle, krump, waacking, voguing, locking, popping e passinho, entre outros. Os confrontos são decididos por um júri especializado a partir de cinco critérios: musicalidade, performatividade, criatividade, técnica e personalidade.
Idealização e enraizamento: cultura viva no chão da periferia
Moradora do Morro da Penitenciária, Duda Movimenta atua no território desde 2022, oferecendo oficinas de breaking e promovendo ações de arte-educação voltadas à infância e juventude, com foco em acessibilidade e cultura urbana.
“Quero que as pessoas se preencham de arte. E pra mim isso acontece numa arte que é comunitária, onde o corpo se envolve com o que está acontecendo ao redor. Isso falta muito em espaços de periferia” , afirma Duda.
“A pessoa só vai ter que descer a rua para acessar um universo de arte compartilhada. Não tem palco que separa a plateia dos protagonistas, todo mundo é personagem central. A comunidade faz parte do ato artístico e interage com todos os elementos do Hip Hop” , completa.
Emili, artista curitibana radicada em Florianópolis, destaca a importância simbólica e política de trazer um evento deste porte para o morro: “O Hip Hop está sendo cultivado com afeto e respeito. Trazer um evento desse porte pro morro é dizer: a arte nasce e cresce aqui.. Por que levar a batalha até o centro da cidade se podemos levar as pessoas até o morro? Onde o Hip Hop vive, cresce e cria raízes em Floripa. Isso também é uma afirmação política” , reforça.
Cultura como acolhimento, resistência e memória viva
Mais que um evento de dança, a Gruve-se é um gesto de ocupação artística e cultural do espaço urbano, construído por e para a comunidade. O projeto integra diversos elementos do Hip Hop (dança, música, oralidade, arte visual e território) e também atua como espaço de memória, inclusão e visibilidade. “Essas danças vêm de contextos periféricos, negros, LGBTQIAPN+, político-sociais. Elas nasceram nas ruas de Nova Iorque e se reconfiguraram aqui no Brasil, nas favelas, nos teatros, nas Olimpíadas. Elas empregam, oferecem futuro, criam poéticas e resistem” , destaca Emili.
A proposta é uma realização do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal, através da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Premiação e incentivo para quem faz a arte acontecer
O Gruve-se oferece premiação em dinheiro e reconhecimento para os dançarinos participantes:
– 1º lugar: R$ 500
– 2º lugar: R$ 200
– Top 8: R$ 50 de ajuda de custo para cada dançarino classificado.
Conheça mais das idealizadoras:
Duda Movimenta
Sapatão não-binarie, dançarina, arte-educadora e produtora cultural do coletivo Gruve-se. Estudante de Teatro na UDESC, atua no breaking desde 2019. Vencedora do Prêmio Hip Hop Floripa 2024, criou os solos Corpo-Poesia (2019), Cara Fechada (2021) e Movimenta (2023), além de assinar direções de movimento e co-dirigir Bixo (2024) e Gruve-se: o corpo precisa dançar (2024). Realiza a Batalha Gruve-se desde 2024 e eventos voltados à comunidade LGBTQIAPN+ e Hip Hop.
Emili Vaz (Emi Índigo)
Artista de Curitiba, residente em Florianópolis, MC, arte-educadora, dançarina e produtora cultural do coletivo Gruve-se. Estudante de Teatro na UDESC, integra também os coletivos Casa Índigo e CASASEMPORTA. Co-dirigiu “Gruve-se: o corpo precisa dançar (2024)” e Rodopios (2025) e atua em eventos como balls (bailes da Cultura Ballroom), batalhas em nível regional, estudal e nacional como Waacking Floripa, Duelo Estadual de MCs e Festival Santa Catarina em Dança. Vencedora de prêmios com destaque para as batalhas de House Dance e All Style, realiza a Batalha Gruve-se desde 2024 e eventos voltados à comunidade LGBTQIAPN+ e Hip Hop.






