O mundo político catarinense assiste atônito uma nova novela: a crise interna do PSD. O enredo surreal substitui em cartaz o antigo sucesso da dramaturgia política que foi a definição da chapa pura ao Senado do PL. De dramas em dramas vamos vivendo esse cenário pré-eleição catarinense.
Vocês estão acompanhando os fatos novos diários e inimagináveis pela mídia que se dedica à cobertura estadual da política catarinense. Ocupou todo o noticiário político o tiroteio pessedista. Uma disputa de forças quase que inimaginável para homens públicos, da altura de governantes consagrados no Estado. Do nada parecem meninos birrentos.
Fato é que a tal crise pessedista teve força para virar a página melodramática da política local. Ninguém mais fala da chapa ao Senado puro sangue do PL, que excluiu de uma só vez as antigas forças antagônicas do Estado: MDB e PP da coligação com o governador Jorginho Mello (PL). Apesar que, parte das lideranças desses partidos vão continuar dando apoio ao governador.
Num mundo onde os movimentos políticos são orquestrados alinhados com os likes nas redes sociais, essas crises parecem até estrategicamente combinadas. Os teóricos da conspiração entram em campo e apontam para uma crise artificial, fabricada, com o objetivo de centralizar as atenções. Não me parece o caso no PSD. Ali existem mágoas passadas jamais curadas. Mesmo no PL não o foi. Existia uma luta viva por espaço na chapa ao Senado.
O fato é que o PSD tem hoje mais um dos tantos dias Ds, dos últimos dias. Dia em que Jorge Borhanusen anuncia seu candidato ao Governo, que vamos combinar, um movimento do velho kaiser que casa mais com um mundo político que já passou, onde o coronel ditava o tom da nota musical e os demais integrantes da oca dançavam. Dia também que a Executiva do partido decide entre João Rodrigues e Topázio Neto.
Aliás, meio insano esse posicionamento de João Rodrigues de pedir a cabeça do prefeito da Capital para manter sua candidatura. Será que Rodrigues não conhece o poder do convencimento para atrair lideranças ao projeto ao contrário de afasta-la. Mais insana ainda a propalada intensão de parte do partido em simplesmente se desfazer de um prefeito de Capital.
João atrai atenção
Interessante analisar também o quanto esse cenário de tensões abala a pré-candidatura de João Rodrigues ao governo. Se por um lado as incertezas são negativas para o projeto, por outro lado o nome do prefeito de Chapecó centralizou o noticiário político e está na mente de toda alma que pensa em política em SC neste momento. É o antigo ‘falem mal, mas falem de mim’.
O MDB está correndo o Estado numa perambulação de indecisão querendo saber das bases, qual destino seguir nas eleições deste ano. Três caminhos postos: aliança com João Rodrigues, candidatura própria ou aliança com a esquerda. Até iniciar essa guerra no PSD os dois primeiros caminhos estavam, digamos, empatados. Agora, nas últimas reuniões, a opção por João Rodrigues disparou.
Mesmo na incerteza, João centraliza a oposição, isso é fato. O sentimento é de que sem seu nome na disputa, todo mundo que está fora da mesa fica meio sem pai nem mãe.
Incerteza em João, segurança em Jorginho
Enquanto seu principal oponente na disputa pelo governo tem que se provar entre os seus, o governador Jorginho Mello, que não tem nada a ver com essa guerra, consolida seu projeto de reeleição. Os números das pesquisas são hiper favoráveis, o governo é bom e de entregas e o arranjo político está muito claro com a manutenção do bolsonarismo, que lhe conferiu a vitória na eleição passada.
Depois de definir sua chapa majoritária com os dois nomes que lideram a pesquisa ao Senado (Carol de Toni e Carlos Bolsonaro) e atrair o prefeito de Joinville, Adriano Silva, que aparece bem nas pesquisas no Norte do Estado, o momento do projeto governista e amenizar os impactos nos demais aliados.
As cúpulas de MDB e União Progressistas pregam um novo projeto, que pode ser com candidatura solo ou ao lado de João Rodrigues. Porém, é inegável que parte do MDB estará com Jorginho e parte do PP, por exemplo também. Quanto ao União Brasil, está sendo esquartejado em praça pública, com deputados deixando o partido para migrar para partidos da base do governo. O próprio governador sempre deixa claro para MDB e PP que é melhor estar com ele, mesmo sem presença na chapa majoritária.
A verdade é que enquanto o projeto João Rodrigues pega fogo, Jorginho nada de braçada. E quanto mais incertezas pairarem sobre a consistência do projeto pessedista, mais Jorginho atrai quem gosta de dias iluminados e de céu de brigadeiro, longe da nebulosidade carrancuda do Oeste.






