A semana inicia com movimentos de fortalecimento da base do governador Jorginho Mello (PL), mais especificamente no Republicanos. Apesar de já esperada, é relevante a filiação da prefeita de Lages, Carmen Zanotto. Muito próxima do governador, Carmen terá também papel de liderança no partido, fortalecendo a base governista
O ato acontece às no final desta manhã de segunda-feira (2), no Hotel Slaviero Baía Norte, em Florianópolis, com a presença do governador Jorginho, do presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira e do presidente estadual, deputado federal, Jorge Goetten, além de outras lideranças políticas.
Ajuste pelas pesquisas
Pegou muita gente de surpresa a decisão do governador Jorginho Mello (PL) de escantear os dois partidos com mais tradição em SC: MDB e PP (União Progressista). Um experiente observador político alertou-me: a explicação é mais simples que parece, vem da leitura das pesquisas.
O governador, ou quem pensa politicamente por ele, ajustou o cenário político com o resultado das pesquisas mais recentes. Elas mostram, desde o segundo semestre do ano passado, que Carol De Toni e Carlos Bolsonaro lideram com folga a disputa pelo Senado e que o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo) foi o único fato novo na disputa pelo Governo do Estado ao começar pontuar, alavancado pelo eleitor do Norte do Estado.
Numa tacada só Jorginho blindou sua base bolsonarista (definindo os dois nomes puros ao Senado) e atraiu Adriano, o fato ‘novo’ que poderia criar fissuras no seu projeto de reeleição. A estratégia já está desenhada. Agora resta atrair mais alguns partidos como PSDB para aumentar o horário político, visto que o Novo não o tem. O governador descolou da política tradicional e trilha pelos números frios das pesquisas.
Experimento eleitoral
Para quem gosta de acompanhar os movimentos da política, é bem interessante observar os relexos dessa estratégia de Jorginho. Uma coisa já é cristalina: o leitor hoje em dia está bem mais livre dos jogos partidários. Nesse ponto, a influência de partidos como MDB e PP é bem menor no resultado de uma eleição majoritária. A jogada fez com que o governador blindasse o seu eleitor bolsonarista. E faz todo sentido, foi esse eleitor que lhe conferiu a vitória num projeto solo na eleição passada. De toda forma, o movimento tem base sob a visão da ciência política e é coerente.
Jorginho procurou o contato, o contato veio
Desde que assumiu o Governo do Estado, Jorginho Mello (PL) vem atirando contra o PT e o presidente Lula e evita de toda forma qualquer agenda envolvendo o Governo Federal. Atacou, atacou, até que o contra-ataque veio. E a resposta vem por meio do ministro dos Transportes Renan Filho (MDB). A rusga já é antiga entre Jorginho e o pai do ministro, o senador Renan Calheiros, da época em que o governador ainda era senador.
Ano passado Jorginho e o ministro já haviam trocado farpas pelas redes sociais. Na semana passada o tiroteio voltou à tona, com o ministro afirmando que o governador não tem obras relevantes e enumerando as grandes obras em SC com a digital dos governos do PT. Jorginho respondeu, o ministro contra-atacou e por aí vai.

Falar aos seus
O objetivo de Jorginho é muito claro ao atacar o governo petista: manter sua base bolsonarista. Sob esse ponto de vista tudo bem. O problema é que Jorginho é governador de todos os catarinenses. Isso sem falar da liturgia do cargo que ocupa, que exige um mínimo de trato republicano com os demais agentes políticos, independente de suas linhas ideológicas.
Mas, o mais grave desse afastamento é abrir mão da maior fonte de recursos que é o Governo Federal. Esse discursinho de que Santa Catarina manda 10 pra Brasília e só retona 1 não cola mais. O cidadão hoje em dia sabe que sempre foi assim, que somos um Estado bem posicionado financeiramente e isso não vai mudar da noite para o dia. O que muda é um bom relacionamento político que pode resultar em mais verbas para o Estado.
Se esses bate-bocas são importantes para manter a base bolsonarista, para Santa Catarina é um total desperdício de tempo.
O reflexo nos recursos
Quem acha que esse clima de inimizade não prejudica o Estado, procure dar uma observada no volume de investimentos na área de infraestrutura em SC. Os recursos são públicos, mas a destinação é feita por agentes políticos. No primeiro, segundo e terceiro ano o Governo Lula praticamente triplicou o volume de investimentos em nossas rodovias federais em comparação com o Governo Bolsonaro. Porém, o aceno não surtiu resultado político. Neste último ano, como é eleitoral, o que o governo petista fez? Diminuiu significativamente os valores. Óbvio que enviaram mais recusos para estados com governantes mais alinhados ao governo federal. Mesmo assim o valor ainda é bem maior que no governo Bolsonaro.
Bom de briga
Talvez tomado pelas magoas do pai, Renan Filho comprou a briga e não deixa vídeo do governador Jorginho sem resposta. Ainda mais agora que o governador deu um pé na bunda do seu MDB. Renan é um dos melhores, senão o melhor ministro do atual governo federal. Comunicativo, descolado, ágil e trabalhador. Transformou o País em um canteiro de obras com ações em todos os cantos do País. Seu trabalho supera em muito seu antecessor, Tarcísio de Freitas (REP). Aliás, Tarcísio, no Ministério, como executor, foi mais um produto do imaginário, do marketing. Na prática, pouca entrega.
Câmaras, o retorno
Ainda na ressaca de festas de final de ano e com ansiedade do pré-carnaval, as atividades políticas vão retornando aos poucos nessa semana. Na Câmara de Florianópolis tem sessão ordinária agendada para a próxima sexta-feira (6), quando acontece a leitura da Mensagem de Abertura do Ano Legislativo de 2026, feita pelo prefeito Topázio Neto (PSD).
Antes, nesta segunda-feira (2), as atividades em Plenário serão retomadas na Câmara Municipal de São José. O início do ano legislativo está marcado para 16h com a primeira Sessão Ordinária de 2026.
ATUALIZAÇÃO: Na verdade a primeira sessão da Câmara da Capital acontece na próxima segunda-feira (9), às 16 horas. Lamentamos o erro acima.
Arborização em grandes estacionamentos
O vereador Afrânio Boppré (PSOL) apresentou, na Câmara da Capital, um Projeto de Lei Complementar (PLC) para melhorar a arborização da Cidade, fazendo com que áreas de estacionamentos descobertas que tenham mais de 100m² passem a ter pelo menos uma árvore a cada quatro vagas. O texto prevê que o plantio, bem como a escolha das espécies, deverá seguir orientações técnicas elaboradas pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram).
O objetivo do Projeto, segundo Afrânio, é mitigar os efeitos da crise climática no espaço urbano de Florianópolis, produzindo microclimas que antagonizem com o calor extremo em grandes estacionamentos, como os de lojas de departamento, supermercados atacadistas e shoppings cujo local destinado aos veículos seja aberto.
Temporada abaixo
Temporada de verão bem abaixo do esperado em Florianópolis, aliás, em todo litoral catarinense. É perceptível a queda do número de turistas, tanto estrangeiros quanto nacionais. O movimento precisa ser estudado para erros pontuais serem corrigidos para os próximos anos. Pena que os órgãos públicos envolvidos vão perder mais tempo maquiando números para dizer que tudo foi um sucesso total.






