A capital catarinense é uma das sete cidades brasileiras que participam do ImPrEP LEN Brasil, projeto que analisa a viabilidade de uso do lenacapavir na rotina dos serviços públicos de saúde. O medicamento compromete a estrutura do vírus, impedindo o HIV de se multiplicar ou infectar novas células e já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com eficácia entre 96% e 100% comprovada em estudos internacionais.
Diferentemente de pesquisas clínicas tradicionais, o foco do estudo não é testar a eficácia do medicamento, mas compreender como a PrEP injetável pode ser ofertada no SUS, ampliando o acesso e facilitando a adesão à prevenção – especialmente entre quem enfrenta dificuldades com o uso diário do comprimido oral. Em Florianópolis, a pesquisa será desenvolvida no Centro de Testagem e Aconselhamento da Policlínica Municipal Centro, na Avenida Rio Branco.
A PrEP (Profilaxia Pré- Exposição) é uma estratégia usada por meio de medicamento com uso contínuo ou sob demanda, para evitar a transmissão em caso de exposição de risco ao HIV. Apesar de ser referência nacional na oferta da PrEP oral, Florianópolis enfrenta desafios relacionados à permanência no uso do método. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que a taxa de descontinuação é elevada entre adolescentes e jovens, chegando a 70% entre menores de 18 anos e a 53% na faixa de 18 a 24 anos.
Não haverá recrutamento ativo de participantes para participarem do estudo e os interessados devem procurar o CTA da Policlínica, onde poderá optar entre a PrEP oral diária ou o lenacapavir injetável. O público alvo inclui jovens de 16 a 30 anos, cisgêneros ou transgêneros, gays, bissexuais, pessoas não binárias e travestis que não vivem com HIV. Podem participar pessoas que nunca utilizaram a PrEP oral quanto aquelas que interromperam o uso há pelo menos seis meses por dificuldade de adaptação ou continuidade.
“A PrEP injetável surge como uma alternativa promissora, pois simplifica a prevenção, especialmente para os mais jovens. Com apenas duas aplicações por ano, é possível garantir proteção contínua, com mais autonomia e menos estigma”, destaca Ronaldo Zonta, médico de família e comunidade e pesquisador principal do estudo em Florianópolis.
O estudo foi aprovado recentemente pelo Comitê de Ética e está em fase de preparação para o início da inclusão do medicamento no SUS, com previsão para o mês de março. Além de Florianópolis, o projeto é desenvolvido nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Nova Iguaçu, Salvador e Manaus.






