Autoridades públicas, médicos, pacientes e representantes de organizações da sociedade civil estiveram reunidos nesta quinta-feira (5), em Florianópolis, para discutir um dos temas mais urgentes da saúde pública no país: os desafios no diagnóstico e no tratamento do câncer de mama. O encontro marcou a abertura do FEMINA – Fórum Sul-Brasileiro de Estudos e Inovação em Oncologia, que segue até sábado reunindo especialistas de diversas regiões do Brasil e também convidados internacionais.
O primeiro dia do evento foi dedicado ao Advocacy, conceito que reúne a mobilização de médicos, pacientes, instituições e organizações da sociedade civil para dialogar com o poder público e propor soluções que ampliem o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado do câncer.
A abertura contou com a participação do secretário de Estado da Saúde de Santa Catarina, Diogo Demarchi, do secretário municipal de Saúde de Florianópolis, Amir Gentil, e do diretor-geral do CEPON, Dr. Alvin Laemmel, além de especialistas e representantes de entidades que atuam diretamente no cuidado e na defesa dos direitos das pacientes.
Entre os temas debatidos ao longo da manhã estiveram custo-efetividade e sustentabilidade do sistema de saúde, o cenário do câncer de mama no Brasil e na região Sul, os desafios para o rastreamento personalizado no Sistema Único de Saúde (SUS) e os obstáculos de acesso desde a mamografia até o início do tratamento. Também foram apresentados exemplos de iniciativas que conseguiram transformar projetos em políticas públicas, como o programa “Goiás Todo Rosa”, além de debates sobre caminhos para tornar o sistema de saúde mais eficiente e acessível.
Na parte da tarde, o evento abriu espaço para discussões centradas na experiência das pacientes, com painéis que abordaram o impacto do diagnóstico, a jornada durante o tratamento e os desafios após o término da terapia oncológica. Especialistas e pacientes compartilharam relatos e reflexões sobre humanização do cuidado, qualidade de vida e a importância do letramento do paciente, conceito que busca capacitar mulheres que já passaram pela doença a orientar e apoiar outras pacientes.
Para a médica mastologista Dra. Adriana Freitas, uma das idealizadoras do evento, dar espaço à escuta das pacientes é essencial para transformar a assistência em saúde.
“Quando colocamos médicos, pacientes, gestores e sociedade civil na mesma mesa, conseguimos enxergar com mais clareza os desafios reais da jornada do câncer de mama. Ouvir quem vive essa experiência é fundamental para construirmos soluções mais humanas, mais eficientes e que realmente cheguem a quem precisa.”
A programação do FEMINA continua até sábado com uma agenda científica voltada a médicos e profissionais de saúde.





