O Fevereiro Laranja é um mês dedicado à conscientização sobre as leucemias e à importância do diagnóstico precoce. “Informação de qualidade, acesso ao tratamento e solidariedade são pilares fundamentais para melhorar a vida dos pacientes”, afirma a médica hematologista Giovanna Steffenello, do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), vinculado à empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Para a médica, que também é mestre em Leucemias Agudas e coordenadora da Residência Médica em Hematologia e Hemoterapia no HU-UFSC, o diagnóstico precoce é fundamental para obter os melhores resultados no tratamento e cura da leucemia. Confira a íntegra da entrevista de Giovanna Stefenello:
1. O que é a leucemia?
A leucemia é um tipo de câncer que se origina na medula óssea, local onde são produzidas as células do sangue. Nessa doença, ocorre a produção desordenada de células anormais, nos glóbulos brancos, que passam a ocupar o espaço das células saudáveis, prejudicando a formação normal dos glóbulos vermelhos, plaquetas e leucócitos funcionais.
Existem diferentes tipos de leucemia, classificadas de acordo com a velocidade de evolução (agudas ou crônicas) e com a linhagem celular acometida (linfoide ou mieloide).
2. Quais as causas da doença?
Na maioria dos casos, não é possível identificar uma causa única. A leucemia resulta de alterações genéticas adquiridas ao longo da vida. Alguns fatores que podem aumentar o risco incluem:
- Exposição a radiações ionizantes
- Exposição prolongada a alguns produtos químicos (como benzeno)
- Tratamento prévio com quimioterapia ou radioterapia
- Algumas síndromes genéticas
- Histórico familiar de doenças hematológicas
Importante destacar que, na maior parte das vezes, a doença surge sem um fator desencadeante claramente identificado.
3. Quais os sintomas ou sinais de alerta?
Os sintomas podem variar conforme o tipo de leucemia, mas os mais frequentes são:
- Cansaço excessivo e fraqueza
- Palidez
- Febre ou infecções frequentes
- Sangramentos ou manchas roxas sem causa aparente
- Dor óssea ou articular
- Perda de peso involuntária
- Aumento de gânglios (ínguas), baço ou fígado
A presença persistente desses sinais deve motivar investigação médica.
4. Como é o tratamento?
O tratamento depende do tipo de leucemia, da idade do paciente e de suas condições clínicas. Pode incluir:
- Quimioterapia
- Terapias-alvo
- Imunoterapia
- Transplante de medula óssea (em situações selecionadas)
- Tratamentos de suporte, como transfusões e antibióticos
Atualmente, muitos tipos de leucemia apresentam altas taxas de controle e cura, especialmente quando diagnosticados precocemente.
5. Existem medidas de prevenção ou precaução? Quais?
Não há uma forma específica de prevenir a maioria das leucemias. Entretanto, algumas medidas podem reduzir riscos gerais:
- Evitar exposição a substâncias químicas tóxicas
- Não fumar
- Manter hábitos de vida saudáveis
- Realizar acompanhamento médico regular
O diagnóstico precoce continua sendo a principal estratégia para melhorar os resultados.
6. Quais serviços são ofertados pelo HU-UFSC?
O HU-UFSC oferece atendimento especializado em hematologia e oncologia, incluindo:
- Consultas ambulatoriais
- Investigação diagnóstica completa
- Tratamento clínico das leucemias e outras doenças do sangue
- Acompanhamento multidisciplinar (enfermagem, farmácia, psicologia, nutrição e serviço social)
- Integração com serviços de alta complexidade
Acesso ao Serviço
O HU-UFSC atende integralmente via Sistema Único de Saúde (SUS). Para acesso aos serviços especializados, como hematologia e oncologia, o paciente deve ser encaminhado via Sistema de Regulação.
Rede Ebserh
O HU-UFSC faz parte da Rede Ebserh desde março de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.







