Se o objetivo de algumas lideranças do PSD, em especial do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, era que o partido perdesse o prefeito da Capital do Estado, parabéns, ele (s) conseguiram. Nesta quinta-feira (19) o prefeito Topázio Neto entregou oficialmente à Executiva do Diretório Estadual do PSD de Santa Catarina sua carta de desfiliação partidária.
A decisão de Topázio foi tomada a partir da agressividade de João Rodrigues – que é pré-candidato ao Governo do Estado – e exigiu a saída do prefeito da Capital, caso contrário, deixaria de ser o candidato do partido na disputa. Muitos observadores do meio político entenderam que faltou habilidade a João Rodrigues para conversar com Topázio que há dois anos já manifesta-se favorável à reeleição de Jorginho Mello.
A parceria entre PSD e PL na Capital nasceu na reeleição do prefeito Topázio quando ele recebeu o apoio do governador e do PL, que inclusive indicou a vice de chapa, Maryanne Mattos. O projeto foi mais que aprovado pela população e conferiu a Topázio a maior vitória em número de votos em primeiro turno da história da Capital. Seria no mínimo desleal Topázio não retribuir agora o apoio ao governador.
Mas, João Rodrigues e o presidente do PSD, Eron Giordani, não entenderam assim e costuraram para tirar Topázio do Partido. Nem foi preciso, o prefeito da Capital, sentindo-se indesejado, antecipou-se e deixou o partido nesta quinta (19).
Seu destino? Na Carta o prefeito não deixa claro. Há várias hipóteses. Mas a tendência é que ele assuma a presidência do Podemos e, com liberdade, trabalhe na formação das chapas para a eleição deste ano.
Desorganização
E como fica o PSD? Todo esse episódio de ruptura com lideranças mostra que o partido está sem rumo no Estado e desorganizado. Nenhum partido perderia desta forma, por puro ego político de seus dirigentes, uma de suas principais lideranças, o prefeito da Capital. O PSD não sabe o que está fazendo e sequer sabe onde vai chegar!
VEJA ABAIXO A CARTA NA ÍNTEGRA
À Executiva do Diretório Estadual do PSD de Santa Catarina
Através desta carta aberta, encaminho formalmente meu pedido de desfiliação do Partido Social Democrático. Abaixo, minhas razões.
Política para mim é diálogo, gratidão e respeito. Considero a palavra dada o bem mais valioso de um homem público. E tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência, intimidação e socos na mesa. Nos últimos dias, integrantes do meu partido decidiram agir dessa forma comigo, como retaliação às posições que defendo.
Como é de conhecimento geral, o Presidente Estadual do PSD de Santa Catarina, em conluio com o Prefeito de Chapecó, passou a exigir minha expulsão imediata do partido. Ainda que perplexo, considero essa grotesca encenação uma medalha: eu sei quem sou, e sei também a forma que eles costumam fazer política.
Recuso o silêncio que tentam me impor por discordar de uma candidatura do partido ao Governo do Estado. Apesar das ameaças pessoais, não me intimido e nem me omito. Como dirigente do PSD, não posso deixar de alertar sobre os danos devastadores que essa decisão poderá causar às chances de vitória dos nossos candidatos a deputado e deputada na próxima eleição.
Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito de Chapecó transformou seus companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido, escancarando o que tantos comentam em voz baixa: seu ego, vaidade e sua sede de poder valem mais que o bem coletivo. É a isso que me oponho de forma convicta, porém respeitosa e civilizada.
Por justiça, dou ao Prefeito de Chapecó o direito à ignorância sobre minhas intenções. É possível que não tenha conseguido compreender as razões que me levaram a propor um caminho alternativo às suas desconexas e inconsequentes atitudes.
Há dois anos, defendo, de forma pública e transparente, o que acredito ser o melhor projeto para o bem de Santa Catarina: o apoio à reeleição do Governador Jorginho Mello. Esta decisão compartilhei, desde o primeiro minuto, com o Presidente Gilberto Kassab e o Deputado Júlio Garcia. De ambos, recebi compreensão, respaldo e anuência.
É de conhecimento de todos que essa parceria harmoniosa entre o PL e o PSD nasceu durante a minha vitoriosa eleição a Prefeito de Florianópolis, em 2024. Portanto, muito anterior a qualquer manifestação de uma pré-candidatura do PSD ao governo do estado. Por isso, repudio o rótulo de traidor que tentam, de forma covarde, me imputar.
Apoio o Governador Jorginho por que provou que é um gestor competente e um trabalhador obstinado. Seu governo é transformador e, seguramente, o maior parceiro das prefeituras na história de Santa Catarina. São investimentos gigantescos e milhares de obras espalhadas por todos os 295 municípios do estado, sem qualquer discriminação, seja ideologica ou política. Por que não ter a humildade e reconhecer quem está trabalhando direito?
Por isso, cabe a pergunta: em nome do quê alguém propõe trocar um governo cuja gestão é a mais bem avaliada do país, com mais de 75% de aprovação popular? Aliás, qual projeto de estado o prefeito apresentou até o momento? A mim, nenhum. O que propõe de forma planejada e aprofundada? Desconheço. Além de bravatas, só ouço o seu silêncio sobre os temas que, verdadeiramente, interessam ao povo catarinense.
Minha decisão de desfiliação traz ainda uma outra razão fundamental: a forte indicação que o PSD não irá apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro a Presidente da República. Nesse momento em que as forças de direita no Brasil deveriam se unir em torno de um nome sólido e viável, o PSD vai na direção contrária ao que deseja o eleitor catarinense.
Para finalizar, reafirmo que sou de construir pontes e aproximar pessoas. Por isso, jamais me perdoaria se uma decisão minha causasse qualquer desarmonia dentro do meu partido, ainda que alinhada com nossas principais lideranças. Diante disso, reitero meu pedido de desligamento imediato dos quadros do PSD. Que Deus abençoe Santa Catarina.
Florianópolis, 19 de março de 2026.
Topázio Silveira Neto
Prefeito da capital dos catarinenses






