A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio do Centro de Ciências da Saúde (CCS), o mandato da vereadora Carla Ayres (PT) e a Associação Brasileira de Cannabis Medicinal (Santa Cannabis), lançaram na última segunda-feira (05), um estudo para avaliar o uso do canabidiol (CBD) — substância sem efeito psicoativo — no cuidado de crianças autistas. A pesquisa tem como objetivo analisar se o uso do óleo de CBD pode contribuir para o bem-estar, o comportamento e a rotina diária de meninos autistas que apresentam quadros de ansiedade, agitação, irritabilidade ou dificuldades de interação social.
O estudo será realizado com meninos autistas de 7 a 9 anos, com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), clinicamente estáveis e com responsável legal disponível para acompanhar todas as etapas da pesquisa. A duração será de seis meses, com acompanhamento médico, monitoramento contínuo e visitas regulares à UFSC, no Campus Trindade, em Florianópolis.
O Projeto EsperanTEA dará prioridade a famílias em situação de vulnerabilidade social, buscando ampliar o acesso à pesquisa científica e ao cuidado em saúde de forma ética e responsável. Como parte da parceria, a Santa Cannabis irá doar 120 frascos de óleo à base de cannabis para a realização do estudo.
Carla Ayres é autora de dois projetos de lei que tratam da Cannabis Medicinal em Florianópolis: o Projeto de Lei nº 18.256/2021 institui a Política Municipal de Promoção e Incentivo ao Desenvolvimento de Pesquisas sobre os usos farmacêuticos, medicinais e industriais da cannabis; já o Projeto de Lei nº 18.257/2021 dispõe sobre o uso da cannabis para fins medicinais e a distribuição gratuita de medicamentos à base da planta, integral ou isolada, nas unidades de saúde públicas, privadas ou conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), no âmbito do município.
A vereadora Carla Ayres reafirmou seu compromisso em defesa da cannabis medicinal, que classificou como “um assunto indispensável no debate da saúde pública, universal e de qualidade”. “Inúmeros estudos já comprovaram os benefícios da cannabis medicinal no tratamento de diversas doenças, condições e transtornos, agora, temos a oportunidade dar mais um importante passo, pesquisando os benefícios da sua aplicação entre crianças autistas”, ressaltou a parlamentar. Carla ainda destacou a seriedade do projeto: “O EsperanTEA mostra à sociedade catarinense como a ciência precisa orientar as políticas de saúde pública. São diversos profissionais envolvidos com um objetivo muito claro, que é o de promover a qualidade de vida das crianças autistas”.
Para o fundador e presidente da Santa Cannabis, Pedro Sabaciauskis, a participação no projeto EsperanTEA é motivo de muita honra, pois ele movimenta uma roda que gera benefícios não apenas aos pacientes, mas para a sociedade como um todo. “Esse projeto, que envolve um grupo multidisciplinar com médicos, farmacêuticos e pesquisadores, mostra como a nossa sociedade está amadurecida para fazer com que este medicamento seja produzido no estado de Santa Catarina. É mais um importante passo para que a cannabis medicinal seja de fácil acesso para todas as pessoas, não apenas àqueles espectro autista, mas permitindo que seja criada uma cadeia produtiva de pesquisa e desenvolvimento, gerando empregos e oportunidades no nosso estado”.
De acordo com Rodrigo Moretti, professor e vice-diretor do Centro de Ciências da Saúde da UFSC, “o projeto EsperanTEA é um excelente exemplo de como as necessidades das pessoas, a ciência e as políticas públicas podem e devem andar juntas!”. O professor ainda ressaltou que “a possibilidade de oferecer às famílias de crianças com TEA o medicamento produzido pela Santa Cannabis, e com o acompanhamento clínico e de pesquisa que teremos oportunidade de conduzir, certamente traremos resultados importantes, tanto às famílias em si, como para essa discussão de políticas públicas em saúde, que é uma das mais contemporâneas existentes hoje”.
As inscrições podem ser feitas por meio de formulário online, disponível até o dia 20 de janeiro: https://tr.ee/esperanTEA






