A Páscoa estará sonoramente vibrante em Florianópolis. O Desterro Autoral, movimento cultural dedicado à promoção da música independente de Florianópolis, fecha seu ciclo de dois anos com seu Festival, reunindo, nos dias 3 e 4 de abril, no Trapiche da Beira-Mar Norte, bandas e artistas das cenas local e nacional em uma conexão inédita. As primeiras atrações confirmadas são os shows da banda desterrense Skrotes (SC) convida o recifense Otto (PE), na sexta-feira (3), e da cantora paulista Céu celebrando seus 20 anos de música no sábado (4).
A programação terá entrada livre para os dois dias de muita intensidade e outros grandes nomes que serão anunciados em breve. Porém, as primeiras atrações anunciadas já dão o tom do que promete embalar o público: a diversidade de estilos musicais e a conexão entre artistas e bandas de Florianópolis e de outros estados. “Mais do que isso, pensamos em um line-up que promova um encontro entre nomes da nossa cidade e nacionais no mesmo palco. A exemplo do crossover entre Skrotes e Otto, teremos outras surpreendentes conexões acontecendo”, explica o produtor cultural Arturo Valle, que, juntamente com a produtora Marina Tavares e o músico Thiago Mates, idealizou o projeto.
Com a produção do Studio de Ideias, o Desterro Autoral é um movimento cultural que busca conectar o público de Florianópolis à sua rica e diversificada cena musical. Desde a primeira edição, em junho de 2024, o projeto promoveu uma verdadeira ocupação de Florianópolis (que um dia foi Nossa Senhora do Desterro), levando cerca de 50 artistas e bandas da cidade para intervenções artísticas em calçadões, praças, bares e outros espaços públicos.
A partir de eventos como “Desterro Autoral Na Rua”, “Giro” (mini festivais), “Encontros” (palestras, oficinas e workshops) e “Acústico”, o projeto fez circular talentos locais ao encontro de um público cada vez mais surpreendido com a qualidade, riqueza e diversidade da produção musical regional. Já na sua concepção, Desterro foi pensado para esse clímax com seu festival, mas em uma proposta que desafiasse também os artistas, promovendo encontros entre referências de cenas regionais distintas. “O fato de termos também a Céu, uma artista contemporânea e referência de uma geração, celebrando seus 20 anos de carreira é uma forma de reverenciarmos a universalidade da música brasileira. Assim como a catarinense, mas aí vamos deixar essa surpresa mais para frente”, brinca Thiago Mates.
Para Marina Tavares, o Festival marca toda a trajetória do projeto no decorrer desses dois anos de atividades, sempre pautado pelo caráter eminentemente autoral dos seus artistas e também na difusão da produção local. “Foram dezenas de apresentações, todas gratuitos e, para além disso, ocupando os espaços possíveis para que o público pudesse encontrá-los, seja na praça em Santo Antônio de Lisboa, no TICEN, no Calçadão da Felipe Schmidt, ou no fervo do Centro-Leste, na Ponte Hercílio Luz e até no Elevado do Rio Tavares. A síntese do Desterro é se conectar com a cidade e com a sua gente, e queremos muito que esse festival estabeleça um outro patamar de conexão, agora também com artistas de outras cenas do país”, explica a produtora Marina Tavares.
Artistas que já tocaram no Desterro Autoral: Nouvella, Dirty Grills, Daniel Arena, Exclusive Os Cabides, Skrotes, Situation, MC Versa & Groove Hunters, Grilo e os Mosquitos, Apocalipse Cuier, Stella Folks, Reis do Nada, Tijuquera, Akanoâ, Iriê, Letroux, Giana Cervi, Yeti, Tarrafa Elétrica, Roger Corrêa, Sem Certeza, Joana Castanheira, Vitória Pedra, Ras Bernardo, Parafuso Silvestre, Aléssio, Abruna, Laura Padaratz, Guto, Serginho Feijó e Diogo, Samambaia Sound Club, Bárbara Damásio e Sebastião, Gui Natel e Dandara Manoela, Crative Sessions, Jean Mafra e Outros Bárbaros.
Produção: Studio de Ideias
O Desterro Autoral é um projeto viabilizado pelo PIC (Programa de Incentivo à Cultura) do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), e conta com a incentivadora Fort Atacadista.
Programe-se
Desterro Autoral Festival
Quando: Dias 3 e 4 de abril, a partir das 17h
Local: Trapiche da Beira-Mar Norte (Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos, s/n, Centro/Florianópolis)
Entrada: Livre
Classificação: Livre
Redes sociais: @desterroautoral
Primeiras atrações confirmadas
Sexta-feira, 3 de abril – Skrotes (Desterro) convida Otto (Recife)
Formado em 2009, em Florianópolis (SC), o Skrotes é um trio instrumental composto por Chico Abreu (baixo), Igor De Patta (piano e sintetizadores) e Guilherme Ledoux (bateria). Com mais de 300 shows realizados no Brasil e no exterior, a banda construiu uma linguagem própria ao transitar com naturalidade entre jazz, música clássica, ritmos afro-brasileiros, rock e eletrônica.
Reconhecido pela intensidade ao vivo e pela liberdade estética, o grupo está em seu sexto álbum, “Matadeiro”, trabalho que sintetiza sua maturidade artística em nove faixas autorais marcadas por minimalismo, tensão rítmica e texturas analógicas. Além do repertório autoral, o Skrotes também apresenta os espetáculos “Skrotes toca Nosferatu” e “Skrotes toca Mestiço – Tributo a Luiz Henrique Rosa”.
Otto é um dos artistas mais inventivos da música brasileira. Pernambucano, percorreu quase três décadas explorando maracatu, manguebeat, eletrônica, rock e samba, criando uma sonoridade única. Desde “Samba pra Burro” (1998), que o projetou nacionalmente, segue em constante reinvenção com álbuns marcantes como “Condom Black”, “Sem Gravidade” e “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos”, considerado por muitos sua obra-prima. Nos últimos anos, segue em turnês celebrando diferentes fases da carreira, incluindo homenagens a Reginaldo Rossi e o show “Otto Apocalíptico”, onde revisita temas profundos com intensidade e presença de palco inconfundíveis. Incansável, Otto continua expandindo os limites da música feita com alma. Para o Desterro Festival, o “Galego” estará acompanhado também pelo guitarrista recifense Yuri Queiroga.
Sábado, 4 de abril – Céu (SP)
Céu celebra os 20 anos de seu disco de estreia com uma série de shows especiais. Lançado em 2005, o álbum homônimo marcou a música brasileira ao misturar MPB, trip hop, soul e sonoridades urbanas, rendendo à artista suas primeiras indicações ao Grammy e ampliando sua projeção internacional ao ser lançada pelo selo Starbucks Hear Music. Filha de músicos, Céu traz no disco influências de suas vivências entre São Paulo e Nova York, criando uma obra original que abriu caminho para uma carreira premiada. Para a celebração, o álbum ganha edição em vinil e uma turnê que vem lotando casas pelo país, reafirmando a força e a atualidade desse trabalho inaugural.




