Ao ser desencadeada nesta terça (23) mais uma elogiosa ação da Polícia Civil, desta vez através da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção da DEIC, com o objetivo de cessar e investigar desmandos com o dinheiro público na Secretaria de Assistência Social de Florianópolis, alguns vereadores (de situação e oposição) ameaçam instaurar uma CPI na Câmara da Capital para investigar aquilo que os policiais já estão investigando.
Diga-me amigo leitor: o que mais os vereadores podem investigar que a Polícia Civil já não está investigando? O que falta aos investigadores da PC fazer que os vereadores farão? Eu respondo: nada. Absolutamente nada! Quero lembrar que temos em Santa Catarina uma das melhores policias do País, com todos os recursos e conhecimento para tirar a limpo o que aconteceu na Secretaria de Assistência Social. Com certeza sigilos telefônicos e bancários serão, se já não foram, quebrados, aparelhos eletroeletrônicos serão vasculhados, interrogatórios serão realizados.
Essa desesperada vontade de alguns vereadores, especialmente os da base do governo, soa mais como uma tentativa de “tirar o corpo fora”. De dizer para o público em geral: ‘olha, estamos fazendo nossa parte”. Ainda mais que muitos deles são pré-candidatos a deputado neste ano e querem surfar no escândalo para ter a ‘foto de fiscais do dinheiro público’, ‘protetores do erário’. Pura demagogia! Sensacionalismo nojento de uma política ultrapassada. Uma politicagem que não combina mais com os dias atuais, quando os eleitores são mais ativos nas redes sociais e conhecem os políticos mais que eles próprios se conhecem.
Quisessem mesmo fiscalizar, esses ávidos fiscais da coisa pública teriam assinado aquele pedido de CPI para investigar a Assistência Social protocolado há mais de um ano pela vereadora Carla Ayres (PT). Teriam se antecipado e iniciado a investigação quando estavam em curso os primeiros sintomas de algo podre na pasta; quando as primeiras investigações da Polícia, como a Operação Pecados Capitais, já pairavam na área social da Capital.
Foi naquela época que Carla protocolou o pedido de CPI que hoje, quando já se passou um ano, têm apenas 5 das 8 assinaturas necessárias para abertura. O objetivo da vereadora era justamente apurar supostas irregulares nos Termos de Colaboração firmados entre a prefeitura e Associações para atuar na Passarela da Cidadania, que beiram mais de R$ 24 milhões e nesta terça-feira (23) foram alvos da Operação Backstage, da Deic.
É simples explicar porque naquela época o pedido de investigação da vereadora do PT não era interessante para esses sonolentos vereadores. O motivo é que queriam abocanhar as benesses de ser governo, aproveitar-se do governo para pavimentar seus projetos pessoais. Agora, em ano de eleição, uma CPI é vitrine, é o circo que precisam para gravar vídeos para as redes sociais como defensores da moral e dos bons costumes.
Os vereadores podem até abrir a CPI. É uma decisão política de cada um deles. Mas, o fato é que nesse momento em nada vai acrescentar. O contrário, pode até atrapalhar o sério e imparcial trabalho que a Deic já desencadeou, com o acompanhamento do Ministério Público. Seria a contaminação política de uma série de investigações na Assistência Social, que está sendo tocada pela Polícia Civil, aparentemente com bons resultados desde a operação Presságio, passando pela Pecados Capitais até a atual, Backstage.
Uma CPI agora, nesse estágio da investigação vai só servir pra político aparecer em período eleitoral. Duvido muito que traga melhores resultados que os que serão alcançados pela Polícia. Vai ser um picadeiro e após a eleição será apresentado ao Ministério Público um relatório com um conteúdo pobre e risível daquilo que a Operação Backstage, por certo, já terá investigado, com acompanhamento do MP.
Os vereadores são inteligentes e sabem, só fingem não saber. Cabe a eles nesse momento acompanhar com lupa os desdobramentos e especialmente acompanhar possíveis sindicâncias instauradas dentro da própria prefeitura. A eles cabe pressionar o governo para que tome ações de proteção contra casos similares futuros. Também lhes confere a obrigação de cobrar o prefeito Topázio Neto (Podemos) e o governo municipal por medidas que se mostrem necessárias para punir os envolvidos e ações de ressarcimentos dos cofres públicos. De resto, é jogar pra plateia!
A confiança está toda depositada na Polícia Civil que já provou, inclusive em investigações recentes dentro da própria Assistência Social da Capital, que reúne todas as condições de investigar com isenção e trazer à público os fatos no momento oportuno. Lembrando que todos os envolvidos têm o direito à defesa e ninguém deve ter a condenação pública sem que antes finalize a investigação. Ao seu final, culpados, que paguem exemplarmente pelos danos que causaram aos cofres públicos.
Pra finalizar, o caso em tela só mostra que enquanto a Polícia Civil age, os vereadores da Capital perderam o timming de exercer uma das duas atribuições que lhes cabe: a da fiscalização.









