Toda eleição projeta expectativas sobre o futuro. Mas também representa um julgamento sobre o passado. Antes de avaliar promessas, vale observar aquilo que foi efetivamente entregue. Esse raciocínio vale para governos, empresas, universidades e também para as autarquias públicas.
Neste dia 3 de julho, profissionais de todo o país escolherão os dirigentes que conduzirão o Sistema Confea/Crea e Mútua pelos próximos três anos. Trata-se de uma estrutura que reúne mais de um milhão de profissionais e exerce papel estratégico na fiscalização do exercício profissional e no desenvolvimento da infraestrutura brasileira.
Digital
Pela primeira vez, a votação ocorrerá exclusivamente de forma on-line. O clique leva poucos segundos. A decisão permanecerá pelos próximos três anos.
O modelo elimina distâncias, amplia o acesso e facilita a participação. Ao mesmo tempo, impõe um novo desafio: não basta convencer. É preciso mobilizar o eleitor para que ele efetivamente vote.
Redes
Nunca houve tanta campanha nas redes sociais. Vídeos, podcasts, transmissões ao vivo, cortes, cards e mensagens circularam com intensidade inédita. O algoritmo ganhou protagonismo.
Resta saber quanto dessa exposição se converterá em participação.
Porque eleições de conselhos profissionais costumam seguir uma lógica própria. O eleitor desse ambiente trabalha diariamente com responsabilidade técnica, análise de projetos, planejamento, orçamento e prestação de contas. É natural que leve esse mesmo olhar para a hora de escolher seus representantes.
Rede social mede alcance. Eleição mede participação. Nem sempre uma acompanha a outra.
Memória
Toda gestão deixa marcas. Permanecem nos relatórios de gestão, nos indicadores, na modernização dos serviços, na transformação digital, na eficiência da fiscalização, na governança e na capacidade de resposta das instituições.
São essas marcas que sobrevivem ao período eleitoral.
Legado
Em qualquer processo sucessório, o legado ocupa espaço central.
Instituições públicas não são avaliadas apenas pelo discurso de seus dirigentes, mas pela capacidade de produzir resultados consistentes ao longo do tempo.
Na administração pública, esse legado aparece na qualidade da governança, na eficiência da fiscalização, na modernização dos serviços, na transparência e na confiança construída junto à sociedade.
Continuidade
Nenhuma gestão é perfeita. Toda administração pode evoluir, corrigir rumos e aperfeiçoar processos.
Mas existe uma diferença importante entre reconhecer desafios e desconsiderar resultados já alcançados.
Projetos estruturantes raramente amadurecem em um único mandato. Sistemas digitais, modelos de fiscalização, programas permanentes de capacitação, relações institucionais e estruturas de governança exigem planejamento, investimento e continuidade.
Na administração pública, instituições sólidas são construídas por processos, não por improvisos.
Protagonismo
Nos últimos anos, o Sistema Confea/Crea ampliou sua presença em debates nacionais relacionados à infraestrutura, inovação, educação tecnológica, defesa civil, sustentabilidade e acessibilidade.
Ao mesmo tempo, diversos Conselhos Regionais avançaram na modernização administrativa, na digitalização dos serviços e no fortalecimento de sua atuação institucional.
Mais do que números, esse movimento representa um reposicionamento do Sistema em temas estratégicos para o desenvolvimento do país.
Santa Catarina
Nesse contexto, o CREA-SC encerra este ciclo ocupando posição de destaque dentro do Sistema.
O Conselho reúne mais de 83 mil profissionais registrados, mais de 25 mil empresas e uma estrutura descentralizada presente em todas as regiões do Estado.
Nos últimos anos, transformação digital, inteligência aplicada à fiscalização, capacitação permanente, inovação, defesa civil, acessibilidade, relacionamento institucional e aproximação com universidades passaram a integrar de forma consistente sua agenda administrativa.
Esses avanços estão registrados em relatórios de gestão e em ações públicas desenvolvidas pela instituição.
Confiança
Conselhos profissionais administram recursos públicos, exercem poder de polícia administrativa e desempenham funções definidas em lei.
Essa responsabilidade exige equilíbrio, planejamento, responsabilidade fiscal e compromisso permanente com a sociedade.
Confiança institucional não nasce durante uma campanha. Ela é construída diariamente, por meio das decisões tomadas ao longo dos anos.
Depois
Nesta sexta-feira (3) terminam as campanhas. No sábado (4) começa a gestão. É quando desaparecem os slogans e permanecem as responsabilidades.
No fim das contas, expectativas pertencem ao futuro. Resultados pertencem à realidade.
E, em qualquer instituição pública, credibilidade continua sendo o patrimônio mais difícil de conquistar — e o mais fácil de perder.
ANUIDADES EM DEBATE
O debate sobre a redução das anuidades dos conselhos profissionais voltou ao cenário nacional. Na Câmara dos Deputados tramita o Projeto de Lei nº 2.188/2026, que propõe limitar o valor das cobranças. A matéria ainda está no início da tramitação legislativa, sem parecer das comissões temáticas, e não produz efeitos jurídicos. O tema reacende a discussão sobre o financiamento das atribuições legais exercidas pelos conselhos.
PROMESSA OU PLANEJAMENTO?
Especialistas em gestão pública e governança defendem que qualquer redução permanente de receitas deve ser acompanhada de estudos de impacto, projeções financeiras e alternativas que assegurem a manutenção da fiscalização, do atendimento, da inovação e das demais atribuições legais dos conselhos. Sem demonstrar, de forma objetiva, como esses serviços serão preservados, a promessa de reduzir anuidades permanece apenas no campo do discurso — uma expectativa sem comprovação técnica ou financeira.








