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Chegou depois e foi atendido primeiro? Entenda como funciona a classificação de risco

Protocolo de Manchester organiza o atendimento nas unidades de urgência e emergência de São José de acordo com a gravidade de cada caso, e não pela ordem de chegada

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Quem procura uma unidade de urgência ou emergência pode passar por uma situação que gera dúvida: chegar antes e ver outra pessoa, que chegou depois, ser chamada primeiro. Mas isso não significa que houve algum problema na fila. Nas unidades de saúde, o atendimento é organizado de acordo com a gravidade e o risco apresentado por cada paciente.

Em São José, a classificação de risco utiliza o Protocolo de Manchester, sistema que auxilia os profissionais a identificar, já na triagem, quais pacientes precisam de atendimento imediato e quais podem aguardar com segurança.

“A classificação de risco existe justamente para garantir que quem está em uma situação mais grave seja atendido primeiro. Às vezes, a pessoa chega depois, mas apresenta sinais que indicam um risco maior naquele momento. Então, ela precisa ter prioridade. Isso não significa que quem chegou antes deixou de ser importante ou não será atendido”, explica a secretária de Saúde, Sinara Simioni.

Cinco cores definem a prioridade

Durante a triagem, a equipe avalia os sinais e sintomas apresentados pelo paciente e define uma das cinco classificações do protocolo.

Vermelho – emergência: indica risco imediato à vida e exige atendimento imediato.

Laranja – muito urgente: representa uma situação grave que precisa de atendimento o mais rapidamente possível.

Amarelo – urgente: o paciente necessita de avaliação médica, mas apresenta condições clínicas que permitem aguardar com segurança.

Verde – pouco urgente: são casos de menor gravidade, que precisam de atendimento, mas podem aguardar.

Azul – não urgente: situações sem sinais de gravidade ou risco imediato. Nesses casos, conforme a avaliação, o paciente pode ser orientado a procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

A classificação não significa que os pacientes classificados como verde ou azul deixarão de ser atendidos. Ela serve para estabelecer prioridades de acordo com a necessidade clínica de cada pessoa.

Por que alguém que chegou depois passa na frente?

Essa é uma das situações que mais causa dúvidas para quem está aguardando atendimento.

Imagine que uma pessoa chega com um quadro de menor gravidade e recebe a classificação verde. Pouco depois, chega outro paciente com dor intensa no peito e alterações nos sinais vitais. Mesmo tendo chegado depois, esse segundo paciente terá prioridade porque apresenta maior risco.

“É importante entender que a porta de entrada da urgência não funciona como uma fila por ordem de chegada. A prioridade é clínica. A equipe avalia cada pessoa individualmente e, se chega alguém em uma condição mais grave, esse paciente precisa ser atendido primeiro. É uma forma de garantir segurança para todos”, explica Scheila Monteiro Evaristo, diretora de Atenção Primária de São José.

A situação do paciente também pode mudar enquanto ele aguarda. Se os sintomas piorarem ou surgirem novos sinais, é importante avisar imediatamente a equipe. Uma nova avaliação pode ser realizada e a classificação pode ser alterada.

Cada atendimento tem uma prioridade

A classificação de risco também ajuda a direcionar cada paciente para o serviço mais adequado. Nem toda situação que leva alguém a procurar uma unidade de urgência representa uma emergência.

As Unidades Básicas de Saúde são importantes para o acompanhamento de situações de menor gravidade e outras demandas que não exigem atendimento imediato. Já os serviços de urgência e emergência estão preparados para situações que precisam de avaliação rápida.

“A classificação de risco é uma ferramenta de cuidado. Ela organiza o atendimento para que o paciente que mais precisa naquele momento receba assistência primeiro. É uma questão de segurança e de cuidado com toda a população”, reforça Sinara.

Mais do que organizar uma fila, o protocolo permite que a equipe identifique rapidamente quem precisa de atendimento prioritário. Por isso, chegar primeiro não significa necessariamente ser atendido primeiro.

Em situações de emergência, como dor intensa no peito, falta de ar importante, perda de consciência, sinais de AVC, convulsões, sangramentos intensos ou traumas graves, a orientação é procurar atendimento imediatamente.

Para os casos de menor gravidade, a Unidade Básica de Saúde de referência pode ser o serviço mais adequado para avaliação e acompanhamento.

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