Dizer que nomes do PL como os senadores eleitos Carlos Bolsonaro e Carol De Toni ou o governador Jorginho Mello foram os grandes vencedores das eleições neste ano em Santa Catarina é chover no molhado. Enaltecer a impressionante marca de mais de meio milhão de votos conquistados por Júlia Zanatta para deputada federal toda a imprensa também já fez. Quero pontuar dois nomes que fora do poderoso PL, entendo que foram os destaques dessas eleições: o deputado estadual reeleito, Sérgio Guimarães (União Brasil) e o deputado federal eleito, Júlio Garcia (PSD).
A leitura de quem analisa política é de que a eleição deste ano foi marcada pela consolidação dos pólos, tanto de esquerda quanto de direita. E quanto mais extremista o político, maior foi o sucesso nas urnas. A disputa em Santa Catarina foi a mais nacionalizada que se tem lembrança. Quem pertence ao PL ou ao PT, em sua grande maioria, sobressaiu nas urnas. Já os políticos com posicionamento mais centrista, pertencentes a partidos de cima do muro em relação à disputa nacional, em sua maioria, saíram derrotados. Que o diga o projeto do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) e tantos outros nomes perfilados aos partidos da composição, como PSD, MDB e PP que ficaram pelo caminho sem atenção do grande eleitorado.
É importante fazer essa reflexão para deixar bem claro porque entendo que os projetos dos deputados estaduais Serginho e de Júlio se destacaram. Poucos projetos como os deles, que não se posicionaram fervorosamente em relação à disputa Nacional, tiveram sucesso. Se quem estava em cima do muro, caiu, ambos conseguiram expressivas votações focando em resultados e engenharias políticas que se mostraram de sucesso.
Júlio Garcia, por exemplo, foi o oitavo deputado federal mais votado com impressionantes 114.391 votos. Um sucesso de votação, ainda mais por pertencer ao PSD, do falido projeto ao governo de João Rodrigues. O resultado é furto de muita amarração política, um ponto forte da equipe de Júlio, liderada pelo seu braço direito, Carlos Eduardo de Souza Neves, o Mamute. Mas, o vitorioso projeto também tem muita entrega do próprio candidato. Em síntese, foi a vitória do trabalho!
Em 2027 Júlio assume como deputado federal e detentor do mais importante cargo eletivo do PSD em Santa Catarina. Obviamente também deverá herdar o comando partidário e a responsabilidade de traçar os próximos passos da sigla.
Sérgio Guimarães é um fenômeno
Já o resultado obtido nas urnas pelo deputado estadual Sérgio Guimarães (UB) é impressionante. Ele conseguiu a reeleição alcançando 87.761 votos, sendo o terceiro mais votado, ficando atrás apenas de duas políticas que representam os extremos e são alinhadas à nacionalização da eleição em SC: Luciane Carminatti (PT) que teve 124.590 votos e a campeã de votos para a Alesc, Ana Campagnolo (PL), com 387.523 votos.
Mas por que Serginho é um “case” mais interessante que Luciane e Ana? É simples: ele conseguiu sua votação sem fazer parte dos extremos da política nacional. Serginho teve sucesso ainda que pertencesse ao União Brasil, um partido que foi insignificante na disputa nacional e aqui no Estado esteve ao lado do fiasco do projeto João Rodrigues.
O segredo do sucesso de Serginho é um combo entre o uso intenso das redes sociais e a entrega de resultados durante todo o mandato. Comunicador, o parlamentar consegue transmitir muito bem suas ideias e narrativas. Usa muito bem as plataformas de redes sociais. As usa para estar próximo das demandas do eleitorado. Diferente de políticos extremistas que apostam no “nós contra eles” Serginho faz das suas redes uma prestação de contas. Um verdadeiro mural na defesa dos direitos do seu eleitorado.
Muito mais que usar as redes muito bem, Serginho é presente, é ativo. Ele stá sempre onde o problema acontece, especialmente em sua área de atuação, na Região Metropolitana de Florianópolis. O deputado compra a briga do seu eleitorado e vai até o fim na defesa dos interesses públicos. Serginho é um exemplo de como aliar um mandato atuante a representativo com a comunicação.
O resultado foi acachapante. Sérgio Guimarães foi o mais votado na sua principal base, que é Palhoça, com 27.100 votos; foi o segundo mais votado em Biguaçu (5.590 votos) só perdendo para o ex-prefeito Selmir da Silva que fez 5,832; foi muito bem votado em Florianópolis com 9.710 votos e explodiu como o mais votado em São José, com 20.324 votos. Há até quem o coloque como candidato natural a prefeito em São José depois dessa votação. Isso sem falar nos demais município da região, onde conquistou expressivas votações.
Os exemplos de Júlio Garcia e Sérgio Guimarães mostram que é possível sim sobreviver a nacionalização do debate político entre extrema-esquerda e extrema-direita. É possível, mas é preciso aliar entrega de resultados diretos ao eleitor com outras estratégias como foi o caso da engenharia política, feita por Júlio, e do uso da comunicação, com Sérgio Guimarães. A má notícia é que poucos como eles conseguiram sobreviver ao tsunami da polarização política. O País caminha à passos largos para o bipartidarismo.









