Mais de 40 mil brasileiros são diagnosticados, todos os anos, com câncer de cabeça e pescoço, um grupo de tumores que pode atingir regiões como boca, garganta, laringe, nariz, seios da face, glândulas salivares e tireoide. A campanha Julho Verde busca conscientizar a população sobre a importância da prevenção e, principalmente, do diagnóstico precoce, fator decisivo para aumentar as chances de sucesso no tratamento e reduzir as sequelas da doença.
Entre os principais sinais de alerta estão rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam e nódulos no pescoço que permanecem por mais de 15 dias. Para o cirurgião de cabeça e pescoço do Grupo Baía Sul, Dr. Acklei Viana, o maior desafio ainda é fazer com que as pessoas não normalizem esses sintomas. “Quando essas alterações persistem por mais de duas semanas, é importante procurar avaliação médica. Quanto mais cedo o diagnóstico é feito, maiores são as chances de cura e menores tendem a ser as sequelas do tratamento”, destaca.
Além da atenção aos sintomas, os exames de imagem desempenham papel essencial na identificação e no planejamento do tratamento da doença. O médico radiologista da Clínica Imagem, com subespecialização em cabeça e pescoço, Dr. Anderson Luiz Tacca, explica que essas tecnologias permitem visualizar alterações que não são percebidas durante o exame clínico.
“Os exames de imagem funcionam como uma verdadeira visão de raio-X da medicina. Eles permitem enxergar em profundidade estruturas que não são acessíveis apenas pela avaliação física, contribuindo para identificar tumores, definir sua extensão e orientar a melhor estratégia de tratamento”, afirma.
A tomografia computadorizada, a ressonância magnética e a ultrassonografia com Doppler estão entre os principais exames utilizados, cada um com indicações específicas. Em casos mais complexos, o PET-CT auxilia na investigação da disseminação da doença e na avaliação da resposta ao tratamento.
Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as possibilidades de tratamentos menos agressivos e com melhores resultados. O diagnóstico em fases iniciais pode reduzir a necessidade de terapias mais intensivas e aumentar significativamente as chances de cura.
Prevenção continua sendo a melhor estratégia
Grande parte dos casos de câncer de boca e garganta está associada a fatores de risco evitáveis. O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas seguem como os principais responsáveis, especialmente quando ocorrem de forma combinada. Outro fator que tem ganhado relevância é a infecção pelo HPV, especialmente nos tumores de orofaringe.
“A melhor forma de prevenção passa por evitar o cigarro e o consumo excessivo de álcool. Além disso, a vacinação contra o HPV representa uma importante ferramenta para reduzir o risco de desenvolver esse tipo de câncer”, destaca o Dr. Acklei.
Cirurgia robótica amplia possibilidades de tratamento
Outro avanço importante no tratamento dos tumores de cabeça e pescoço é a cirurgia robótica. A tecnologia permite acessar regiões de difícil alcance, como base da língua e amígdalas, por vias naturais, reduzindo a necessidade de grandes incisões.
Segundo o Dr. Acklei, a técnica proporciona menor trauma cirúrgico, recuperação mais rápida, menos dor no pós-operatório e preservação de estruturas importantes, contribuindo para uma melhor qualidade de vida após o tratamento.
“A cirurgia robótica revolucionou especialmente o tratamento dos tumores de orofaringe. Em muitos casos, conseguimos retirar o tumor com segurança oncológica por dentro da boca, evitando as sequelas das cirurgias abertas. Além disso, ela permite incisões menores, cicatrizes praticamente imperceptíveis e uma recuperação significativamente mais rápida”, explica.
A tecnologia também pode ser indicada para cirurgias da tireoide, glândulas salivares e lesões cervicais, oferecendo maior precisão e menor impacto funcional e estético para os pacientes.







