O Presídio Feminino de Florianópolis consolida mais uma etapa do projeto Meninas de Fibra, iniciativa que vem se destacando como uma importante ferramenta de qualificação profissional e transformação social dentro do sistema prisional. Voltado às mulheres privadas de liberdade, o projeto aposta na capacitação como caminho para promover autonomia financeira e ampliar as perspectivas de reintegração após o cumprimento da pena.
Nesta edição, as participantes já concluíram o curso de maquiagem, que integrou teoria e prática ao longo de 12 horas de formação. A qualificação teve como foco não apenas o desenvolvimento técnico, mas também a valorização da autoestima e da expressão individual, aspectos fundamentais no processo de reconstrução pessoal.
Dando continuidade às atividades, o projeto avança agora para a formação em manicure tradicional, ampliando o repertório de habilidades das internas em uma área que apresenta alta demanda no mercado de trabalho.
Segundo a diretora do presídio, Marina Pamplona, a iniciativa vai além da capacitação técnica e acompanha as participantes também no período pós-cumprimento de pena. “O projeto Meninas de Fibra, além de um curso profissionalizante na área da beleza, como manicure e maquiagem, oferece suporte para que elas possam continuar a desenvolver esse trabalho quando estiverem em liberdade. É uma oportunidade real de geração de renda”, destaca.
A responsável pelo projeto, Alessandra de Lima, ressalta que a proposta é oferecer uma formação completa, que una teoria, prática e desenvolvimento pessoal. “A gente começa com a parte teórica e depois avança para a prática, justamente para formar uma profissional completa. Não é apenas um curso básico, a ideia é que elas saiam daqui com conhecimento técnico, sabendo se posicionar no mercado e transmitindo credibilidade no que fazem”, explica.
Ela também enfatiza que o projeto busca trabalhar aspectos essenciais além da técnica. “Mais do que ensinar a fazer uma unha perfeita, a gente trabalha a autoestima e a autoconfiança. Nós mulheres precisamos, primeiro, acreditar que somos capazes, e todas são”, completa.
Mais do que ensinar técnicas, o Meninas de Fibra incorpora conteúdos voltados à postura profissional, atendimento ao público e noções de empreendedorismo. A proposta é preparar as participantes para além do ambiente prisional, oferecendo ferramentas que possibilitem não apenas o ingresso no mercado, mas também a construção de trajetórias independentes e sustentáveis.
A iniciativa também prevê a ampliação do portfólio de cursos na área da estética, com novas formações já em fase de organização. A diversificação das capacitações reforça o compromisso com a oferta contínua de oportunidades, acompanhando as tendências do setor e ampliando as chances de empregabilidade das internas.
O projeto evidencia o papel estratégico da educação e do trabalho como pilares fundamentais no processo de reintegração social. Ao investir na qualificação profissional, o Presídio Feminino de Florianópolis fortalece políticas públicas que promovem dignidade, reduzem a reincidência e contribuem para a construção de novas histórias fora do sistema prisional.
Mais do que um curso, o Meninas de Fibra representa uma oportunidade concreta de recomeço, baseada no conhecimento, na autonomia e na construção de um futuro diferente.





