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Centro Cultural Veras se une à RAPS de Florianópolis e oferece atividades artísticas

Em parceria com três CAPS de Florianópolis, centro cultural do Córrego Grande realiza mais de 35 horas de atividades artísticas com usuários de serviços de saúde mental

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A partir de julho, o Centro Cultural Veras, localizado no Córrego Grande, passa a receber grupos de usuários de três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Florianópolis para uma série de encontros que articulam arte, cidade e cuidado em saúde mental. O projeto CAPS no Veras integra a agenda de acessibilidade do Centro de Formação em Artes e Ofícios, iniciativa em curso desde maio de 2025. As atividades terão início no dia 8 de julho.

Participarão da iniciativa usuários do CAPS II – Ponta do Coral, do CAPS AD Ilha – Álcool e Drogas e do CAPSi, unidade voltada ao público infanto-juvenil. Ao longo de julho, cada grupo terá encontros semanais, durante quatro semanas, totalizando mais de 35 horas de atividades entre ateliês e visitas mediadas ao espaço cultural.

A proposta reúne profissionais da saúde, artistas-professores, usuários dos serviços e a equipe do centro cultural. As atividades envolvem linguagens como fotografia, vídeodança, teatro e desenho, conduzidas por cinco artistas-professores: Soninha Vill e Letícia Ichnaz (fotografia e vídeo), Mel Coelho e Thuanny Paes (teatro e dança) e Gabriel Villas (percepção do tempo e do espaço por meio do desenho). Os encontros acontecem sob a coordenação de Marcelo Fialho, psiquiatra da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis.

“Essa programação não parte da ideia de ‘levar cultura’ a quem supostamente não a teria. Porque esse gesto, ainda que bem-intencionado, carrega a armadilha de transformar o outro em destinatário passivo de uma ação generosa. O que se propõe aqui é diferente. Trata-se de reconhecer que os usuários dos CAPS são sujeitos de experiência, criação e produção de sentido, e que a arte é campo de encontro”, afirma o psiquiatra.

Um aspecto central do projeto é que a experiência artística começa antes mesmo da chegada ao Veras. O trajeto de ônibus entre cada CAPS e o centro cultural é incorporado como parte do processo: a cidade vista pela janela, os fragmentos de rua e as trocas no caminho tornam-se matéria sensível das propostas. O motorista do transporte também é convidado a integrar o projeto, sendo incluído nos momentos de abertura, escuta e fechamento de cada ciclo.

Arte e saúde mental

A relação entre arte e saúde mental no Brasil segue uma trajetória marcada por experiências pioneiras. A partir do início do século XX, psiquiatras brasileiros como Osório César e Nise da Silveira passaram a reconhecer as produções plásticas, musicais e literárias de internos de instituições psiquiátricas como manifestações simbólicas, estéticas e existenciais que extrapolavam a mera identificação de sintomas a serem interpretados pela clínica. A partir da década de 1980, com o avanço do processo da Reforma Psiquiátrica Brasileira, as relações entre artes e saúde mental ganharam novos contornos. A crítica ao modelo manicomial deslocou o cuidado do hospital psiquiátrico para o território, para a cidade, para a vida cotidiana. Os CAPS passaram a ocupar um papel estratégico nesse processo, como serviços comunitários voltados ao cuidado intensivo, à construção de vínculos, à inclusão social e à sustentação de projetos de vida fora da lógica asilar.

Partindo desse histórico, o projeto CAPS no Veras busca desinstitucionalizar o cuidado por meio do encontro, da convivência e da experimentação, reconhecendo os usuários do CAPS como sujeitos ativos de criação e produção de sentido.

O projeto Centro de Formação em Artes e Ofícios é patrocinado pelo Programa de Incentivo à Cultura do Governo do Estado de Santa Catarina (PIC). A realização é do Centro Cultural Veras, com incentivo da Rede Bistek e da Buschle & Lepper; e apoio de Clemar Engenharia, Instituto Pedra Branca, Olsen S.A. e TelTec Solutions.

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