O Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, promove ao longo do mês a campanha Julho Verde, movimento nacional de conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento do câncer de cabeça e pescoço. A iniciativa ganha ainda mais relevância diante das estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que apontam que Santa Catarina poderá registrar mais de 2.300 novos casos dos principais tumores que acometem essa região do corpo em 2026, reforçando a necessidade de ampliar a conscientização da população sobre os fatores de risco e os sinais iniciais da doença.
O câncer de cabeça e pescoço compreende um grupo de tumores que pode atingir estruturas como boca, lábios, língua, garganta (faringe e laringe), tireoide, glândulas salivares, pele da face e do pescoço, cavidade nasal, seios da face, nasofaringe e base do crânio. Quando identificado precocemente, apresenta maiores chances de cura e tratamentos menos agressivos.
Referência estadual em oncologia, o CEPON realizou 2.554 consultas médicas, atendeu 1.945 pacientes únicos e realizou 388 cirurgias na especialidade. Até junho de 2026, já haviam sido contabilizadas 1.039 consultas, 644 pacientes atendidos e 161 cirurgias, números que demonstram a elevada demanda por atendimento especializado. Segundo o diretor-geral do CEPON e cirurgião de cabeça e pescoço, Dr. Alvin Laemmel, grande parte desses tumores está relacionada a fatores de risco que podem ser evitados.
“O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas continuam sendo os principais fatores de risco para os cânceres de cabeça e pescoço. Os produtos derivados do tabaco aumentam significativamente a chance de desenvolver a doença, e os cigarros eletrônicos também estão associados ao surgimento desses tumores. Outro fator importante é a infecção pelo HPV, principalmente nos casos de câncer de orofaringe e de cavidade oral. A vacinação contra o HPV, aliada ao uso de preservativo nas relações sexuais, representa uma importante estratégia de prevenção. Além disso, o vírus Epstein-Barr (EBV) está relacionado ao câncer de nasofaringe. Por isso, investir em prevenção significa adotar hábitos saudáveis, evitar o tabaco e o álcool e manter os cuidados com a saúde”, destaca.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, os sintomas variam conforme o local do tumor. O câncer de boca pode causar dor e feridas que não cicatrizam. Já o câncer de laringe costuma provocar rouquidão persistente logo nas fases iniciais. Nos tumores de faringe, aproximadamente 40% dos pacientes apresentam como primeiro sinal um nódulo no pescoço, muitas vezes sem outros sintomas associados.
“É fundamental que a população conheça esses sinais. Uma ferida na boca que não cicatriza, rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou um caroço no pescoço nunca devem ser ignorados. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de cura e menores os impactos do tratamento”, reforça Dr. Alvin.
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam, dor persistente na cavidade oral, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, dificuldade para mastigar ou engolir, rouquidão por mais de duas semanas, alterações na voz, dor de garganta persistente, nódulos no pescoço, dores de ouvido, sangramentos nasais e dificuldade para respirar. A recomendação é procurar avaliação médica sempre que esses sintomas persistirem por mais de duas semanas.
As atividades da campanha Julho Verde estarão presentes no IV Congresso do CEPON, que será realizado nos dias 17 e 18 de julho, em Florianópolis. Com o tema “Desafios da Oncologia: rumo à próxima fronteira científica”, o evento reunirá especialistas, pesquisadores e profissionais da saúde para discutir os avanços da oncologia, inovação tecnológica e as perspectivas para o tratamento do câncer.
Mais informações sobre o IV Congresso do CEPON estão disponíveis em www.congressodocepon.com.br.








