Hoje é sábado, 24 de fevereiro de 2024
Coluna da UNIMED
Coluna da AMPE
Coluna do Adriano
Publicações Legais
spot_img
InícioColuna do EditorAssassinato de estudante gera indignação; vereadores pedem a cabeça do coronel Araújo...

Assassinato de estudante gera indignação; vereadores pedem a cabeça do coronel Araújo Gomes e outras notas

Caso do aluno assassinado por morador de rua com facada no Largo da Alfândega gera indignação; vereadores repercutem e cobram secretário de Segurança Pública, Araújo Gomes; greve da Comcap ajuda ampliar terceirização e os reflexos da aliança PSD e Novo

Publicidadespot_img

Assassinato de estudante gera indignação

A morte do estudante do 3º ano do ensino médio do Instituto Estadual de Educação (IEE), Talles Arneiro Neves, 17 anos, gerou indignação em Florianópolis nesta semana. Mais pela forma como seu deu: assassinado por um golpe de faca desferido por um morador de rua em pleno Largo da Alfândega, após as aulas que frequentava.

Neves foi atingido no peito, após desentendimento com o morador de rua. Segundo testemunhas, ele defendeu uma colega, que teria sido assediada pelo morador de rua.  Após o crime o autor do crime foi localizado pela Polícia Civil andando na região da Avenida Hercílio Luz, local onde foi abordado e detido ainda na posse das mesmas vestes e com a faca, suposta arma do crime.

O autor da morte do adolescente resistiu à prisão, sendo necessário o uso de algemas para a condução do mesmo até a central de flagrantes da Capital.

Prefeito prega mais rigor e fim das esmolas

O crime chocou porque envolveu um menor de idade, que acabara de sair do seu local de estudos. Mas, também gerou indignação porque o autor é um morador de rua que é assistido na Passarela da Cidadania, ganha três refeições ao dia e lugar para morar.

O prefeito Topázio Neto (PSD) se manifestou através das redes sociais.  Basicamente ele reafirmou que a prefeitura deve atuar com mais rigor para controlar os moradores em situação de rua e criticou quem se posiciona contrário a ações como remoção de barracas na rua e até contra a identificação desse público através de reconhecimento facial. “Já foram identificados mais de 50 com mandados de prisão em aberto”, justificou.

O prefeito ainda foi firme na sua posição sobre o tema. “Quem quiser uma chance e abrigo terá, mas importunar as pessoas na rua e armar barracas não”, comentou.  Topázio também desestimulou as esmolas. “A triste morte ocorrida ontem é um sinal de alerta sobre a necessidade de continuarmos com trabalho de abordagem de rua e evitarmos a esmola”, finalizou.

Prefeito Topázio Neto se manifestou pelas redes sociais

“Vagabundo”

Na Câmara de Vereadores o ato foi repudiado pelos vereadores, especialmente os de direita. O vereador Marquinhos da Silva (PSC) lembrou que o jovem foi morto por tentar ajudar uma colega de classe, após a aula e atacou os moradores em situação de rua. “São vagabundos que estão tomando conta de nossa cidade, muitos são bandidos”, disse. Ele também criticou o fato de o autor do crime ser assistido pela prefeitura. “Um marginal bêbado que é sustentado por nós. Ele recebe alimentação com café da manhã, almoço e jantar e dorme lá na Passarela”, disse. “Muitos desses ficam tomando cachaça, usando droga, crack e fazendo pequenos furtos, furtando fios”, acrescentou.

O vereador João do Bericó (União Brasil) também se mostrou revoltado.  “Vagabundo, tomara que apodreça na cadeia”, disse sobre o autor do crime e generalizou sobre os moradores de rua. “Vagabundos vão para a sinaleira e ganham dinheiro para maconha e para a cachaça. Tem que rever isso… ganhar café, almoço e janta sem trabalhar… tá fácil pra eles”, colocou.

O vereador do PSOL, Professor Pedro Cabral, discordou da forma como alguns vereadores estão tratando o tema e generalizado ao atacar a população de rua, como se todos fossem bandidos. Ele também defendeu mais estrutura para tratamento desse pessoal. Ele apelou aos vereadores para que quando aportarem projetos para contratação de psicólogos e assistentes sociais, que os vereadores aprovem, pois muitos precisam de tratamento.

O vereador Diácono Ricardo (PSD) frisou a importância do uso de câmera de reconhecimento facial e de internação involuntária para “tirar o joio do trigo” e ver quem está envolvido com tráfico de drogas e quem é dependente químico.  O vereador ainda citou o trabalho realizado em Chapecó. “Lá tem um ônibus que passa e recolhe o morador de rua e leva para ser internado. Muitos nem tem neurônios mais por causa das drogas”, disse. O vereador ainda ponderou que é preciso “esquecer bandeira partidária e olhar o problema com olhar humano”.

Já o vereador Roberto Katumi (PSD) criticou que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a internação compulsória de moradores de rua e dependentes químicos. “De nada adianta termos psicólogos e assistentes sociais se a maioria dessas pessoas não quer tratamento”, frisou. “Na rua tem o doente; tem aquele que não tem onde morar e tem aquele que é bem de vida mas realmente quer morar na rua. “Eles deveriam ter um tratamento diferente, para poderem voltar a ter uma vida real”, completa.

Coronel Araujo Gomes é alvo

O caso do assassinato do aluno no centro da Capital foi o estopim para uma avalanche de fortes críticas ao desempenho do secretário Municipal de Segurança Pública, coronel Araújo Gomes. A cabeça do secretário está à prêmio se depender dos vereadores.

Quem puxa as críticas é a vereadora Maryanne Mattos (PL) que é concursada da Guarda Municipal da Capital e admitiu que o órgão precisa de mais efetivo, mas cobrou falta de abertura de diálogo por que o secretário “não nos atende e não respeita essa Casa”.

Ela ainda citou que falta efetivo na GMF porque “muitos estão afastados de suas funções, em cargos administrativos e fora do operacional a pedido e com aval do Araújo Gomes”.

Sua fala serviu para responder o vereador Maycon Costa (PL) que cobrou mais efetivo para a GMF. “Floripa leva mais de 30% do efetivo da guarda municipal para dentro de repartições públicas, mas deveriam estar cumprindo suas funções nos espaços públicos como praças e ruas”, disse o vereador. “Esses policiais deveriam estar guarnecendo a cidade. Estão dentro de repartições públicas apadrinhados por vereadores e políticos”, disse, salientando que não se refere aos agentes que usam farda azul marinho, e estão exercendo suas funções, mas sim aqueles que estão em outros cargos e outras funções.

As cobranças foram corroboradas pelo vereador João do Bericó. “O recado foi dado, o recado foi ao coronel Araújo. Se precisar desenhar a gente desenha.  Sandalinha da humildade, baixa o nariz, olho no olho e vamos trabalhar, aqui ninguém é melhor que ninguém”, disse.

Vereadora Maryanne Mattos: críticas pesadas contra o secretário de Segurança

Até o líder do Governo

O que chamou a atenção é o fato de as críticas ao secretário Araújo Gomes terem vindo de vereadores da base do governo. Mais ainda quando o líder do Governo, Renato Geske (PSDB) aderiu ao coro. “Nós recentemente tivemos na Praça da Alfândega o Coronel Araújo proibindo skate. Mas no dia que é para estar ali cuidando o coronel Araújo não está”, atirou o líder do Governo. O vereador ainda lembrou que quando trouxe na Casa a questão das funerárias, “o coronel Araújo deu de ombros, com respostas evasivas, ofícios e respostas sem o menor sentido”.

O vereador lembrou da polêmica envolvendo a Operação Fio Desencapado, no primeiro semestre, quando dezenas de famílias que trabalham com reciclagem tiveram seus estabelecimentos fechados pela ação em uma medida, segundo o vereador, desequilibrada. Ele criticou que a questão tinha sido acordada para uma solução com a palavra do prefeito e o secretário de Segurança passou por cima da decisão.

“A incapacidade do nosso secretário de segurança desta cidade está posta nesta tarde de hoje, porque no mínimo ele tem que ter um trabalho de inteligência com guardas municipais colocados em vários pontos da cidade e isso não existe”, disse o vereador.

Após a deixa do Líder do Prefeito, a vereadora Maryanne retornou ao assunto. “Já em outras oportunidades eu vim aqui criticar as atitudes, a arrogância e a prepotência desse Araújo Gomes. Quando fui comandante da Guarda ele era arqui-inimigo da Guarda Municipal. Ele não gostava da Guarda. E ele fazia questão de deixar isso claro e humilhar e o que eu recebo dos guardas é que ele continua humilhando”, disse. “Ele se faz do bonzão, do cara experiente, se faz daquele que entende tudo, mas está aí, onde tem que estar não está, o que tem que fazer não faz. Mas, se alguém aparecer na mídia ele briga porque quem tinha que aparecer era ele”, disse.

Secretário Araújo Gomes

O outro lado

Este colunista entrou em contato com o coronel Araújo Gomes para ouvir sua versão sobre as críticas e até o fechamento dessa edição, não recebeu suas ponderações.

E a Polícia Militar?

O detalhe foi o silêncio dos vereadores em relação a Polícia Militar. Nenhum vereador cobrou daquela que é realmente a principal responsável pelo policiamento ostensivo nas cidades. As guardas municipais auxiliam, mas quem tem pro atribuição fazer a proteção das pessoas é a PM.

COLUNA DO WHATSAPP – Quem quiser receber esse conteúdo no whatsapp, é só clicar e ingressar no grupo: https://chat.whatsapp.com/H2w34yUIK4F7SVYj69cyZ9

Falta de atendimento

A vereadora Carla Ayres (PT) repercute o péssimo atendimento oferecido à população na Unidade Básica de Saúde do bairro Pantanal. Ela repercutiu um protesto da população realizado nesta terça-feira (7). Segundo ela, está acontecendo um desmonte das equipes de saúde de família e escassez de serviços de demais profissionais.

Ela também citou o caso de contratos de dois médicos que atuavam naquela região e que não foram renovados, bem como de outros profissionais como um técnico administrativo, de uma estagiária de enfermagem e de uma técnica de enfermagem. “A comunidade pena quando a saúde pública não recebe a atenção. É um ataque à saúde pública no básico, na saúde da família, onde se vai procurar o básico para o cidadão”, disse.

Vereadora Carla Ayres

PSD e Novo

PSD e Novo fecharam questão em torno do apoio à reeleição do prefeito Adriano Silva (Novo), em Joinville. Mas, o acordo é muito mais amplo que o simples apoio do PSD ao projeto de Adriano. Estão bem adiantadas as conversas também para o PSD apoiar (indicando o vice) o projeto de Odair Tramontini (Novo) na disputa por Blumenau. A expectativa é que a contrapartida venha com o Novo apoiando os projetos de reeleição em Florianópolis, com Topázio Neto e em São José, com Orvino Coelho de Ávila.

E agora?

A pergunta que não quer calar é: como fica o ex-deputado Bruno Souza que está se colocando como pré-candidato a prefeito de São José pelo Novo? Pelo visto não combinou com os russos.

PSD mira 2026

A costura entre Novo e PSD é muito mais ampla e vai além 2024. Chega em 2026. Parece ser o cerne de um projeto para a disputa do Governo do Estado. Se o PSD leu bem a eleição passada entendeu que o Estado é majoritariamente de eleitores conservadores e de direita, alinhados ao bolsonarismo. Pois bem, nessa cancha eles dispõem do camisa 10, que é o prefeito de Chapecó, João Rodrigues. Reeleito ano que vem, ele estará pronto para disputar com Jorginho Mello em 26. Será a eleição de quem é mais bolsonarista. Se essa aliança do Novo prosperar, já estou até imaginando a chapa, João e Adriano, uma chapa de dois prefeitos (Chapecó e Joinville), ambos de direita. Jorginho que coloque as barbas de molho.

Terceirização avança

Prefeito Topázio Neto (PSD) anunciou nesta quinta (9) que uma empresa privada está iniciando a coleta de lixo no Centro da Capital. A greve, considerada ilegal pela Justiça, dá carta branca para o prefeito avançar nas terceirizações.

O processo foi iniciado pelo ex-prefeito Gean Loureiro (UB), justamente em uma greve da Comcap. À época ele entregou o Norte da Ilha e o Continente para empresas privadas. Inicialmente, até as empresas compreenderem as logísticas, houve muitas reclamações. Hoje, quase nenhuma. Funciona redondinho.

Agora, nessa greve, o debate está à mesa. Quem mora no Norte ou Continente sente em nada os impactos com a greve. Já quem mora em outras regiões está sofrendo. Essas pessoas se conversam. Cresce o apoio ao prefeito para terceirizar ainda mais. Recorrer a greves quase que periódicas enfraqueceu o movimento perante a opinião pública e acelerou o desmonte da Comcap.

COLUNA DO WHATSAPP – Quem quiser receber esse conteúdo no whatsapp, é só clicar e ingressar no grupo: https://chat.whatsapp.com/H2w34yUIK4F7SVYj69cyZ9

ARTIGOS RELACIONADOS
Publicidadespot_img
Publicidadespot_img
Publicidadespot_img

Últimas do Informe Floripa