As quedas e acidentes domésticos representam uma das maiores ameaças à saúde e à longevidade da população idosa. No entanto, o que muitas famílias não correlacionam é que uma das causas por trás do desequilíbrio e das fraturas na terceira idade pode estar nos olhos.
Um estudo publicado pelo Journal of the American Geriatrics Society, em março de 2025, revelou que a cirurgia de extração de catarata em idosos está diretamente associada à redução significativa de quedas, fraturas graves de fêmur e quadril, e até mesmo hemorragias intracranianas provocadas por traumas corporais.
O médico oftalmologista Ernani Garcia, diretor técnico do Hospital de Olhos de Florianópolis (HOF), explica que a perda visual provocada pela catarata acontece de forma lenta e progressiva, fazendo com que o idoso não perceba o quanto sua segurança está comprometida. “A catarata embaça a visão e faz com que o idoso perca a noção de profundidade e o contraste de degraus, tapetes ou meio-fios. O estudo traduz em dados o que vivenciamos no consultório todos os dias: ao operar a catarata, não estamos apenas devolvendo a clareza para ler ou assistir à televisão, mas sim salvando esse idoso de um acidente grave que poderia retirar sua autonomia ou até ser fatal”, ressalta Ernani.
A cegueira reversível que devolve a independência
Considerada uma evolução natural do envelhecimento, a catarata é a opacificação do cristalino – a lente natural do olho. Por se tratar de uma doença silenciosa, muitos parentes associam o isolamento e o caminhar hesitante do idoso ao envelhecimento normal, quando na verdade trata-se de um quadro totalmente reversível.
Atualmente, a cirurgia de catarata é rápida, segura e minimamente invasiva. No procedimento, o cristalino opaco é removido e substituído por uma lente intraocular transparente, devolvendo a nitidez visual de forma imediata ou em poucos dias. “O diagnóstico precoce altera radicalmente a trajetória de vida do idoso. Quando operado no momento certo, ele recupera a firmeza ao caminhar, a autoconfiança e a independência para realizar suas tarefas diárias sem depender do auxílio constante de terceiros. Reforçar que a catarata pode ser tratada e que a perda visual causada pela doença pode ser revertida é também um dos objetivos do Agosto Cinza, campanha que amplia o debate sobre a importância do diagnóstico e do tratamento”, conclui o diretor técnico do HOF.
Tecnologia de referência internacional
Florianópolis se equipara aos centros mais avançados do mundo ao oferecer tecnologia de última geração para a cirurgia de catarata. O HOF foi o primeiro em Santa Catarina a utilizar o sistema Ngenuity, um equipamento de visualização digital 3D que projeta imagens tridimensionais em alta definição em um grande monitor, permitindo maior precisão e segurança.
Para o Dr. Ernani, a inovação marca um avanço importante na oftalmologia catarinense: “A visão ampliada e detalhada do olho durante a cirurgia nos permite fazer ajustes finos e personalizados, reduzindo riscos e melhorando os resultados. É uma tecnologia que coloca nossos pacientes no mesmo patamar dos maiores centros internacionais”.
Principais sinais de alerta para a catarata:
- Visão embaçada, borrada ou com sensação de névoa;
- Dificuldade para identificar degraus, calçadas e obstáculos;
- Sensibilidade excessiva à luz ou clarões (ofuscamento);
- Percepção de cores ‘desbotadas’ ou amareladas; e
- Dificuldade crescente para enxergar à noite.







