O Índice de Custo de Vida (ICV) de Florianópolis registrou alta de 0,35% em agosto, segundo levantamento realizado pelo Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). O resultado contrasta com o comportamento observado nas demais capitais brasileiras pesquisadas pelo ICV. Todas registraram deflação no mês.
Brasília (DF), por exemplo, apresentou deflação de 0,02% em agosto, assim como São Paulo (SP), com 0,22% e Belém (PA), com 0,35% de redução nos preços ao consumidor. São Luis (MA) teve o maior recuo (-0,60%).
Com o resultado de agosto, Florianópolis lidera a inflação acumulada em 2026 frente às demais capitais pesquisadas, com 4,40%, seguida de Fortaleza (CE), com 3,93%, e São Luis (MA), com 3,87%. Nos últimos 12 meses, o acumulado é de 5,18%. Em julho, Florianópolis havia registrado alta de 0,10%, enquanto o índice nacional havia apresentado variação positiva de 0,07%.
A pesquisa do ICV acompanha mensalmente os preços de 297 bens e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos em Florianópolis. Em agosto, 124 itens pesquisados tiveram aumento de preço, 96 permaneceram estáveis e 77 apresentaram redução.
Energia elétrica e alimentação influenciam resultado
O principal fator que diferenciou Florianópolis das demais capitais no mês foi o aumento dos preços no grupo Habitação, que registrou alta de 0,95%. Dentro desse grupo, a energia elétrica residencial teve aumento de 9,26%, em razão do reajuste anual das tarifas realizado em agosto.
O impacto da energia elétrica foi especialmente relevante para o resultado do ICV da capital catarinense, contribuindo para que Florianópolis registrasse inflação no mês mesmo diante de um cenário de deflação nas demais capitais acompanhadas pelo levantamento.
O grupo Alimentação e Bebidas também impactou na alta da inflação no mês de agosto, com aumento de 0,60%. Entre os produtos que mais ficaram mais caros para o consumidor, destacam-se o tomate, com alta de 30,32% e a maçã (21,07%). Por outro lado, foi registrada queda significativa no preço da batata inglesa (-12,06%), do mamão (-16,07%) e do morango (-14,12%).
Também houve leve redução nos preços os ovos de galinha vermelhos (-4,33%) e do achocolatado em pó (-5,37%).
Florianópolis se distancia do comportamento nacional
O resultado de agosto marca uma mudança em relação ao cenário observado em julho. Naquele mês, a inflação de Florianópolis, de 0,10%, havia ficado próxima da média nacional, de 0,07%. A capital catarinense também figurava entre as capitais com maiores altas no mês.
Em agosto, entretanto, o levantamento mostra um cenário distinto: enquanto Florianópolis apresentou alta de 0,35%, todas as demais capitais pesquisadas registraram variações negativas. Entre os maiores recuos estão São Luís (-0,60%), Salvador (-0,59%), Recife (-0,53%), Rio de Janeiro (-0,42%) e Curitiba (-0,64%).
No Brasil, a variação registrada foi de -0,32%. São Paulo apresentou queda de 0,22%, enquanto Porto Alegre teve deflação de 0,27%.
Sobre o ICV
Calculado desde 1968 pela Udesc Esag, o Índice de Custo de Vida (ICV) acompanha mensalmente a variação dos preços de bens e serviços consumidos pelas famílias de Florianópolis, abrangendo produtos e serviços de diferentes grupos, como alimentação, habitação, transporte, saúde, vestuário, educação e despesas pessoais.
O levantamento utiliza a mesma metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que permite a comparação dos resultados locais com os indicadores nacionais.
A pesquisa é coordenada pelo administrador Hercílio Fernandes Neto, com apoio da economista da Fundação Esag (Fesag) Bruna Soto. O ICV da Udesc Esag é realizado com apoio da Fundação Esag.









