Mais uma vez São José sai de uma eleição geral sem conseguir eleger um representante tanto na Alesc, quando na Câmara dos Deputados. A falta de união do atual grupo político que governa a cidade contribuiu muito para isso. E, é justamente essa falta de união refletida nas urnas que sinaliza para a dificuldade que o consórcio Orvino/Michel terá para se manter no poder em 2028, nas eleições municipais.
Candidato a deputado estadual, Michel da Silva Schlemper (PL) conquistou apenas 6.805 votos no município e um total de 17.796 em todo o Estado. Um resultado muito aquém do que se projetava. Ainda mais por ocupar a vice-prefeitura e ter a estrutura pública municipal ao seu lado. Mas, foi justamente essa estrutura que não entregou votos. Claramente os detentores da administração municipal pulverizaram seus votos em outras candidaturas. Sem falar que Michel tentou fazer parte de um clubinho que não lhe reconhece: o bolsonarismo.
É dentro desse cenário que novas lideranças crescem. O exemplo mais claro é do vereador Cryslan de Moraes, do Novo, disparado um dos principais personagens da eleição josefense. Candidato a deputado estadual, fez no município 9.471 votos de um total geral de 18.045 ficando na suplência do partido. Sai muito credenciado para disputar a prefeitura em 2028, caso assim o partido entenda.
Quem também saiu bem na fotografia das urnas foi o vereador Vini Protetor de Animais (MDB). Teve um desempenho até melhor que o vice-prefeito Michel – antigo correligionário – em que pese estar disputando outro cargo, o de deputado federal. De qualquer forma fez com que 8.968 josefense digitassem seu número, de um total de 22.893 em todo o Estado.
Outros postulantes também fizeram suas partes nas urnas e podem até sonhar em participar da majoritária em 2028. É o caso do vereador André Guesser (PDT) que representou o campo de esquerda como candidato a deputado estadual e teve 4.522 votos no município, dos 7.377 que teve no total, além de Vera Pinheiro. Pelo Republicanos ela obteve 2.345 votos para deputada estadual em São José e um total de 22.075 em todo o Estado, num projeto alavancado pelo aspecto religioso.
Óbvio que além desses nomes que disputaram a recente eleição, o pleito em São José terá outras lideranças com potencial de mudar os rumos da disputa, como é o caso do presidente da Câmara, Matson Cé (PSD) ou o Secretário Executivo de Operações de Mobilidade de Florianópolis, Moacir da Silva (Podemos). Ainda soma-se a esse cenário aberto o fato de que 2028 deverá ser a primeira eleição com segundo turno do município. Em resumo, os ventos da mudança sopram sobre a São José da Terra Firme.
Endereço burocrático
Afirmei na análise acima que São José não elegeu ninguém na eleição passada. Antes que venham tentar me corrigir de que o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL) é de São José, lembro que seu domicílio eleitoral no município não passa de um detalhe meramente protocolar. Carlos vive no Rio de Janeiro e com mandato deverá fazer o eixo RJ-Brasília e uma ou outra vez passar por SC.

Equilíbrio em Palhoça
Se em São José a base situacionista perde força com vistas à eleição municipal, em Palhoça o cenário é diferente. Há calcificado um equilibro de forças entre os deputados estaduais Sérgio Guimarães (União Brasil) e Camilo Martins (PL). Ambos foram reeleitos com expressivas votações dos palhocenses e nas suas mesas serão desenhadas as estratégias que definirão a sucessão de Eduardo Freccia (PL) na prefeitura. Considerando a votação do último domingo (4), Sérginho goleou Camilo: anotou 27.100 votos contra 20.068 do concorrente. Mas, a eleição municipal é bem diferente e tudo está em aberto.

Fiscalização em alta
O CREA-SC realizou mais de 60 mil fiscalizações de janeiro a setembro de 2026, aumento de 10,94% sobre o mesmo período do ano passado. É o que aponta o Relatório Estatístico de Setembro de 2026 do CREA-SC. Elaborado pela Assessoria de Planejamento e Gestão, o documento reúne dados sobre responsabilidade técnica, profissionais, empresas e fiscalizações, com comparativos dos últimos três anos. Na Agronomia, as fiscalizações cresceram 42,79%; na área Florestal, mais que dobraram. O Conselho também chegou a 27 mil empresas com registro ativo, avanço de 11,71% em relação a setembro de 2025. Os números reforçam a importância da fiscalização em atividades que envolvem a segurança da população. “Obra e serviço precisam ter profissional habilitado. É a segurança das pessoas que está em jogo”, afirma Kita Xavier, presidente do CREA-SC.
“Foda-se” na tribuna
Na sessão da Câmara de Florianópolis de terça-feira (6), o vereador Leonel Camasão (PSOL) disse “foda-se” ao microfone oficial da Câmara Municipal, e quebrou o decoro parlamentar. A Casa discutia o projeto que cede um imóvel público ao Corpo de Bombeiros para instalar a nova sede da corporação no Norte da Ilha.
O vereador João Padilha (PL) imediatamente protocolou denúncia por quebra de decoro parlamentar. O Código de Ética da Câmara proíbe expressamente o uso de palavras de baixo calão na atividade parlamentar. A denúncia pede a sanção prevista em lei para esse caso: advertência pública e escrita.
A cena foi transmitida ao vivo pela TV Câmara, com o nome do vereador na tela, em 1h38min13s da sessão.









