InícioGERALO Bando: coletivo de bandas de Florianópolis revoluciona cena da capital

O Bando: coletivo de bandas de Florianópolis revoluciona cena da capital

Formado por 26 bandas e quase 100 músicos, a ideia é democratizar e diversificar o acesso a oportunidades na música

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Cansados de batalhar sozinhos por um lugar ao sol, músicos de Florianópolis se reuniram para alçar novos vôos juntos no coletivo O Bando que, em menos de seis meses, já reúne 26 bandas com quase 100 músicos. Realizando shows, incentivando a profissionalização da cena autoral, trocando conhecimentos sobre editais e oportunidades, a ideia do coletivo é somar enquanto incentiva a diversidade de vozes. Tendo iniciado após a constatação da falta de apoio que os artistas manezinhos recebem, recorrendo ao velho clichê, a união fez a força.

A história começa a partir de uma matéria no site independente UnderFloripa, que realiza a cobertura da cena catarinense, em que se falava sobre a repetição dos artistas nos lineups dos eventos. O texto iniciou um movimento de inquietação em muitas bandas, como o UmQuarto que, com três discos lançados, turnês fora do estado, apresentações lotando espaços em Florianópolis, como o TAC – Teatro Álvaro de Carvalho, ainda sofrem com o silenciamento.

“Temos todo o material necessário para apresentar o nosso trabalho: release, material para imprensa, rider organizado, fotos profissionais, músicas lançadas e uma trajetória construída ao longo dos anos. Ainda assim, muitas vezes sentimos que ficamos de fora de eventos importantes da própria cidade. E isso me faz pensar. ‘o que mais uma banda precisa fazer para conseguir participar de determinados eventos em Florianópolis? Em que momento todo o trabalho, a dedicação e a estrutura que uma banda constrói passam a ser reconhecidos como suficientes?’”, questiona Mayer, baixista e vocalista do UmQuarto.

A solução encontrada pelos músicos para fazer sua voz – e sua música – serem ouvidas foi a criação do coletivo. O guitarrista e vocalista do Itacoruboys, Enzo Didomenico, conta que existia uma “falta de comunidade, de músicos que conversassem entre si, trocando experiências, conhecimentos, contatos e, principalmente, apoio”. Em momentos em que tudo parece difícil, a comunicação entre semelhantes pode criar forças inimagináveis.

“O Bando é resistência, é união do marginal, do underground, para brigar por espaço e quem sabe um dia essas margens desaguarem no mainstream. É o clichê a união faz a força. Aquela velha historinha que se tu vai quebrar um palito de fósforo sozinho, tu quebra fácil, mas junta uns vinte palitos pra tu ver”, reforça Francis Covatti, guitarrista e backing vocal da Moksha.

Com shows já marcados até dezembro, O Bando vem movimentando a cena de rock independente em Florianópolis desde o primeiro semestre de 2026. Um dos diferenciais do coletivo é a gestão transparente e democrática das oportunidades de tocar nos eventos produzidos. As datas são definidas, todas as bandas informam sobre a disponibilidade, é realizado um sorteio para definir as bandas que vão tocar. Importante falar que as bandas selecionadas ficam temporariamente fora dos sorteios seguintes, e só voltam a participar quando todas as demais bandas tiverem oportunidade de tocar. A cada ciclo o processo recomeça.

“Talvez o diferencial esteja nas pessoas, no momento e nas circunstâncias que o coletivo surge. Diferentes idades, vivências e referências. Uma junção improvável e de amplitude singular, coisa que não acontecesse todo dia aqui na cidade. Mais de vinte bandas, isso fala por si só do escopo alcançado já no início dessa história. Bandas experientes, bandas começando. Quase cinquenta pessoas estão disponíveis para executar diversas funções necessárias pro sucesso dessa empreitada. É uma ocasião rara que não se pode deixar escapar tão facilmente”, explica Lucas Thys, vocalista e guitarrista da Mang.

De acordo com Dani, guitarrista e vocalista da banda Lua sem Cabeça, a gestão horizontalizada, sem hierarquias fixas, favorece a circulação dos artistas no que cada um faz de melhor: “Cada um tem somado como pode, opinando, votando, ajudando com ideias, criando identidade visual, cuidando de redes sociais, gestão e prestação de contas, ajudando a organizar ou executar os eventos, etc. Os materiais e a consistência que conseguimos criar dessa forma jamais seriam possíveis para a maioria de nós se estivéssemos sozinhos”, afirma.

Músico que circula na cena manezinha há mais de 20 anos, Diego Rapoport é baterista da Lupino e conta que as reuniões d’O Bando são pensadas como uma empresa gerida por muitos:

“O coletivo tem se reunido periodicamente toda semana online. Depois que a BroCave nos disponibilizou um dia por mês faremos uma data presencial também. As reuniões são guiadas por pautas definidas previamente via necessidades do Bando, com abertura para inclusão de novas pautas antes da reunião e possíveis apontamentos ao final.  Nos organizamos atualmente através de comunidades do whatsapp para conversas, pautas, formulários de decisões, avisos e organização de shows”. 

Se escolher o nome de uma banda já é árdua tarefa, imagine fazer 25 bandas concordarem com o nome de um coletivo? Foram meses caóticos de conversas, debates e votações online e presenciais para encontrar um nome que agradasse a maioria, enquanto não lembrasse outros coletivos ou instituições de música catarinense. Da frase “bando de bandas” surgiu O Bando, que antes de se tornar o favorito, ficou esquecido em uma longa lista. De início, o nome não agradou a todos, mas foi depois do primeiro evento, com todos os integrantes vestindo uma bandana azul, que a ideia se materializou: nasceu um bando.

A identidade visual e o logotipo remetem a gralha azul, ave nativa de Santa Catarina, e são criações de Laura Malmegrin, vocalista da banda Epônima e ilustradora. “Depois de várias rodadas de votações, tentando escolher entre mil nomes surgidos em mesas de bar, chegamos ao O Bando. Um “bando” é por definição um grupo, é o coletivo de pássaros que voam juntos. Assim, nosso mascote é uma gralha azul vestindo uma bandana, acessório que remete ao mundo marginal do rock”, relembra Laura.

O Bando é: Bad Chairs, BagaPirata, O Bardo e o Mago, Barrique Bosahen, Cinca, Demorantes, Dirty Grills, Epônima, Hey Jhon, Itacoruboys, Jammanta, Lua Sem Cabeça, Lupino, Os Mandachuva, Mang, Mastigabrisa, Moksha, Outros Bárbaros, Pentarradial, Pevê & Os Postulados, Renata e os Swobodas, Tarja Roxa, Tierri Motta, UmQuarto, Vênus de Marte e a Tanatose e Wadada.

Acompanhe O Bando

Instagram: https://www.instagram.com/obando.co
Linktree: https://linktr.ee/obandocoletivofln

Playlist oficial: https://open.spotify.com/playlist/0D9EmAcy4V9rhahYjBdeLd?si=5ab0fe7933534bf1

Serviço

Agenda de shows d’O Bando 

Barrique Bosahen e Demorantes

Data: 7 de novembro de 2026 (sábado)

Horário: 20h

Ingresso: A partir de R$10

Local: The Frostbier Pub

Endereço: Rua Nunes Machado, nº 104 – Centro – Florianópolis/SC

Classificação: 18 anos

Pevê e os Postulados e Cinca

Data: 5 de dezembro de 2026 (sábado)

Horário: 20h

Ingresso: A partir de R$10

Local: The Frostbier Pub

Endereço: Rua Nunes Machado, nº 104 – Centro – Florianópolis/SC

Classificação: 18 anos

Moksha, Itacoruboys e Wadada

Data: 18 de dezembro de 2026 (sábado)

Horário: 20h

Ingresso: a partir de de R$10

Local: BroCave

Endereço: Calçadão João Pinto, nº 231 – Centro – Florianópolis/SC

Classificação: 18 anos 

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