InícioGERALOutubro Rosa: o que as imagens revelam sobre a saúde das mamas

Outubro Rosa: o que as imagens revelam sobre a saúde das mamas

O diagnóstico por imagem reúne diferentes exames que se complementam na investigação de alterações mamárias e na identificação precoce do câncer

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Durante o Outubro Rosa, campanha que amplia a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, a mamografia costuma ser o primeiro exame lembrado. Mas o diagnóstico por imagem envolve diferentes métodos, cada um com uma função específica na investigação das mamas. Saber quando recorrer à mamografia, à ultrassonografia, à ressonância magnética ou a recursos mais avançados pode fazer parte de uma jornada que começa antes mesmo do diagnóstico e continua ao longo do acompanhamento. 

Segundo a médica radiologista especialista em Imagem da Mulher Cristina Barreto, mais exames não significam necessariamente mais proteção. O mais importante é que a mulher faça o exame adequado para a sua situação. “Cada método responde a uma pergunta diferente”, explica.

A mamografia segue como o principal exame de rastreamento e tem papel importante na identificação de microcalcificações e distorções da arquitetura mamária. Já a ultrassonografia atua como exame complementar, ajudando, por exemplo, a diferenciar nódulos sólidos de cistos e a avaliar áreas específicas, especialmente em mamas densas. A ressonância magnética, por sua vez, apresenta alta sensibilidade e é indicada principalmente para mulheres de alto risco ou em situações diagnósticas específicas.

A escolha do método leva em consideração fatores como idade, sintomas, densidade mamária, histórico familiar, risco individual e resultados de exames anteriores. “Solicitar todos os exames indiscriminadamente aumenta a possibilidade de falsos positivos, controles desnecessários, biópsias de alterações benignas, ansiedade, custos e exposição a contraste ou radiação sem benefício comprovado”, destaca a doutora Cristina.

Da imagem à investigação

Quando uma alteração aparece em um exame, o trabalho do diagnóstico por imagem também não termina ali. O primeiro passo é caracterizar o achado e compará-lo com exames anteriores. Dependendo do caso, podem ser solicitadas novas incidências mamográficas, tomossíntese, ultrassonografia direcionada ou, em situações específicas, ressonância magnética.

A avaliação é organizada pelo sistema BI-RADS, que classifica os achados de acordo com o grau de suspeição e orienta a conduta. Alterações benignas podem seguir para o rastreamento habitual, enquanto achados provavelmente benignos podem exigir acompanhamento em intervalo mais curto. Já alterações suspeitas ou altamente suspeitas podem indicar a necessidade de biópsia.

“Se a biópsia for necessária, ela deve ser guiada pelo método que melhor demonstra a alteração, ultrassonografia, mamografia/tomossíntese ou ressonância magnética”, explica a radiologista. Ela ressalta ainda que a investigação não termina com a coleta do material. É necessário verificar se o resultado anatomopatológico é concordante com o que foi observado nas imagens.

A tecnologia também tem ampliado a capacidade de identificar alterações cada vez menores e ainda sem sintomas. De acordo com Cristina, a mamografia digital melhorou a qualidade das imagens, enquanto a tomossíntese reduziu o efeito de sobreposição dos tecidos e passou a permitir uma visualização mais detalhada de pequenas distorções e nódulos. A ultrassonografia de alta resolução e os métodos contrastados também avançaram, enquanto a ressonância permanece como um importante recurso em situações específicas.

A inteligência artificial começa a fazer parte desse cenário como ferramenta de apoio à detecção e leitura dos exames, embora ainda existam estudos em andamento para validar melhor seus resultados. “A tecnologia melhora a capacidade de enxergar, mas a indicação correta, a interpretação especializada e a correlação entre os diferentes exames continuam sendo decisivas”, afirma Cristina.

Um exame que virou parte da vida

A importância do acompanhamento por imagem aparece também na história de Gisele Toledo, hoje com 48 anos. Aos 33, pouco tempo depois de dar à luz o primeiro filho, ela percebeu um caroço na mama durante o banho e iniciou a investigação que levou ao diagnóstico de câncer.

O momento aconteceu em uma fase que deveria ser marcada pela chegada à maternidade, mas acabou trazendo uma rotina completamente diferente da que havia imaginado. Ao mesmo tempo, o filho de apenas seis meses se tornou uma das principais motivações para enfrentar o tratamento.

Passados 15 anos desde o diagnóstico, Gisele mantém os exames como parte da sua rotina e diz que eles representam tranquilidade para seguir em frente. “Amo fazer meus exames, pois é o que me traz tranquilidade de entender que posso continuar caminhando por essa rota”, conta.

A história ganhou ainda um capítulo que, segundo ela, surpreendeu até os médicos que a acompanhavam. Poucos meses depois de concluir a radioterapia, Gisele descobriu que estava grávida novamente. “Foi um susto, pois os médicos diziam que eu poderia estar estéril, mas poucos meses após a radioterapia estava grávida”, relata. Hoje, a filha tem 13 anos.

A experiência também mudou a maneira como Gisele enxerga a própria vida. “Olho para a minha vida com mais leveza, tranquilidade e respeito. Estamos vivas! O câncer não me deu uma nova vida. Ele me ensinou a olhar de um jeito novo para a vida que eu já tinha”, relata Gisele. 

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