A inteligência artificial deixou de transformar apenas produtos e processos e passou a mudar a forma como líderes desenvolvem pessoas, distribuem responsabilidades e cuidam das equipes. Esse foi um dos principais temas do primeiro dia do TDC Floripa 2026, que reúne, entre os dias 22 e 24 de julho, executivos, gestores e especialistas para discutir os impactos da IA na liderança e nos negócios.
Ao longo do evento, palestrantes compartilharam experiências práticas sobre como utilizar agentes de IA para desenvolvimento de pessoas, como redefinir o papel da liderança em equipes cada vez mais apoiadas por inteligência artificial e por que saúde mental se tornou um tema estratégico para operações de alta pressão. Confira os principais aprendizados.
IA não substitui o líder
Em vez de usar inteligência artificial apenas para automatizar tarefas, algumas empresas estão adotando agentes de IA como apoio ao desenvolvimento profissional. Na palestra “Como construir um sistema de coaching com IA para desenvolver meu time”, André Ganske, Group Product Manager da PX, mostrou como utiliza agentes personalizados para acompanhar colaboradores e desafiar seu próprio crescimento como líder.
A orientação é criar perfis individuais, registrar a evolução do profissional após cada reunião com a liderança, identificar padrões de comportamento e utilizar transcrições das conversas para preparar encontros mais produtivos. Segundo André, a tecnologia ajuda a tornar o acompanhamento mais consistente, mas o papel do líder continua sendo interpretar contexto, emoções, objetivos de carreira e transformar essas informações em desenvolvimento.
Liderar significa dar contexto
Se antes a liderança era responsável por distribuir atividades, agora o desafio é definir contexto, autonomia e pensamento crítico. Esse foi um dos consensos do painel “Quem lidera os times na era dos agentes de IA?”, que reuniu representantes da Vivo, BM3 Group e RD Station.
Os especialistas defenderam que os líderes precisam estabelecer com clareza até onde vai a autonomia de cada profissional no uso da IA e garantir acompanhamento principalmente dos colaboradores mais juniores. Outro ponto levantado foi a necessidade de preservar e organizar a gestão do conhecimento dentro das empresas, evitando que fique dependente exclusivamente das ferramentas de inteligência artificial.
Lideranças proporcionam segurança
A saúde mental também foi debatida entre os debates sobre liderança. Durante o painel “Quem cuida de quem sustenta a operação? Saúde mental, pressão operacional e liderança humanizada em ambientes críticos”, especialistas da Quansight, Caleta Gaming, Mistura Consultoria e Airbnb defenderam que ambientes de alta performance precisam oferecer segurança psicológica para que as pessoas possam aprender com os erros sem transformar falhas em culpa permanente.
Entre as recomendações, foi orientado a estabelecer limites claros entre vida pessoal e trabalho, incentivar a distribuição de responsabilidades, criar espaços seguros para diálogo, equilibrar produtividade com pertencimento e reconhecer que pedir ajuda faz parte de uma operação saudável. A mensagem central foi que operações críticas sempre vão enfrentar problemas, mas equipes preparadas conseguem responder a eles de forma organizada e com menor desgaste emocional.
Liderar IA envolve governança
Na palestra “Agilidade em tempos de GenAI – Guia de sobrevivência para líderes”, Luiz Felipe Conceição, Agile Coach da Globo, defendeu que o papel da liderança passa por coordenar equipes híbridas, formadas por pessoas, agentes autônomos e ferramentas de inteligência artificial. Segundo ele, o uso da tecnologia exige redesenhar fluxos de trabalho considerando as novas possibilidades trazidas pela IA, criar processos de validação focados em resultados e evitar automatizar processos que eram ineficientes.
O especialista também destacou que a adoção de IA depende de governança e de uma cultura que incentiva a experimentação responsável. Entre as recomendações estão formar grupos multidisciplinares, estabelecer políticas de safe-to-try para testar novas soluções e definir regras claras para o uso da tecnologia. Ao mesmo tempo, alertou que a responsabilidade pelas decisões continua sendo da liderança. “Não transfira a responsabilidade para a IA”, resumiu. O desafio, segundo Conceição, é encontrar um equilíbrio entre governança e autonomia, utilizando a inteligência artificial para ampliar a capacidade das equipes, e não para controlar ou microgerenciar pessoas.







