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Associação de quilombolas repudia manifestação de Bericó sobre o Parque Estadual do Rio Vermelho

O vereador criticou duramente a forma de manejo que está sendo realizada para remoção de pinus do Parque Estadual do Rio Vermelho, que, segundo ele, está destruindo também vegetação nativa. O tema foi repercutido por este INFORME FLORIPA e a Associação dos Remanescentes do Quilombo Vidal Martins (ARQVIMA) se manifestou nesta tarde de terça (26)

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A forte manifestação do vereador João do Bericó (PL), que criticou na sessão da Câmara da Capital desta segunda-feira (25) a forma como estão sendo removidas as árvores de pinus do Parque Estadual do Rio Vermelho – repercutidas por este INFORME FLORIPA, forçaram a Associação dos Remanescentes do Quilombo Vidal Martins (ARQVIMA) a se manifestar publicamente contrariando o vereador.

Bericó condenou na Tribuna da Câmara a, segundo ele, “devastação” pela qual está passando o Parque Estadual. Na sua opinião a remoção dos pinus está sendo feita de uma forma ostensiva, destruindo também a vegetação nativa presente na região. Bericó disse que a destruição já chega a uma área do tamanho da Barra da Lagoa. Leia mais aqui sobre o que disse o vereador.

Diante da repercussão, a diretoria da ARQVIMA enviou para a Coluna, nesta tarde de terça-feira (26), uma Nota de Repúdio e Solidariedade. Segundo a nota, o posicionamento do vereador serve apenas para “espalhar intolerância, promover ataques e alimentar perseguições contra a comunidade quilombola do Rio Vermelho e seus apoiadores”. A Nota encaminhada pela associação centra na narrativa política e não explica tecnicamente a forma de manejo florestal que está sendo feita no Parque.

Abaixo reproduzimos a nota em sua íntegra e também uma decisão da Justiça que autoriza o trabalho que está sendo realizado.

NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

A ASSOCIAÇÃO DOS REMANESCENTES DO QUILOMBO VIDAL MARTINS – ARQVIMA vem a público manifestar seu mais contundente repúdio às manifestações do vereador Bericó, que mais uma vez utiliza a tribuna pública e as redes sociais não para apresentar soluções aos inúmeros problemas de Florianópolis, mas para espalhar intolerância, promover ataques e alimentar perseguições contra a comunidade quilombola do Rio Vermelho e seus apoiadores.

É lamentável que um representante eleito pela população tenha transformado seu mandato em uma máquina permanente de polêmicas vazias, provocações e discursos de ódio. Enquanto a cidade enfrenta dificuldades graves nas áreas de saúde, mobilidade, infraestrutura, segurança e habitação, o vereador parece mais preocupado em produzir cortes para redes sociais, acumular curtidas e manter um caricato personagem político baseada na agressividade e no conflito permanente.

Bericó se tornou símbolo da pior face da política oportunista e rasteira: a do parlamentar caça-likes, que vive da fabricação de inimigos, da exploração do preconceito e da tentativa constante de gerar engajamento através da hostilidade. Em vez de apresentar propostas relevantes, construir soluções ou exercer um mandato minimamente produtivo para a sociedade florianopolitana, prefere investir tempo em ataques públicos, perseguições e manifestações incompatíveis com a responsabilidade institucional de um agente público.

Sua atuação política pouco acrescenta ao desenvolvimento da cidade. O que sobra é barulho, radicalismo, intolerância e um espetáculo permanente de agressões verbais travestidas de posicionamento político.

As comunidades quilombolas possuem reconhecimento constitucional e proteção garantida pela legislação brasileira e por tratados internacionais de direitos humanos. Atacar essas populações e estimular perseguições contra seus defensores demonstra não coragem, mas despreparo, irresponsabilidade e absoluto desrespeito à história e à luta do povo negro brasileiro.

Repudiamos também os ataques dirigidos à ex-vereadora Tânia Ramos, mulher negra, liderança popular e histórica defensora dos direitos humanos, da igualdade racial e das comunidades periféricas de Florianópolis. Sua trajetória sempre foi marcada pelo compromisso social, pela dignidade e pela defesa dos mais vulneráveis — exatamente o oposto da política baseada no ódio, no espetáculo e na provocação permanente.

É profundamente revoltante que, mesmo após sofrer um AVC isquêmico e enfrentar um delicado estado de saúde, Tânia Ramos continue sendo alvo de ataques cruéis e desumanos. A insistência do vereador em manter agressões políticas mesmo diante de tamanha fragilidade humana ultrapassa qualquer limite ético e moral minimamente aceitável.

Florianópolis merece representantes públicos preparados, equilibrados e comprometidos com o bem coletivo — e não parlamentares que transformam o mandato em palco de ressentimento, perseguição e conflito permanente.

A ARQVIMA reafirma sua total solidariedade à companheira Tânia Ramos, aos seus familiares e amigos, desejando sua plena recuperação.

Reiteramos também que a comunidade quilombola do Vidal Martins não se intimidará diante de perseguições, discursos racistas, ataques políticos ou tentativas de criminalização de sua luta histórica por dignidade, território, respeito e direitos.

Seguiremos firmes na defesa da memória, da cultura, da identidade quilombola e dos direitos de nosso povo.

Florianópolis, 26 de maio de 2026.

DIRETORIA DA ASSOCIAÇÃO DOS REMANESCENTES DO QUILOMBO VIDAL MARTINS – ARQVIMA


Abaixo decisão da Justiça:

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