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“Três dias” embaralha ficção e documentário em histórias de quatro moradoras do maior condomínio de Florianópolis

Curta-metragem finaliza uma trilogia filmada no Conjunto Habitacional Panorama

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Quatro mulheres com mais de 50 anos, moradoras do Conjunto Habitacional Panorama, no bairro Monte Cristo, em Florianópolis, são protagonistas do curta-metragem de docuficção Três dias, de Djuly Gava e Bruna Granucci, uma produção da Punktu, que estreia para equipe e moradores do Panorama no dia 21 de agosto, às 19 horas, no Salão de Festas do condomínio de moradia popular. 

Partindo da ideia de ficcionalizar situações do cotidiano, com base nas entrevistas de pesquisa, as diretoras propuseram a quatro mulheres unirem suas histórias pessoais e situações significativas vividas no Panorama com cenas nonsense imaginadas com elas para construir um roteiro coletivo. O resultado é um filme sensível, tocante, filosófico e divertido.

Dona Landa (Eliza Landa Ozório Melezes), moradora do conjunto desde 1989, participou por muitos anos de grupo de teatro de idosos e propôs que interpretasse um personagem criado por ela mesma, Genário, com figurino também criado por ela.

Claudete (Claudete Regina da Silva) aposentada como telefonista em um hospital, ao mesmo tempo em que relembra situações reais de sua profissão, resolve ligar para outras Claudetes para se conhecerem pessoalmente. 

Leoni (Leoni Artmann) é cega e por sua sensibilidade auditiva escuta detalhes da vida dos vizinhos. Aos 62 anos e totalmente autônoma, a proposta para ela foi a construção de cenas em que se escutasse sons fictícios em seu apartamento, por onde os sons literalmente sobem pelas paredes, saem dos armários, potes e de dentro do seu guarda-roupa.

Cida (Maria Aparecida Fernandes) já havia participado do primeiro filme da trilogia, “Panorama”, quando forneceu seu rico acervo de fotografias. Primeira moradora do seu bloco, conta em entrevista que quando chegou no Panorama ainda não havia luz elétrica ligada e que um dia ficou sem as chaves de casa e decidiu fazer uma corda de lençóis para descer do quarto andar. Durante as filmagens, Cida estava vivendo o luto pelo falecimento da mãe, dona Selma, e mesmo assim também aceitou participar do filme.

As quatro mulheres, todas moradoras há décadas do Panorama, foram indicadas pela diretora Djuly Gava, que viveu ali dos 7 aos 21 anos, e pela síndica Luciana Gava, sua mãe. As participantes também tiveram uma preparação de elenco antes e durante as gravações com o ator Valdir Grillo. Suas rotinas foram acompanhadas durante os três dias de filmagem, incluindo ir à manicure, passear com o cachorro, preparar refeições, ao mesmo tempo em que se criavam as cenas de ficção que entremeiam suas histórias reais.

A diretora Djuly considera que fazer filmes no lugar em que viveu tanto tempo marcou sua vida. “Esse lugar faz parte da minha história e agora se fecha um ciclo com essas mulheres mais experientes. O filme busca mostrar que as histórias delas também importam, têm valor”. Para Bruna Granucci, “a proposta é de um filme singelo, mas que olha para cada uma com carinho e bagunça a noção da vida real, da rotina. Foi bonito construir com elas essa brincadeira e esse entendimento”, conta.  

O filme foi financiado com recurso público oriundo do 10º Edital de Apoio ao Audiovisual Armando Carreirão 2021/2022, Fundação Franklin Cascaes, Funcine e Prefeitura Municipal de Florianópolis. 

Direção

Djuly Gava (Florianópolis, 1995) é artista visual, diretora e produtora de cinema independente. Sócia-fundadora da Punktu, produtora que atua na intersecção entre artes visuais e audiovisual. Em 2023 estreou na direção com o curta-metragem de documentário “Panorama”, tendo sido exibido em mais de vinte festivais e mostras de cinema em diferentes países. Também dirigiu os curtas experimentais “Diário interrompido” (2024) e “Daqui onde te vejo” (2025), filmados em super-8 e 16mm. Em 2025 atuou como diretora de produção do curta-metragem de ficção “Heyari”, selecionado na 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Atualmente finaliza seu primeiro longa-metragem documental “Passagens”.

Bruna Granucci (Mogi-Mirim, SP, 1985) é formada em Cinema pela Unisul – Universidade do Sul de Santa Catarina e trabalha como diretora de arte em projetos de cinema, publicidade e artes visuais. Atualmente se dedica à produção de vídeos experimentais, vídeo-performance, além de projetos de instalação em que procura estabelecer um diálogo com o seu entorno social e político e suas experiências pessoais, materializando a subjetividade de seu pensamento, recorrendo sistematicamente à um discurso feminista e poético. Com seu primeiro curta-metragem de ficção, “O Ballet das Coisas”, integrou festivais de cinema no Brasil, além de mostras competitivas em Santa Catarina e São Paulo.

Trilogia

O Conjunto Habitacional Panorama foi construído durante a década de 1980 no bairro Monte Cristo, às margens da Via Expressa, único acesso à Ilha de Santa Catarina, parte da capital catarinense. Possui 41 blocos, 800 apartamentos onde vivem mais de 2 mil moradores (dados de 2025). Esse universo repleto de histórias deu origem a três filmes:

Panorama (2023, 17 minutos), foi o primeiro filme realizado com os moradores do condomínio. Dirigido por Djuly Gava e Daniel Leão, o filme reconstrói a passagem do tempo a partir das memórias em fotografias e vídeos feitos pelos moradores desse universo local que supera o número de habitantes de muitos municípios brasileiros.

Heyari (2025, 20 minutos), o segundo filme da trilogia, dirigido por Daniel Leão, é um curta-metragem de ficção que aborda a vida dos moradores do condomínio após um colapso climático. Heyari na língua yanomami significa “espalhar fumaça para fazer adoecer colocando feitiço no fogo”.

Três dias (2026, 20 minutos), último filme da trilogia, realizado em colaboração com quatro mulheres moradoras do Conjunto Habitacional Panorama, “Três dias” parte da reencenação de situações cotidianas para investigar as fronteiras instáveis entre documentário e ficção. Ao reinscrever experiências vividas e narradas diante da câmera, o filme produz uma zona de indistinção entre o cotidiano e sua representação.

FICHA TÉCNICA TRÊS DIAS

Direção e Roteiro: Djuly Gava e Bruna Granucci 
Elenco: Claudete Regina da Silva (Claudete)
Eliza Landa Ozório Melezes (Dona Landa)
Leoni Artmann (Leoni)
Maria Aparecida Fernandes (Cida)
Pesquisa: Djuly Gava
Direção de Fotografia: Ananda Torres
Direção de Produção: Júnior Alves
Produção Executiva: Maria Emília de Azevedo
Operador de Som: Matheus Massa
Diretora de Arte: Juci W
Montagem: Alan Stone Langdon
Preparador de elenco: Valdir Grillo
Assistente de Direção: Júnior Alves
Assistente de Fotografia e Logger: Carmina Reñones
Trilha sonora: Ruth Steyer
Colorização: Alan Stone Langdon
Edição de som e mixagem: Matheus Massa
Foley: Matheus Massa
Produtor de finalização: Guilherme Cavichioli
Finalização: Alan Stone Langdon
Coordenação de Acessibilidade: Sansara Buriti
Audiodescrição e LSE: Sansara Buriti
Interpretação de Libras: Priscila Paris Duarte
Gravação e Edição de Acessibilidades: Alan Stone Langdon
Controller: Marco Antônio Lacerda
Assessoria de comunicação: Barbara Pettres
Design Gráfico e letreiros: Tina Merz
Catering: Ro Karan
Assistente de Catering: João Zapelini

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