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Aos 67 anos, estudante da EJA de Florianópolis conquista seu primeiro diploma

Com a filha sendo a diretora da escola que funciona como polo, Sidnei Vieira da Costa finalizou o primeiro segmento do ensino fundamental em 2022

Incentivada pelo marido e inspirada pelas filhas e cunhada, todas pedagogas que atuam na rede de ensino de Florianópolis, Sidnei Vieira da Costa, aos 67 anos, formou-se no primeiro segmento do ensino fundamental na Educação de Jovens e Adultos (EJA), no final de 2022.

Sidnei é filha de um pescador e uma rendeira, a mais nova entre 7 irmãs. Quando seu pai veio a falecer precocemente, ela tinha apenas 2 anos e, por conta da complicada situação financeira, precisou deixar os estudos muito cedo para contribuir com a renda da família.

Até então, ela havia conseguido concluir a 4ª série – hoje, equivalente ao 5º ano, na escola primária no bairro Ingleses (Norte da Ilha), onde atualmente está localizado o Núcleo de Educação Infantil Municipal Gentil Mathias da Silva.

Nesta época, suas três irmãs mais velhas foram para o centro da cidade trabalhar como domésticas, enquanto Sidnei e as outras meninas mais novas auxiliavam a matriarca com a produção das rendas de bilro e redes de pesca – ofício que todas as filhas foram ensinadas desde crianças.

Anos se passaram e a jovem rendeira conheceu seu marido, Danilo Hercílio da Costa, natural de Canasvieiras, com quem é casada há 42 anos e teve 3 filhos. O primeiro faleceu durante o parto em 1982, logo depois vieram as meninas Mariana e Fabiana.

O sustento deles sempre veio da arte da renda e do mar, pois Danilo é pescador industrial desde os 14 anos, mas a família queria dar a oportunidade de Sidnei voltar a escola e finalmente conquistar seu tão sonhado diploma.

De volta a sala de aula após quase 5 décadas

O incentivo das filhas, marido e até mesmo das colegas do grupo de idosos que participa, foi o estímulo que precisava para se inscrever no primeiro segmento do ensino fundamental da EJA no ano passado.

Mas, a artesã conta que foi um desafio concluir os estudos, novamente. “As aulas eram de segunda a quinta-feira, no período noturno, e mesmo com o frio rigoroso do inverno, eu e as minha colegas de classe, 17 senhoras moradoras da comunidade do Santinho, não desistimos”, explicou Sidnei.

Além da perseverança, o que a ajudou a finalizar o primeiro segmento e já se matricular no segundo em 2023, foi o fato de que suas filhas estavam presentes no dia a dia da Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, que funciona como polo da EJA, Mariana como diretora e Fabiana, na época, como secretária.

EJA plantando a semente da mudança nas pessoas

”Nunca imaginei que teria a oportunidade de ensinar a minha mãe, durante o projeto de pesquisa, nós ficávamos até tarde ajudando nos “deveres” que ela levava para casa. Até a neta mais velha muitas vezes prestava o auxílio.. Sidnei é avó de 2 meninas Maria Augusta, 12 anos, e Luísa, 4 anos”, revela Mariana.

Ela também relata que a EJA significou uma mudança na vida da mãe, e que a interação social com as colegas de sala proporcionou um encorajamento maior para que todas as noites ela fosse para a escola. “Ela aprendeu coisas que jamais aprenderia se continuasse em frente a televisão. Um exemplo disso são as aulas de robótica, música e informática, onde ela se destacava”.

A filha mais velha de Sidnei e Danilo iniciou sua jornada na rede municipal de ensino de Capital em 2014, e hoje como responsável pela unidade educativa, se sente gratificada ao ver a escola ganhando vida além das 17h15.

“A EJA sempre foi uma das minhas prioridades no Projeto de Gestão, e na primeira turma presencial da modalidade aqui na unidade, acredito que plantamos a semente da mudança nas pessoas, que são responsáveis por transformar o mundo!”.

Para a pedagoga, ter a mãe estudando na unidade em que ela é diretora foi um marco na carreira enquanto professora e servidora da Secretaria de Educação de Florianópolis. “Nunca imaginei que na minha vida profissional teria a oportunidade de servir minha comunidade, e principalmente, a minha mãe dessa maneira”.

“Formar a nossa mãe na EJA foi retribuir um pouco de todo o amor e tudo que ela fez por e pela nossa família. Além disso, essa formatura mostrou a resistência de uma Escola Pública de qualidade, que garante o direito e o acesso à educação de todos: crianças, adolescentes e idosos!”, finaliza Mariana.

O secretário de Educação da Capital, Maurício Fernandes Pereira, complementa que a EJA é um dos exemplos mais lindos de transformação de vidas. “Sidnei provou que não há idade para retornar à sala de aula e realizar seu sonho aos 67 anos”, ressalta Maurício.

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