A Prefeitura de São José, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, avança na preparação para a implantação do Método Wolbachia, tecnologia desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde. Nesta etapa, duas agentes realizam o mapeamento e a validação técnica dos pontos onde serão liberados os chamados Wolbitos, garantindo que as solturas ocorram de forma planejada e eficiente.
O trabalho utiliza o aplicativo QField, ferramenta de código aberto voltada à coleta e ao gerenciamento de dados geoespaciais em campo. Com o recurso, as equipes registram os locais mais adequados para a soltura e definem as rotas mais eficientes para a execução da operação. Ao todo, a área de implantação contempla oito bairros, divididos em 15 rotas, com 250 pontos cada, totalizando 3.750 pontos de liberação georreferenciados. A validação de todos os pontos deverá ser concluída antes do início da soltura dos mosquitos.
O levantamento já foi realizado em todo o bairro Forquilhinha e em parte do Kobrasol. Na próxima semana, as agentes devem iniciar o trabalho no bairro Campinas, seguindo posteriormente para as demais regiões contempladas pelo projeto.
Engajamento da população
Paralelamente ao mapeamento, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou as ações de comunicação e engajamento comunitário. Até o momento, mais de 4 mil pessoas já foram alcançadas pelas equipes durante visitas a residências e estabelecimentos comerciais, que recebem informações sobre o funcionamento do Método Wolbachia e orientações para a prevenção das arboviroses.
Cerca de 30 Agentes de Combate às Endemias participam das atividades, apresentando o projeto, esclarecendo dúvidas dos moradores e verificando possíveis focos do Aedes aegypti. As visitas e os treinamentos seguem até o fim de outubro. As ações de engajamento já passaram por Forquilhinha, Campinas, Kobrasol e Barreiros. Neste mês de setembro, as equipes iniciam a mobilização nos bairros Ipiranga e Jardim Cidade de Florianópolis. Na sequência, o trabalho será realizado em Areias e Serraria.
Além das visitas, os agentes distribuem materiais informativos e instalam cartazes em unidades de saúde. Também estão previstas atividades educativas em escolas, associações comunitárias e outros espaços públicos. “O envolvimento da população é fundamental para o sucesso do projeto, pois a participação comunitária contribui para a disseminação de informações corretas, o esclarecimento de dúvidas e a construção de uma relação de confiança entre os moradores e os órgãos responsáveis pela implementação da metodologia”, destaca a gerente de Endemias da Secretaria de Saúde, Sirleia Aparecida da Silva.
Educação também participa da mobilização
A Secretaria Municipal de Educação também iniciou a distribuição de panfletos e cartazes educativos sobre o Método Wolbachia nas unidades da rede municipal de ensino. A mobilização ocorre nos Centros Educacionais Municipais (CEMs) e Centros de Educação Infantil (CEIs) localizados nos oito bairros contemplados pelo projeto.
Os materiais apresentam, de forma simples, como funciona a tecnologia e explicam o papel dos Wolbitos, contribuindo para ampliar o conhecimento da comunidade escolar e estimular a participação da população.
Tecnologia para reduzir a transmissão de arboviroses
O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, naturalmente encontrada em diversas espécies de insetos. A presença da bactéria dificulta o desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya no organismo do mosquito, reduzindo sua capacidade de transmitir essas doenças.
Os Wolbitos são liberados em pontos previamente definidos. Ao se reproduzirem com os mosquitos que já existem na região, eles ajudam a disseminar a Wolbachia entre as novas gerações. A tecnologia não utiliza produtos químicos e não altera geneticamente os mosquitos.
A iniciativa beneficiará diretamente cerca de 143,7 mil moradores dos oito bairros de São José. Após a conclusão das etapas de comunicação, engajamento e validação dos pontos, terá início a liberação controlada dos Wolbitos.
As solturas serão realizadas semanalmente por equipes especializadas e acompanhadas por monitoramento técnico e epidemiológico, permitindo avaliar a presença da Wolbachia na população de mosquitos e os impactos da metodologia no controle da dengue, Zika e chikungunya.
O Método Wolbachia é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).






