Verdini conta os dias
É grande a tendência de que o prefeito Orvino Coelho de Ávila (PSD) perca seu braço direito na administração. Cresce no prédio vermelho e branco da avenida Beira-mar de São José o burburinho de que Luiz Fernando Verdini poderá deixar a Secretaria de Planejamento e Assuntos Estratégicos.
E mais, soube de fontes que isso pode acontecer em muito breve. Verdini é o principal agente envolvido no edital de licitação da avenida Beira-mar de Barreiros. O certame já foi iniciado e tem avanços na área de fiscalização e projeto, mas a parte da execução está suspensa cautelarmente desde dezembro de 2025 pelo TCE/SC. A expectativa é que nas próximas semanas o processo seja destravado. É o timing para Verdini deixar a prefeitura.
Descompasso político
À boca pequena a informação que corre é que o descontentamento de Verdini com o prefeito não tem ligação com a questão administrativa da Prefeitura. Seria mais por falta de sintonia na questão política.
O descompasso se dá em relação à disputa pelo Governo do Estado. Enquanto Orvino tende a seguir com João Rodrigues, até por questões partidárias e de lealdade já que João o ajudou na sua eleição municipal; Verdini é simpatizante do apoio à Jorginho Mello, com quem tem um relacionamento muito antigo.
Caso Verdini opte por deixar a prefeitura o movimento pode ser lido como um gesto visando preservar uma amizade de mais de 40 anos que tem com o prefeito Orvino. Já que no xadrez político uma solução se mostra inviável, estaria o secretário focado em preservar a amizade. Faz bem Verdini, chega uma idade na vida que há que se preservar os amigos, pois a cada dia que passa é mais difícil fazer novas amizades.
Embaralhou
Mas não é só entre Orvino e Verdini que a disputa estadual estaria trazendo novos contextos em São José. A eleição de outubro também pode colocar em projetos distintos o vice-prefeito Michel da Silva Schlemper (MDB), que é pré-candidato a deputado estadual e o ex-prefeito e senador, Dário Elias Berger.
Na contramão
Eu não me surpreenderia em nada se Michel Schlemper deixasse o MDB. Com a decisão do governador em rifar os emedebistas, o partido busca outros caminhos que vão de lançar candidatura própria; composição com João Rodrigues e até coligação com a esquerda.
Um cenário que não agrada muito Michel, que nos últimos tempos se aproximou muito do governador Jorginho Mello e da vertente política de extrema direita. Diria até que Michel é mais bolsonarista que emedebista. Michel na urna em outubro pelo PL ou Republicanos não seria nenhuma surpresa.
Dário
Como em política não existe vácuo de poder, caso Michel saia do MDB esse espaço pode ser ocupado pelo ex-prefeito Dário Berger. Nos bastidores da política local a informação é que Dário estaria propenso a disputar uma vaga na Alesc. Ele disputou a prefeitura da Capital na última eleição pelo PSDB, mas estaria estudando a possibilidade de se filiar ao MDB ou PSD para concorrer na eleição desse ano.
Lealdade e reciprocidade
Nessa relação Michel-Dário é sempre bom pontuar o posiconamento de lealdade e reciprocidade que sempre teve Michel em relação a Dário. Mesmo sendo uma liderança de perfil de direita, Michel não negou o pedido do então senador para coordenar sua campanha, que acabou o colocando no palanque do Lula. Michel teve gratidão e lealdade. Coisa rara na política de hoje. Bom lembrar muitos que se elegeram na onda Bolsonaro e já abandonaram o capitão
Bem cotada
Nas bolsas de apostas para a eleição de outubro a expectativa é que o PT de Santa Catarina eleja três deputados federais. A vereadora de Florianópolis, Carla Ayres já foi bem votada na eleição de 2022 com 39.609 e é aposta para estar entre esses três nomes eleitos, caso isso se confirme. Lembrando que Carla é suplente de deputada federal e inclusive assumiu em Brasília no ano passado.
Sem representação
Por falar em deputado federal, é flagrante a deficiência da Capital e, porque não dizer da Região Metropolitana, em eleger deputados federais. Entre os atuais 16 deputados federais catarinenses nenhum é de Florianópolis ou região. Isso que a região é um dos maiores colégios eleitorais do Estado e por falta de organização dos partidos e de um projeto bem estruturado de nossas lideranças políticas segue sem representação na Capital Federal.
Sem nome local
O pior é que analisando os possíveis nomes sondados para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados neste ano, por mais uma legislatura Florianópolis corre o risco de ficar sem representação em Brasília. Tirando Carla Ayres dificilmente outra candidatura carrega chances reais dentro de seus respectivos partidos que possibilite eleição.
Votos dispersos
Na eleição de 2022, para deputado federal, somente de votos de Florianópolis, Ed Pereira (União) foi o mais votado com 26.048 votos; seguido de Bruno Souza (na época no Novo) com 23.914 e Carla Ayres com 18.859 votos. Em seguida tivemos a candidata das causas indígenas Kerexu (PSOL) com 16.109 votos e já começam a aparecer os votos para candidatos sem base em Florianópolis como Carol de Toni (PL), Ana Paula Lima (PT) e Daniela Reinehr (PL). Em seguida aparecem Paulo Bornhausen (PSD) e Ângela Amin (PP).
A Capital é de todos
O que torna a eleição para deputado federal tão difícil em Florianópolis é justamente o fato de ser a Capital política do Estado. Como é povoada por agentes políticos de diferentes partidos, esses votos são canalizados para uma infinidade de candidaturas de todo o Estado.
Trocando em miúdos, todo mundo pega voto aqui e acaba faltando para os candidatos locais que não conseguem sair com uma boa votação. Diferente de candidatos com base em municípios menores, que conseguem concentrar os votos e sair com uma boa base de votação para buscar o complemento no restante do Estado. Anotem ai, nesse ano não será diferente.
Campeões de voto
E como em 2026 não será diferente, além dos candidatos locais e de alguns nomes dos extremos (PL e PT) eu apostaria que estarão liderando a disputa para deputado federal em Florianópolis o deputado federal, Valdir Cobalchini (MDB) e o presidente da Alesc, Júlio Garcia (PSD), que agora vai buscar um espaço na Câmara dos Deputados.

Tiro no pé
A vereadora Pri Fernandes (PSD) cometeu meio que um suicídio político em votar contra moção de federalização do caso do Cão Orelha, na Câmara da Capital. Bom lembrar que Pri foi eleita com o voto da causa animal. Estranha agora a vereadora votar contra uma matéria que pede a federalização do caso, justamente em um cenário em que até o próprio Ministério Público questionou e levantou vários pontos duvidosos sobre o trabalho de investigação da Polícia Civil. Sabe tiro no pé?
Alegou questão política
Pri Fernandes justificou que seu posicionamento contrário à moção pela federalização do Caso do Cão Orelha ocorreu por entender que se tratava apenas de uma manifestação política, sem poder algum de realmente federalizar o caso. Ela argumenta que continua lutado para que a Justiça se faça em relação ao ocorrido com o cão Orelha.

Causa animal
Enquanto Pri Fernandes dá um tiro no pé, em São José outro vereador ligado à causa animal, Vinícius Ramos (MDB) manda muito bem. Na noite desta quarta-feira (25), a Câmara Municipal de São José sediou a Reunião Pública “Cão Orelha e os Impactos Gerados no Bem-Estar Animal”, proposta pelo vereador Vini da Causa Animal.
O encontro teve como objetivo debater os reflexos do caso que mobilizou a comunidade e, principalmente, construir encaminhamentos concretos para o fortalecimento das políticas públicas de proteção e bem-estar animal no município.
Ao final do encontro, foi redigido um documento reunindo as principais demandas e propostas apresentadas durante a reunião. O material será protocolado na Prefeitura de São José para os devidos encaminhamentos, reforçando o compromisso do Legislativo em atuar de forma propositiva e articulada em defesa da causa animal.
Hospital Veterinário
Durante a reunião, temas estruturantes estiveram no centro do debate, como a implantação de um Hospital Veterinário Público e a ampliação do número de castrações realizadas pelo poder público, medidas consideradas fundamentais para o controle populacional, prevenção de maus-tratos e promoção da saúde animal.
O vereador Vinícius Ramos destacou a importância do diálogo coletivo para a construção de soluções efetivas. “O caso do Cão Orelha despertou a cidade para uma realidade que precisa de respostas concretas. Não se trata apenas de um episódio isolado, mas da necessidade de estruturarmos políticas públicas permanentes, com planejamento, investimento e responsabilidade. Nosso compromisso é transformar essa mobilização em ações práticas”, afirmou.






