Em comemoração ao centenário da Ponte Hercílio Luz, a Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, transformou a manhã dessa segunda-feira (13) em um encontro entre arte, história e cidadania. O Jardim Botânico de Florianópolis foi o cenário da entrega de um mural de grafite construído com a participação ativa de crianças dos Centros de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (CCFVs).
Assinada pelo artista Edu Aipmo, a obra é resultado de um processo criativo coletivo que reuniu participantes dos CCFVs da Tapera, Costeira, Monte Cristo e Agronômica ao longo de três encontros. Mais do que uma pintura, a proposta promoveu uma vivência na cultura hip hop aliada ao exercício da cidadania.
No primeiro encontro, o foco foi o conhecimento. As crianças conheceram a origem do hip hop, refletiram sobre direitos e deveres e compreenderam seu papel na construção da cidade. Também experimentaram as primeiras “tags” – assinaturas que marcam a identidade dos grafiteiros.

No segundo momento, a teoria ganhou cor. Com latas de spray nas mãos e imaginação livre, começaram a dar forma ao painel, que agora integra a paisagem do jardim e traduz, em traços e cores, o olhar das crianças sobre a cidade e o tempo em que vivem.
Já o terceiro encontro levou a experiência para além do muro. O grupo visitou a Ponte Hercílio Luz, percorrendo a ligação entre ilha e continente, e conheceu o Parque da Luz, onde vivenciou outro elemento essencial do hip hop: a dança.
De volta ao jardim, acompanharam a finalização da obra e se reconheceram nela. O mural recebeu as tags com os nomes das comunidades participantes e das próprias crianças.
A secretária municipal de Assistência Social, Luciane dos Passos, destaca que esse vínculo se constrói na prática. “Fala-se muito sobre pertencimento, mas ele só acontece de verdade quando a criança se reconhece na cidade. Quando atravessa a Ponte Hercílio Luz, pinta um mural no Jardim Botânico e vê o próprio nome ali, ela entende que também faz parte da história e do espaço onde vive.”
Para Jane Regina Borges Vieira, coordenadora geral dos Centros de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, experiências como essa ampliam horizontes. “Nosso papel, além de promover o fortalecimento de vínculos e a matricialidade sociofamiliar, é ampliar repertórios, apresentar diferentes culturas e mostrar que existem muitas formas de se expressar, ocupar e transformar a cidade. Quando oferecemos essas vivências, não estamos apenas ensinando arte, mas formando cidadãos mais conscientes, confiantes e conectados com o lugar onde vivem.”








