A partir de restos de perucas, brilhos, tecidos, próteses e acessórios usados em performances drag, a artista Eco Zazu apresenta a exposição “ECOZONA”, que abre no dia 9 de junho na Galeria Lama, em Florianópolis. A abertura acontece às 19h30, com entrada gratuita.
A mostra reúne onze obras, entre pinturas e objetos criados a partir de materiais descartados das montações da artista e de outras(os) artistas drag da cidade. Ao reaproveitar esses elementos, Eco transforma fragmentos de perucas, tecidos, brilhos e acessórios em obras que retornam carregando marcas de uso, memória e afeto, revelando histórias individuais e coletivas que atravessam a cena drag local.
“O título é uma cacofonia proposital que brinca com o meu nome, sugerindo uma versão ampliada, destemida e potencializada de mim mesma, alguém que encara seus conflitos, abraça suas contradições e se liberta da necessidade de agradar o tempo todo, mesmo que, no fim, acabe se tornando alguém que ‘ecozona'”, explica Eco Zazu, que assina a curadoria junto de Mariana Thome.
A artista acrescenta que “ECOZONA” também dá nome a uma zona de fronteira utópica, um território simbólico de pertencimento, compartilhado por ela e por outros seres da margem, situado entre a cena drag e as artes visuais, entre gêneros, linguagens e personas.
Angústias íntimas e questões como o medo de falhar, de não alcançar expectativas ou de se transformar ao longo do caminho aparecem materializadas nos trabalhos de “ECOZONA”, que foi apresentada pela primeira vez em dezembro de 2025 por meio da Política Nacional Aldir Blanc. Nesta nova edição, a mostra apresenta trabalhos produzidos nos últimos meses, que refletem sobre transformação, desejo e as incertezas que acompanham os processos de mudança.
A mostra marca a primeira exposição individual da artista na Galeria Lama, espaço com o qual já colaborou em duas coletivas “Enamoradas” e “Entendidas | Entendides | Entendidos”. A programação de “ECOZONA” conta com uma apresentação especial de encerramento marcada para o dia 11 de julho, às 20h30. Ao lado de artistas convidadas(os), Eco Zazu leva para a cena questões presentes nas obras, dando corpo e movimento às reflexões que atravessam a mostra por meio da performance.
Para a artista, a mostra dialoga com a proposta da galeria de aproximar as artes visuais de linguagens que historicamente circulam à margem dos espaços expositivos tradicionais. “Espero que, para além de criar uma zona utópica própria, outras pessoas se identifiquem com minhas questões e se sintam em casa”, completa.
A Galeria Lama fica na Rua João Pinto, 198 ou na Rua Antônio (Nico) Luz, 159, no Centro de Florianópolis. O horário de visitação é de quarta a sábado, das 18h às 00h.
Sobre a artista
Eco Zazu é artista natural e residente de Florianópolis/SC. Tem a arte drag como linguagem central, campo fértil para sua autofabulação que se desdobra em performances, pinturas, fotografias, vídeos e objetos. Sua produção é marcada por temas íntimos e confessionais, com cada obra funcionando como uma carta endereçada a si mesma e ao mundo, em um gesto contínuo de reinvenção e revelação de si. Atualmente, cursa doutorado em Artes Visuais na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), onde também concluiu mestrado e graduação. Atua na criação de pontes entre os circuitos das artes visuais, da academia e da cena drag, investigando as possibilidades, fricções e prazeres que emergem quando uma linguagem nascida à margem se desloca para o centro.
Sobre a curadora
Mariana Thome é cineasta, produtora cultural e educadora. Atua na intersecção entre criação artística, gestão cultural e formação de novos profissionais. Ao longo dos últimos anos, tem se dedicado a construir pontes entre o audiovisual e outras linguagens, da performance à música, com o desejo de criar espaços de troca e experimentação. É fundadora da Desterro Filmes, produtora independente voltada ao desenvolvimento e à circulação de obras autorais, e da OPIUM, espaço cultural dedicado à performance e à arte noturna, que nasceu como uma casa de artistas e se tornou referência na cena de Florianópolis. Entre seus projetos no cinema, destaca filmes que investigam memória, juventude e performance, com um olhar afetivo sobre o Brasil contemporâneo e suas contradições. Seu trabalho se apoia na crença de que a arte é uma forma de criar comunidade. Por isso, atua de modo coletivo, formando redes, fortalecendo a cena local e incentivando uma cultura de colaboração e acessibilidade.





