Em alusão ao Julho Verde e ao Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, celebrado em 27 de julho, especialistas da Rede HU Brasil alertam para a importância de reconhecer sinais persistentes e buscar avaliação em tempo adequado.O tema ganha relevância porque esse grupo de tumores pode atingir diferentes regiões do corpo e, em muitos casos, apresentar sintomas iniciais discretos.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam mais de 41 mil novos casos anuais de tumores relacionados à cabeça e pescoço no Brasil, considerando cavidade oral, laringe e tireoide. O dado reforça a importância da prevenção, da informação e dodiagnóstico precoce.
O cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Universitário Alcides Carneiro, da Universidade Federal de Campina Grande (HUAC-UFCG), Uirá Coury, explica que o termo não se refere a uma única doença, mas a um conjunto de tumores que podem surgir em diferentesáreas anatômicas. Entre elas estão cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal, seios da face, glândulas salivares, tireoide, pele da face, couro cabeludo, pescoço e outras estruturas da região cervicofacial, excluindo cérebro e coluna cervical.
Segundo o especialista, conhecer essas possibilidades ajuda a população a não ignorar alterações aparentemente simples. “Muitas apresentam sinais iniciais discretos, como feridas ou aftas que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir ounódulos no pescoço”, afirma. Ele acrescenta que o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e pode diminuir a necessidade de tratamentos com maior potencial de sequelas estéticas e funcionais.
A boca é uma das regiões onde os primeiros sinais podem aparecer. Para a cirurgiã-dentista Mariah Lisboa, do Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), o acompanhamento odontológico tem papel importantena identificação de alterações suspeitas e na orientação sobre hábitos associados ao risco da doença.
“O cirurgião-dentista é o profissional treinado para fazer o exame minucioso da cavidade bucal, já que é quem mais avalia essa região. Também é importante conversar com o paciente sobre hábitos de maior risco para o desenvolvimento do câncer de boca, como otabagismo, principalmente quando associado ao etilismo”, explica Mariah.
O cirurgião bucomaxilofacial Carlos Augusto Negreiros, do Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam), também chama atenção para alterações que podem surgir na boca, na face, na mandíbula e no pescoço. Segundo ele,algumas regiões da cavidade oral exigem observação cuidadosa, como a borda lateral da língua. Inchaços, nódulos ou lesões persistentes nessas áreas devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Hábitos como consumo de bebidas alcoólicas, fumo, incluindo cigarros tradicionais e eletrônicos, má alimentação e má higiene bucal podem estar associados ao risco de desenvolvimento da doença, especialmente quando combinados a outras condições de saúde.
Mariah reforça que alterações persistentes não devem ser ignoradas. “Na presença de qualquer alteração da normalidade que não se resolva em um período de 10 a 15 dias, que é o tempo em que normalmente as lesões inflamatórias levam para cicatrizar, é ideal queo paciente procure um cirurgião-dentista para avaliação da cavidade bucal”, orienta.
Além da identificação dos sintomas, o cuidado ao paciente pode envolver diferentes áreas da saúde. O cirurgião de cabeça e pescoço Savio de Moraes, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), afirma que o enfrentamento ao câncerde cabeça e pescoço depende de uma rede integrada, desde a atenção básica até especialidades como cirurgia de cabeça e pescoço, otorrinolaringologia, odontologia, oncologia, radioterapia, fonoaudiologia, nutrição e psicologia.
“Todos esses especialistas exercem um papel fundamental na detecção, tratamento e reabilitação do paciente. Quando esses profissionais atuam em conjunto, o paciente recebe um atendimento mais ágil e completo”, afirma Savio.
Para quem percebe sintomas persistentes, a orientação é não adiar a avaliação por medo do diagnóstico. “Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão, dificuldade para engolir ou um caroço no pescoço por mais de duas semanas são sinais de alerta e merecem avaliaçãomédica. Na maioria absoluta dos casos, não será câncer, mas, quando é, o diagnóstico precoce pode aumentar muito as chances de cura e preservar a qualidade de vida”, completa.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25unidades da federação.








